Vitima baleada foi transportada para o Pronto Socorro.
(Foto: Divulgação/CBMMS)
Impulsionado pela rota estratégica do tráfico internacional e pelo avanço das facções criminosas nas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia, Mato Grosso do Sul enfrenta um cenário desafiador na segurança pública. Enquanto o Brasil registra queda nas taxas de mortes violentas intencionais, o Estado apresenta alta em indicadores sensíveis, com reflexos diretos na rede hospitalar e nas forças de segurança.
O impacto mais visível dessa realidade é sentido diariamente nas unidades de saúde de referência. Hospitais têm recebido um número crescente de vítimas de disparos de arma de fogo, exigindo a mobilização contínua de equipes médicas e a ocupação de leitos destinados ao atendimento de casos graves.
Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que as mortes decorrentes de intervenção policial cresceram 11,1% entre 2024 e 2025, passando de 67 para 75 registros. Em 2026, o cenário se agravou: somente no primeiro semestre foram contabilizadas 85 mortes, número superior ao registrado em todo o ano anterior.
Mato Grosso do Sul também se consolidou, em 2025, como o quinto estado mais armado do país. Desde 2017, houve crescimento de 240,2% no número de armas registradas, totalizando 40.889 unidades cadastradas no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), da Polícia Federal.
Outro indicador que preocupa é o aumento dos casos de feminicídio, que passaram de 35 para 39 vítimas entre 2024 e 2025.
Para autoridades e especialistas, a escalada dos confrontos armados está diretamente relacionada à disputa territorial entre organizações criminosas pelo controle das rotas do narcotráfico e do comércio ilegal de armas.
Em entrevista ao Campo Grande News, o secretário-executivo da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), coronel Wagner Ferreira da Silva, afirmou que o aumento dos tiroteios não decorre de uma mudança na forma de atuação das forças policiais, mas do recrudescimento das ações do crime organizado na fronteira.
“A polícia age sempre em razão daquilo que acontece, não como método de atuação”, declarou.
A combinação entre a vulnerabilidade geográfica das fronteiras, o fortalecimento das facções criminosas e a elevada circulação de armamentos impõe novos desafios para as políticas públicas do Estado, transformando o combate à criminalidade em uma questão que extrapola os limites da segurança pública e impacta diretamente a saúde da população.
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