Ação envolve ex-vereador de Corumbá e comércios usados para ocultar milhões.
(Foto: Arquivo/Divulgação/CMC)
O Superior Tribunal de Justiça decidiu manter em andamento o processo que investiga um esquema acusado de transformar pequenos comércios em engrenagens para ocultar dinheiro do tráfico internacional de drogas. A decisão foi assinada pelo ministro Messod Azulay Neto, que rejeitou o pedido para barrar a ação penal.
Entre os investigados está o ex-vereador de Corumbá Allex Dellas (PDT), apontado como uma das figuras centrais do grupo. Ele também teve atuação política de destaque na legislatura encerrada em 2024, quando integrou a base de apoio do então prefeito Marcelo Iunes (PSDB).
O caso reúne cerca de dez réus e já tem calendário definido para as audiências. Os depoimentos começam nos dias 24 e 25 de fevereiro de 2026 e seguem em março, nos dias 10, 11, 12, 17, 18 e 19, sempre a partir das 13h30. No início, serão ouvidos policiais federais e testemunhas indicadas pela acusação. As falas da defesa ficam para março, incluindo as apresentadas por Allex Dellas, marcadas para o dia 11. Os interrogatórios finais encerram essa fase do processo nos dias 18 e 19.
As sessões ocorrerão de forma presencial, com possibilidade de participação remota em situações específicas.
A tentativa de interromper o processo partiu do empresário Guilherme Regenold Neto, que buscou no Tribunal Regional Federal da 3ª Região o trancamento da ação. O pedido foi negado, o que levou o caso ao STJ.
Na análise, o ministro destacou que há indícios suficientes para que o processo avance, com elementos que apontam, ao menos em tese, para a existência dos crimes e a participação dos acusados. Para ele, não há ilegalidade evidente que justifique o encerramento antecipado da ação.
A decisão, publicada no Diário de Justiça Eletrônico Nacional em 4 de novembro, reforça que o habeas corpus não é o instrumento adequado para reavaliar provas já examinadas pelas instâncias inferiores.
Estrutura familiar e cifras elevadas
Segundo o Ministério Público Federal, o esquema operava principalmente na região de fronteira com a Bolívia e teria movimentado cerca de R$ 80 milhões entre 2017 e 2021. A investigação aponta a atuação conjunta de dois núcleos familiares.
De um lado, a família Della, liderada por Ale Tahir Della, que envolvia os filhos Matheus Prado Della e Allex Prado Della. Do outro, o grupo Martins, comandado por Ioneide Nogueira Martins, conhecido como “Paraná”, com participação de irmãos, parentes próximos e uma cunhada.
Entre os estabelecimentos usados para dar aparência legal ao dinheiro, um pequeno mercado teria registrado R$ 63 milhões em transações, grande parte via cartão de crédito. Outro ponto investigado é uma conveniência em Corumbá que chegou a faturar R$ 23 milhões, com registros de vendas para consumidores de cidades distantes, como Belo Horizonte.
As apurações indicam que compras simuladas com cartões eram usadas para inflar artificialmente o faturamento, apesar do baixo movimento nos locais. Em um dos comércios, aproximadamente 90% da receita vinha de cartões vinculados aos próprios integrantes do grupo.
Os acusados respondem por organização criminosa com atuação transnacional e por lavagem e ocultação de bens. Além das penas de prisão, o MPF pede indenização por danos morais coletivos, com valores que podem chegar a R$ 2 milhões para os apontados como líderes do esquema.*Com informações do O Jacaré.
Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal.
Leia Também
"Operação Dia do Trabalho" registra 24 acidentes nas rodovias de MS
Fiscalização no Lampião Aceso termina com três presos e quase 30 kg de skunk apreendidos
Imagens de segurança auxiliam PM na prisão de dupla e captura de foragido em Ladário
Projeto de Lei estabelece critérios para reajustes de preços nos contratos públicos de Corumbá
Dois bolivianos são presos com mais de 21 kg de drogas na rodoviária de Corumbá
Imagens de câmeras somem e travam investigações de crimes em presídios
"Escolhe como quer morrer": homem ficou 4 dias com corpo da mulher em casa
Polícia Militar prende homem em flagrante por furto de fios em Corumbá
Mulher é encontrada morta com sinais de espancamento e cabelo arrancado