Brigadistas atuam em campo durante capacitação no Pantanal.
(Foto: Divulgação/Campo Grande News)
Brigadas comunitárias que atuam no Pantanal sul-mato-grossense passaram a receber formação técnica voltada ao uso planejado do fogo como estratégia de prevenção e enfrentamento aos incêndios florestais no bioma. A iniciativa integra ações de manejo integrado e busca reduzir a ocorrência de grandes queimadas na região.
A qualificação teve início neste sábado (13) e segue até 27 de junho, com atividades distribuídas entre a Serra do Amolar e as comunidades Binega, Paraguai Mirim, Ilha do Baguari e Barra do São Lourenço. O trabalho reúne moradores locais que já atuam na linha de frente da proteção ambiental.
O curso é coordenado pelo Prevfogo, Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, vinculado ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Entre as práticas ensinadas estão queima prescrita, abertura de aceiros, roçadas e outras técnicas de mitigação de risco.
A operação foi organizada em duas etapas distintas. Entre 13 e 17 de junho, as atividades se concentram na região do Amolar, com ações de campo voltadas à abertura de aceiros e ao treinamento de queima controlada. Já entre 18 e 23 de junho, os trabalhos seguem para o Paraguai Mirim, com intervenções em áreas comunitárias e também no entorno de uma unidade escolar.
No Paraguai Mirim, as ações são mais restritas ao manejo da vegetação e à criação de aceiros. A área possui presença de turfa, material orgânico que pode manter combustão subterrânea por longos períodos, o que dificulta a detecção e o controle de focos de incêndio, exigindo estratégias diferenciadas em relação a outras localidades.
Participam da capacitação as brigadas do Amolar, Binega, Paraguai Mirim, São Lourenço e Ilha do Baguari, esta última formada exclusivamente por mulheres. O trabalho é resultado de um processo de formação comunitária construído ao longo dos últimos anos com apoio de organizações como a ONG Ecoa (Ecologia e Ação).
No início de junho, o Governo de Mato Grosso do Sul decretou emergência ambiental diante do risco de eventos climáticos extremos, medida associada à possível atuação do fenômeno El Niño. Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Artur Falcette, a decisão amplia a capacidade de resposta do poder público.
“Essa é uma ferramenta que utilizamos em anos em que temos a expectativa de alguma coisa muito fora da normalidade. Ela permite duas coisas importantes. Primeiro, que solicitemos à Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), onde está o Corpo de Bombeiros, que reveja o planejamento para o ano”, afirmou.
O decreto também facilita o acesso a recursos federais via Defesa Civil Estadual em situações mais graves. “Se tivermos algum evento mais extremo causado por esse El Niño, conseguimos ter um fluxo mais rápido para fazer a adesão, receber os recursos, realizar contratações, receber equipamentos, enfim, o que for preciso”, disse.
De acordo com o secretário Jaime Verruck, o planejamento estadual para o período seco foi intensificado, com reuniões frequentes do Cicoe (Centro Integrado de Coordenação Estadual), que monitora cenários e articula ações entre forças de segurança e resposta no Pantanal.
*Com informações do Campo Grande News.
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