Viatura da PF em frente ao prédio do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande.
(Foto: Divulgação/PF)
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, 25 de agosto, a Operação Presciência, com o objetivo de apurar graves irregularidades na aplicação de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Município de Campo Grande. De acordo com informações divulgadas pelo Campo Grande News, logo nas primeiras horas do dia, equipes de agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão na sede da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS), localizada no Jardim TV Morena, e no prédio do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG), situado no Bairro Amambaí.
Na SAS, os policiais chegaram por volta das 5h30 e deixaram o prédio carregando malotes de documentos. As diligências foram acompanhadas de perto pela titular da pasta e vice-prefeita da Capital, Camila Nascimento. Ao todo, a 3ª Vara Federal de Campo Grande expediu seis mandados de busca e apreensão, além de determinar o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de todos os investigados. O foco do inquérito policial envolve possíveis práticas de crimes de gestão temerária, corrupção passiva e corrupção ativa.
O estopim das investigações
A investigação criminal teve início após a emissão de um Relatório de Auditoria Direta elaborado pela Coordenação-Geral de Auditoria do Ministério da Previdência Social. O documento técnico apontou fortes indícios de que servidores municipais envolvidos no processo de tomada de decisões ignoraram procedimentos técnicos e administrativos obrigatórios, expondo deliberadamente o patrimônio público a riscos elevados.
O caso está diretamente ligado a um aporte financeiro realizado em abril de 2024, quando o IMPCG aplicou R$ 1,2 milhão em Letras Financeiras do Banco Master. O cenário institucional tornou-se crítico em novembro de 2025, momento em que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da referida instituição bancária. Por se tratar de um investimento sem a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o capital do funcionalismo público municipal ficou sob ameaça direta de perda total.
Disputa judicial e consignados
O Banco Master mantinha uma relação estreita com a administração local, estando autorizado desde abril de 2025 a oferecer crédito consignado com desconto em folha para servidores, aposentados e pensionistas. Diante da quebra do banco, o valor atualizado do prejuízo potencial chegou a R$ 1.427.697,59. Para tentar mitigar o rombo, o IMPCG e a Prefeitura ingressaram com medidas judiciais urgentes.
Em março deste ano, o instituto municipal obteve uma vitória jurídica importante ao conseguir assegurar a recuperação do montante originalmente aplicado, acrescido de correções, por meio de um mecanismo de compensação judicial utilizando as parcelas que seriam repassadas ao banco via créditos consignados. Apesar de o IMPCG ter encerrado o balanço de 2025 com resultado patrimonial positivo de R$ 128,2 milhões, as suspeitas sobre a conduta dos gestores da época motivaram a intervenção da Polícia Federal. Em nota, a assessoria da SAS declarou que a investigação atual não possui qualquer relação com a direção que comanda a pasta no momento e ressaltou que a Prefeitura de Campo Grande segue à disposição para prestar esclarecimentos.
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