Operários trabalhando no tapa-buraco em rua de Campo Grande.
(Foto: PMCG/Divulgação)
Uma megaoperação deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) desarticulou um esquema bilionário de corrupção incrustado na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) de Campo Grande. A Operação “Buraco Sem Fim”, coordenada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) na terça-feira, 12 de maio, resultou na prisão preventiva de empresários, servidores públicos e do ex-secretário municipal de Infraestrutura, Rudi Fiorese. Todos os detidos foram encaminhados à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) no Cepol e passam por audiência de custódia na manhã desta quarta-feira, 13 de maio, a partir das 8h30.
De acordo com o Gecoc, a investigação mira uma organização criminosa estruturada para fraudar sistematicamente contratos de manutenção de vias públicas, popularmente conhecidos como serviços de tapa-buraco. O modus operandi envolvia a manipulação intencional de medições de engenharia, emissão de pagamentos por serviços que nunca foram executados e o consequente desvio de dinheiro público. Entre 2018 e 2025, a empreiteira envolvida acumulou R$ 113,7 milhões em contratos e termos aditivos com o poder público. Durante as buscas, os investigadores apreenderam R$ 429 mil em dinheiro vivo.

Alvos Reincidentes e Braço Operacional
O esquema contava com nomes já conhecidos da Justiça sul-mato-grossense. Parte dos investigados foi alvo, em 2023, da Operação "Cascalhos de Areia", que apurou crimes semelhantes na manutenção de vias não pavimentadas. Entre os principais presos na ação de ontem estão:
- Rudi Fiorese: Ex-secretário de Infraestrutura da Capital, cargo que ocupou entre 2017 e 2023.
- Mehdi Talayeh: Engenheiro da Sisep e servidor comissionado desde 2020, cuja prisão preventiva já havia sido decretada sob sigilo em 29 de abril.
- Edivaldo Aquino Pereira: Coordenador do serviço de tapa-buraco do município e também investigado na "Cascalhos de Areia". Ele atuava diretamente como fiscal do contrato de aquisição de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ). O filho de Edivaldo também foi detido após a localização de entorpecentes em sua residência no Bairro Tiradentes.
- Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula: Servidor ativo da Sisep.
- Fernando de Souza Oliveira: Servidor atualmente licenciado da pasta.
- Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa (pai e filho): Proprietários da Construtora Rial Ltda, principal empresa beneficiada pelos repasses sob suspeita.
No total, o Gecoc cumpriu 10 mandados de busca e apreensão. Os alvos incluíram sete residências dos investigados, a sede da Construtora Rial e o prédio administrativo da Sisep, localizado no bairro Jardim Monumento.
Posicionamento Oficial e Defesa dos Acusados
O ex-prefeito Marquinhos Trad (PV), chefe do Executivo municipal durante o período em que Rudi Fiorese comandou a Sisep, saiu publicamente em defesa do ex-subordinado, declarando ter "certeza" de que a conduta de Fiorese sempre foi correta e pautada na legalidade.
A Prefeitura de Campo Grande manifestou-se oficialmente por meio de nota, ressaltando que as investigações do Gecoc se referem a contratos firmados a partir de 2017, correspondentes a gestões passadas. O Executivo informou que a Sisep está acompanhando os trabalhos e colaborando ativamente com o fornecimento de informações ao Ministério Público. Para evitar o travamento dos serviços urbanos, o município determinou a exoneração imediata de todos os servidores investigados, garantindo que o cronograma de manutenção de vias não será paralisado ou comprometido.
Na porta do Cepol, os advogados de defesa de Rudi Fiorese, dos empresários Pedrosa, do engenheiro Mehdi Talayeh e dos servidores Erick e Fernando informaram que ainda não tiveram acesso à totalidade dos autos do processo sigiloso. Por este motivo, as bancas jurídicas decidiram não se manifestar sobre o teor das acusações neste primeiro momento.
*Com informações do Campo Grande News
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