Adolescentes, acompanhadas da mãe e de um policial militar, deixam a Depac Cepol e seguem para a Depca, onde o caso é apurado .
(Foto: Bruna Marques)
O desaparecimento de uma bebê recém-nascida de apenas 28 dias mobilizou equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil na manhã desta sexta-feira (7), em Campo Grande. De acordo com o portal Campo Grande News, o caso teve início após a mãe da criança, uma adolescente de 17 anos, ir até a residência de uma mulher que conheceu pelas redes sociais. Diante da gravidade e do envolvimento de menores de idade, a ocorrência foi encaminhada para a DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente).
De acordo com o relato da avó da bebê, a aproximação entre a suspeita e a adolescente começou ainda durante a gestação, por meio de uma página de brechó na internet, sob o pretexto de organizar um ensaio fotográfico de gestante. A mulher passou a frequentar quase diariamente a casa da família, no Jardim Colibri, e manteve as visitas após o parto, inclusive presenteando a recém-nascida com roupas. A avó relatou que desconfiava do interesse excessivo da mulher. Recentemente, a suspeita ofereceu R$ 100 para que a jovem de 17 anos fosse à sua casa cuidar de uma criança de seis meses, o que motivou a avó a ordenar que sua outra filha, de 13 anos, acompanhasse a irmã.
As duas adolescentes saíram de casa por volta das 11h de ontem (6) e passaram o dia na residência da mulher. Já na madrugada de hoje, por volta de 1h, as irmãs foram deixadas por um grupo de pessoas em uma região de mato nas proximidades da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário, na Avenida Guaicurus. A recém-nascida não estava com elas. Conforme o depoimento inicial das menores, o celular da mãe da bebê ficou retido com o grupo que estava no veículo.
A Polícia Militar prestou o primeiro atendimento e direcionou o caso inicialmente para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol, que posteriormente repassou o procedimento à delegacia especializada. As duas adolescentes passam por escuta especializada e a mãe presta esclarecimentos formais. Até o momento, as autoridades policiais mantêm sigilo sobre as investigações e não repassaram informações à imprensa sobre o paradeiro da bebê ou a identidade da mulher.
Embora as circunstâncias deste sumiço ainda dependam de apuração, o Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul alerta constantemente sobre os riscos de transferências informais de crianças fora dos canais legais. O Estado mantém há 14 anos o projeto "Dar à Luz", idealizado pela juíza Katy Braun do Prado, que oferece amparo psicológico e jurídico sigiloso para gestantes que desejam entregar filhos para adoção de forma oficial, evitando situações de vulnerabilidade, abandono em vias públicas ou negociações ilícitas na comunidade.
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