Sexta-feira, 20 de Março de 2026
polícia

STJ mantém julgamento de grupo acusado de lavar dinheiro do tráfico

06 jan 2026 - 13h49   atualizado em 03/03/2026 às 09h34

Danielly Carvalho

STJ mantém julgamento de grupo acusado de lavar dinheiro do tráfico Ação envolve ex-vereador de Corumbá e comércios usados para ocultar milhões. (Foto: Arquivo/Divulgação/CMC)

O Superior Tribunal de Justiça decidiu manter em andamento o processo que investiga um esquema acusado de transformar pequenos comércios em engrenagens para ocultar dinheiro do tráfico internacional de drogas. A decisão foi assinada pelo ministro Messod Azulay Neto, que rejeitou o pedido para barrar a ação penal.

Entre os investigados está o ex-vereador de Corumbá Allex Dellas (PDT), apontado como uma das figuras centrais do grupo. Ele também teve atuação política de destaque na legislatura encerrada em 2024, quando integrou a base de apoio do então prefeito Marcelo Iunes (PSDB).

O caso reúne cerca de dez réus e já tem calendário definido para as audiências. Os depoimentos começam nos dias 24 e 25 de fevereiro de 2026 e seguem em março, nos dias 10, 11, 12, 17, 18 e 19, sempre a partir das 13h30. No início, serão ouvidos policiais federais e testemunhas indicadas pela acusação. As falas da defesa ficam para março, incluindo as apresentadas por Allex Dellas, marcadas para o dia 11. Os interrogatórios finais encerram essa fase do processo nos dias 18 e 19.

As sessões ocorrerão de forma presencial, com possibilidade de participação remota em situações específicas.

A tentativa de interromper o processo partiu do empresário Guilherme Regenold Neto, que buscou no Tribunal Regional Federal da 3ª Região o trancamento da ação. O pedido foi negado, o que levou o caso ao STJ.

Na análise, o ministro destacou que há indícios suficientes para que o processo avance, com elementos que apontam, ao menos em tese, para a existência dos crimes e a participação dos acusados. Para ele, não há ilegalidade evidente que justifique o encerramento antecipado da ação.

A decisão, publicada no Diário de Justiça Eletrônico Nacional em 4 de novembro, reforça que o habeas corpus não é o instrumento adequado para reavaliar provas já examinadas pelas instâncias inferiores.

Estrutura familiar e cifras elevadas

Segundo o Ministério Público Federal, o esquema operava principalmente na região de fronteira com a Bolívia e teria movimentado cerca de R$ 80 milhões entre 2017 e 2021. A investigação aponta a atuação conjunta de dois núcleos familiares.

De um lado, a família Della, liderada por Ale Tahir Della, que envolvia os filhos Matheus Prado Della e Allex Prado Della. Do outro, o grupo Martins, comandado por Ioneide Nogueira Martins, conhecido como “Paraná”, com participação de irmãos, parentes próximos e uma cunhada.

Entre os estabelecimentos usados para dar aparência legal ao dinheiro, um pequeno mercado teria registrado R$ 63 milhões em transações, grande parte via cartão de crédito. Outro ponto investigado é uma conveniência em Corumbá que chegou a faturar R$ 23 milhões, com registros de vendas para consumidores de cidades distantes, como Belo Horizonte.

As apurações indicam que compras simuladas com cartões eram usadas para inflar artificialmente o faturamento, apesar do baixo movimento nos locais. Em um dos comércios, aproximadamente 90% da receita vinha de cartões vinculados aos próprios integrantes do grupo.

Os acusados respondem por organização criminosa com atuação transnacional e por lavagem e ocultação de bens. Além das penas de prisão, o MPF pede indenização por danos morais coletivos, com valores que podem chegar a R$ 2 milhões para os apontados como líderes do esquema.*Com informações do O Jacaré.

Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal.

Deixe seu Comentário

Leia Também

Exército apreende mais de 13 kg de drogas em ônibus em Corumbá
polícia

Exército apreende mais de 13 kg de drogas em ônibus em Corumbá

Exército e Receita Federal apreendem 26 kg de drogas em Corumbá
polícia

Exército e Receita Federal apreendem 26 kg de drogas em Corumbá

Operação contra tráfico de drogas prende dois e fecha pontos de venda
polícia

Operação contra tráfico de drogas prende dois e fecha pontos de venda

PRF monta operação com 200 agentes para COP-15 em Campo Grande
polícia

PRF monta operação com 200 agentes para COP-15 em Campo Grande

Operação Iscariotes reprime organização criminosa que recrutava agentes públicos em MS e MG
Polícia

Operação Iscariotes reprime organização criminosa que recrutava agentes públicos em MS e MG

Civil procura suspeito de participação em tentativa de homicídio em Corumbá
Polícia

Civil procura suspeito de participação em tentativa de homicídio em Corumbá

Casal que saiu de MS com criança de 9 anos é preso com carga recorde de maconha
Polícia

Casal que saiu de MS com criança de 9 anos é preso com carga recorde de maconha

Ação integrada intercepta carregamento de cocaína e identifica 36 imigrantes irregulares em MS
Polícia

Ação integrada intercepta carregamento de cocaína e identifica 36 imigrantes irregulares em MS

"É só o mínimo", diz irmã de Lucas Souto Julião após autor se entregar na delegacia
Desdobramentos

"É só o mínimo", diz irmã de Lucas Souto Julião após autor se entregar na delegacia

MS implementa segurança bilíngue e reforço tático para a COP15 em Campo Grande
Polícia

MS implementa segurança bilíngue e reforço tático para a COP15 em Campo Grande

Mais Lidas

Colisão entre carro e carreta deixa três mortos na BR-262
plantão

Colisão entre carro e carreta deixa três mortos na BR-262

Secretário de Corumbá responde ação por uso irregular de verba
política

Secretário de Corumbá responde ação por uso irregular de verba

Homem é preso após ameaçar crianças com espingarda em Corumbá
polícia

Homem é preso após ameaçar crianças com espingarda em Corumbá

O problema nunca foram as unhas
Entrelinhas

O problema nunca foram as unhas