Representantes de órgãos públicos, concessionárias, Defesa Civil, Forças Armadas e especialistas se reuniram na chamada “Sala de Guerra”.
(Foto: Divulgação)
A possibilidade de Mato Grosso do Sul enfrentar um fenômeno climático de proporções históricas nos próximos meses acionou o sinal de alerta máximo no governo estadual. Diante de projeções que apontam a ocorrência de um "super El Niño" com potencial de se estender até o início de 2027, uma força-tarefa de alta escala foi consolidada nesta terça-feira, 04 de aggosto, em Campo Grande. O grupo reúne órgãos públicos, concessionárias de serviços essenciais, especialistas, pesquisadores e as Forças Armadas. As informações foram divulgadas pelo portal Campo Grande News.
Sob a coordenação da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos (AGEMS), o comitê realizou a quinta reunião da chamada "Sala de Guerra". O foco central do modelo de gestão é puramente preventivo: cruzar dados tecnológicos e planejar ações integradas antes que tempestades severas, secas prolongadas ou ondas de calor extremo destruam a infraestrutura urbana, afetem o agronegócio ou coloquem vidas em risco. Segundo o diretor-presidente da AGEMS, Carlos Alberto de Assis, a gravidade do cenário exige que a informação meteorológica seja transformada imediatamente em capacidade de resposta prática.
Chance de evento muito forte chega a 81%
Os dados técnicos que dão sustentação ao plano emergencial foram apresentados pela meteorologista Ana Paula Paes, especialista em Ciências Atmosféricas. Modelos climáticos internacionais indicam uma probabilidade expressiva de 97% de que o El Niño persista até o começo de 2027. Mais preocupante ainda é o índice de 81% de chance de o fenômeno evoluir para a categoria de "muito forte" (super El Niño).
De acordo com a especialista, os efeitos mais severos em Mato Grosso do Sul devem se concentrar entre os meses de outubro e dezembro deste ano. Para esse período, a previsão indica:
- Chuvas volumosas concentradas em poucos dias
- Tempestades severas com alta incidência de raios
- Ventanias e quedas drásticas de granizo
- Temperaturas médias muito acima do normal
Infraestrutura e Pantanal entram em monitoramento
A Sala de Guerra mapeou os setores que sofrem os maiores riscos de desabastecimento ou prejuízos econômicos. Concessionárias de energia elétrica, como a Energisa e a Neoenergia Elektro, já colocaram em curso planos de contingência específicos para manutenção de redes sob estresse e resposta rápida a apagões. O monitoramento também se estende a rodovias, ferrovias e rotas de navegação que correm o risco de interrupção por enchentes ou seca extrema.
No campo ambiental, a Semadesc e o Imasul estruturaram Planos de Ação Climática voltados para os 30 municípios sul-mato-grossenses identificados como os mais vulneráveis a crises hídricas ou incêndios florestais, incluindo áreas sensíveis do Pantanal. Para otimizar o tempo de resposta, a Defesa Civil Estadual, sob o comando do coronel Hugo Djan Leite, determinou que todas as instituições envolvidas apresentem seus cronogramas e atribuições exatas na próxima reunião do comitê, evitando a sobreposição de funções durante as crises.
Tecnologia de fronteira e resfriamento urbano
O monitoramento preventivo do estado ganhará o reforço de tecnologias militares. O Sistema de Vigilância de Fronteira (SISFRON), operado pelo Comando Militar do Oeste (CMO), vai compartilhar dados geoespaciais com o Instituto Homem Pantaneiro e universidades para detectar focos de incêndio e riscos climáticos em tempo real. Paralelamente, secretarias de Saúde e Assistência Social já revisam os cadastros de 134 Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) para agilizar o suporte humanitário às famílias que eventualmente venham a ser atingidas por desastres.
Como encaminhamento imediato, a Sala de Guerra estabeleceu a criação de canais de comunicação direta e ininterrupta entre as instituições. Além disso, o grupo definiu que os municípios deverão adotar medidas de urbanismo voltadas ao "resfriamento das cidades", buscando mitigar o efeito das ilhas de calor urbano. A mudança de postura consolida uma nova diretriz no poder público estadual: focar na preparação minuciosa do território em vez de apenas reagir aos estragos após a chegada das tempestades.
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