Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026
polícia

STJ mantém julgamento de grupo acusado de lavar dinheiro do tráfico

06 jan 2026 - 13h49   atualizado em 03/03/2026 às 09h34

Danielly Carvalho

STJ mantém julgamento de grupo acusado de lavar dinheiro do tráfico Ação envolve ex-vereador de Corumbá e comércios usados para ocultar milhões. (Foto: Arquivo/Divulgação/CMC)

O Superior Tribunal de Justiça decidiu manter em andamento o processo que investiga um esquema acusado de transformar pequenos comércios em engrenagens para ocultar dinheiro do tráfico internacional de drogas. A decisão foi assinada pelo ministro Messod Azulay Neto, que rejeitou o pedido para barrar a ação penal.

Entre os investigados está o ex-vereador de Corumbá Allex Dellas (PDT), apontado como uma das figuras centrais do grupo. Ele também teve atuação política de destaque na legislatura encerrada em 2024, quando integrou a base de apoio do então prefeito Marcelo Iunes (PSDB).

O caso reúne cerca de dez réus e já tem calendário definido para as audiências. Os depoimentos começam nos dias 24 e 25 de fevereiro de 2026 e seguem em março, nos dias 10, 11, 12, 17, 18 e 19, sempre a partir das 13h30. No início, serão ouvidos policiais federais e testemunhas indicadas pela acusação. As falas da defesa ficam para março, incluindo as apresentadas por Allex Dellas, marcadas para o dia 11. Os interrogatórios finais encerram essa fase do processo nos dias 18 e 19.

As sessões ocorrerão de forma presencial, com possibilidade de participação remota em situações específicas.

A tentativa de interromper o processo partiu do empresário Guilherme Regenold Neto, que buscou no Tribunal Regional Federal da 3ª Região o trancamento da ação. O pedido foi negado, o que levou o caso ao STJ.

Na análise, o ministro destacou que há indícios suficientes para que o processo avance, com elementos que apontam, ao menos em tese, para a existência dos crimes e a participação dos acusados. Para ele, não há ilegalidade evidente que justifique o encerramento antecipado da ação.

A decisão, publicada no Diário de Justiça Eletrônico Nacional em 4 de novembro, reforça que o habeas corpus não é o instrumento adequado para reavaliar provas já examinadas pelas instâncias inferiores.

Estrutura familiar e cifras elevadas

Segundo o Ministério Público Federal, o esquema operava principalmente na região de fronteira com a Bolívia e teria movimentado cerca de R$ 80 milhões entre 2017 e 2021. A investigação aponta a atuação conjunta de dois núcleos familiares.

De um lado, a família Della, liderada por Ale Tahir Della, que envolvia os filhos Matheus Prado Della e Allex Prado Della. Do outro, o grupo Martins, comandado por Ioneide Nogueira Martins, conhecido como “Paraná”, com participação de irmãos, parentes próximos e uma cunhada.

Entre os estabelecimentos usados para dar aparência legal ao dinheiro, um pequeno mercado teria registrado R$ 63 milhões em transações, grande parte via cartão de crédito. Outro ponto investigado é uma conveniência em Corumbá que chegou a faturar R$ 23 milhões, com registros de vendas para consumidores de cidades distantes, como Belo Horizonte.

As apurações indicam que compras simuladas com cartões eram usadas para inflar artificialmente o faturamento, apesar do baixo movimento nos locais. Em um dos comércios, aproximadamente 90% da receita vinha de cartões vinculados aos próprios integrantes do grupo.

Os acusados respondem por organização criminosa com atuação transnacional e por lavagem e ocultação de bens. Além das penas de prisão, o MPF pede indenização por danos morais coletivos, com valores que podem chegar a R$ 2 milhões para os apontados como líderes do esquema.*Com informações do O Jacaré.

Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal.

Leia Também

PF deflagra operação contra esquema de eletrônicos ilegais e extorsão em MS
Polícia

PF deflagra operação contra esquema de eletrônicos ilegais e extorsão em MS

PM recupera bicicleta furtada e prende foragido da Justiça em Ladário
Polícia

PM recupera bicicleta furtada e prende foragido da Justiça em Ladário

PRF encerra Operação Independência nas rodovias de MS
Polícia

PRF encerra Operação Independência nas rodovias de MS

Mulher esfaqueia marido para sobreviver a espancamento em Corumbá
Polícia

Mulher esfaqueia marido para sobreviver a espancamento em Corumbá

Civil recupera 246 celulares roubados e devolve mais de 130 na Operação Última Chamada
Polícia

Civil recupera 246 celulares roubados e devolve mais de 130 na Operação Última Chamada

Fiscalização em ônibus flagra haxixe marroquino que seguia para São Paulo
Polícia

Fiscalização em ônibus flagra haxixe marroquino que seguia para São Paulo

Suspeita de abuso sexual em cadela é investigada em Corumbá
Polícia

Suspeita de abuso sexual em cadela é investigada em Corumbá

Brasileiro é preso com maconha na rodoviária de Puerto Quijarro
Fronteira

Brasileiro é preso com maconha na rodoviária de Puerto Quijarro

Sargento da PMMS é preso por descaminho e vai para presídio militar em Campo Grande
Polícia

Sargento da PMMS é preso por descaminho e vai para presídio militar em Campo Grande

Homem de 51 anos é encontrado morto a tiros e facadas na zona rural de Corumbá
Polícia

Homem de 51 anos é encontrado morto a tiros e facadas na zona rural de Corumbá

Mais Lidas

Mulher esfaqueia marido para sobreviver a espancamento em Corumbá
Polícia

Mulher esfaqueia marido para sobreviver a espancamento em Corumbá

Ponte sobre o rio Paraguai sofrerá nova interdição no fim de semana
Geral

Ponte sobre o rio Paraguai sofrerá nova interdição no fim de semana

Mocidade da Nova Corumbá ganha reconhecimento estadual
Cultura

Mocidade da Nova Corumbá ganha reconhecimento estadual

Suspeita de abuso sexual em cadela é investigada em Corumbá
Polícia

Suspeita de abuso sexual em cadela é investigada em Corumbá