Terça-feira, 22 de Setembro de 2026
Polícia

PIX de R$ 1,2 mil de assessora lotada no gabinete de Adriane é principal indício de compra de voto

04 abr 2025 - 05h37   atualizado em 03/03/2026 às 09h30

Gesiane S. Lourenço

PIX de R$ 1,2 mil de assessora lotada no gabinete de Adriane é principal indício de compra de voto Prefeita de Campo Grande é acusada de se reeleger mediante a compra de votos. Pix de servidora lotada no gabinete é uma das provas. (Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado)

A ação de investigação judicial por compra de votos tem como uma das provas um Pix pago pela assessora da Prefeitura de Campo Grande, Simone Bastos Vieira, que era lotada no gabinete da prefeita Adriane Lopes (PP). Esse é um dos principais indícios citados pelo procurador regional eleitoral Luiz Gustavo Mantovani para dar parecer pela procedência da denúncia para cassar o mandato da atual chefe do Poder Executivo e da vice-prefeita Camilla Nascimento de Oliveira (PP).

Conforme denúncia do Democracia Cristã e do PDT, a compra de votos garantiu a reeleição de Adriane, com 222.699 votos, no segundo turno contra Rose Modesto (União Brasil), que conquistou 210.112. A diferença foi de 12.587 votos, a menor desde 1996, quando André Puccinelli (MDB) venceu Zeca do PT por 411 votos.

No caso sob análise, há elementos que convergem para a comprovação da existência de captação ilícita de sufrágio – a odiosa ‘compra de votos’ – em favor da campanha de ADRIANE LOPES, com a sua participação indireta e anuência”, concluiu Mantovani.

Pix de assessora virabatom na cueca

O Pix corrobora com o depoimento de Sebastião Martins Vieira, o Tião da Horta. Ele foi visto no comitê de campanha da prefeita uma vez, no dia 26 de outubro de 2024, véspera do segundo turno, conforme depoimento Adriana Cristina Campagnoli de Oliveira, que também é lotada no gabinete e deu a informação em depoimento em juízo.

“Simone Bastos Vieira, responsável pelo PIX efetuado em favor de Sebastião Martins Vieira, conforme colacionado na inicial (ID 12617555, p. 101), era servidora comissionada com lotação no gabinete da prefeita na competência de outubro de 2024. Coincidentemente, Simone consta do site da prefeitura como assessora executiva lotada 3 justamente na atual Coordenadoria Geral de Articulação Social e Assuntos Comunitários, subordinada a Marcos Paulo Amorim Pegoraro”, apontou o procurador regional eleitoral.

Conforme o Portal da Transparência, Simone era lotada no gabinete de Adriane e tinha salário de R$ 5.359,59. Ela teria recebido o salário até dezembro do ano passado. Não há informações de que foi reconduzida ao cargo após a eleição.

Apesar de ter feito o Pix, ela, o Tião da Horta e o Dr. Marcos não aparecem como integrantes da campanha de Adriane, seja como voluntários ou cabos eleitorais. “Frise-se que, em consulta aos autos da PCE n. 0600343-41.2024.6.12.0008, responsável pela transparência das contas das investigadas, nem Sebastião Martins Vieira, nem Marcos Paulo Amorim Pegoraro e nem Simone Bastos Vieira constam das despesas com pessoal declaradas pelas recorridas, a justificar legalmente tais repasses”, destacou Mantavoni.

Segundo Pix

O processo cita um outro pagamento de cabos eleitorais por meio de Pix. Uma mulher revelou em depoimento que o genro “comprou votos” de 15 eleitores para Adriane por meio de valor repassado para o Pix da filha.

“De igual forma, assim como declarado em juízo por Berenice Paes Machado (Que, ‘da nossa parte’ compareceu cerca de 15 pessoas e todos os PIX caiu na conta da filha da depoente;) e por Edivania Souza do Nascimento (Que o dinheiro sempre vinha na conta do Diego, genro da dona Berenice;), os comprovantes PIX de ID 12617613 a 12617616, de fato, demonstram a existência de transações bancárias similares às relatadas, nas quais Ana Paula Machado de Casemiro, companheira de Diego da Silva e filha de Berenice, recebeu o valor de R$ 800,00, às 23:06 horas do dia 24/09/2024 (semana anterior a do primeiro turno), e, de forma sequencial, transferiu as quantias de R$ 250,00 a Marcela Martinez Feliciano dos Santos (às 23:11 horas); de R$ 300,00 a Alceu de Oliveira Leite Cabral (às 23:13 horas) e de R$ 50,00 a Sônia Maria Paes Vera (às 23:16 horas)”, descreveu o procurador.

“Portanto, os respectivos elementos de prova são suficientes para exaurir, de forma robusta, os requisitos configuradores da captação ilícita de sufrágio, que demanda as mais graves penas do art. 22 da Lei Complementar n. 64/90”, reforçou.

“Os elementos de prova acima descritos não deixam dúvidas quanto ao cumprimento dos requisitos, exigidos pela lei e jurisprudência eleitoral, de (a) a realização de quaisquer das condutas enumeradas pelo dispositivo – doar, oferecer, prometer ou entregar bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza a eleitor, inclusive emprego ou função pública; (b) o dolo específico de obter o voto do eleitor; e (d) a ocorrência dos fatos desde o registro da candidatura até o dia da eleição”, afirmou.

Prefeita acusou cabo eleitoral de votar em Rose

Na defesa, Adriane acusou Tião da Horta de ser eleitor de Rose e usou um áudio gravado por ele pedindo voto para a adversária. “Aliás, quanto ao ponto específico de controvérsia, sobre a testemunha Sebastião Martins Vieira, conhecido como Tião da Horta, ser cabo eleitoral da candidata Rose Modesto ou de ADRIANE LOPES, os elementos constantes dos autos autorizam concluir pela veracidade do seu depoimento, no sentido de este que atuou pela reeleição da investigada”, analisou o procurador.

Em depoimento à Justiça, Tião da Horta contou que gravou um áudio pedindo voto para a candidata de oposição para zoar e o encaminhou no grupo de campanha de Adriane, do qual fazia parte.

Com o parecer favorável do MPE, o caso deve ser analisado pelo plenário do Tribunal Regional Eleitoral. O relator é o juiz Alexandre Antunes da Silva. O caso pode parar no TSE, que já cassou um senador da República e uma deputada federal porque teriam comprado dois votos por R$ 26 em 2002. Adriane é acusada de pagar entre R$ 50 e R$ 100 por voto.

Leia Também

Foragido de Rondônia é preso em ação conjunta na fronteira com a Bolívia
Polícia

Foragido de Rondônia é preso em ação conjunta na fronteira com a Bolívia

Operação barra 15 toneladas de solvente para cocaína em Corumbá
Polícia

Operação barra 15 toneladas de solvente para cocaína em Corumbá

Van boliviana tomba em barranco e motorista é resgatada em Corumbá
Mais Destaques

Van boliviana tomba em barranco e motorista é resgatada em Corumbá

Maconha é encontrada escondida em 5,2 toneladas de carga de milho em MS
Polícia

Maconha é encontrada escondida em 5,2 toneladas de carga de milho em MS

Alvo da PF, candidato a deputado diz não saber como fazenda contrata
Desdobramento

Alvo da PF, candidato a deputado diz não saber como fazenda contrata

Moto com registro de roubo é apreendida próximo ao Poliesportivo em Corumbá
Polícia

Moto com registro de roubo é apreendida próximo ao Poliesportivo em Corumbá

Mulher é presa com 15kg de skunk e pasta base nas proximidades da rodoviária
Polícia

Mulher é presa com 15kg de skunk e pasta base nas proximidades da rodoviária

PF apura trabalho escravo em fazenda de Porto Murtinho
Polícia

PF apura trabalho escravo em fazenda de Porto Murtinho

PF investiga desvio de mercadorias e objetos postais em Mato Grosso do Sul
Polícia

PF investiga desvio de mercadorias e objetos postais em Mato Grosso do Sul

Adolescente se fingiu de "melhor amiga" para chantagear Lívia na internet
Desdobramentos

Adolescente se fingiu de "melhor amiga" para chantagear Lívia na internet

Mais Lidas

Loja IKAS celebra três anos e meio de inovação tecnológica em Corumbá
Economia

Loja IKAS celebra três anos e meio de inovação tecnológica em Corumbá

No aniversário de Corumbá, primeira UTI neonatal e pediátrica é entregue à cidade
Saúde

No aniversário de Corumbá, primeira UTI neonatal e pediátrica é entregue à cidade

Divulgada a lista oficial da ordem de desfile dos 248 anos de Corumbá
Cultura

Divulgada a lista oficial da ordem de desfile dos 248 anos de Corumbá

Operação barra 15 toneladas de solvente para cocaína em Corumbá
Polícia

Operação barra 15 toneladas de solvente para cocaína em Corumbá