Cristo Rei iluminado para o Agosto Lilás
(Foto: Capital do Pantanal)
A iluminação do Cristo Rei do Pantanal na cor lilás marcou, na noite deste sábado (1º), a abertura do Agosto Lilás em Corumbá, campanha voltada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. A iniciativa, realizada pela Prefeitura de Corumbá por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania, buscou chamar atenção para a importância da prevenção, da proteção e do fortalecimento da rede de atendimento às vítimas.
Representando o prefeito Dr. Gabriel Alves de Oliveira na cerimônia, o secretário municipal de Assistência Social e Cidadania, Alexandre Ohara, afirmou que a iluminação do monumento simboliza "o compromisso do município com o enfrentamento da violência de gênero". Segundo ele, "a violência contra a mulher não pode ser tratada como um problema da esfera privada, mas como uma violação de direitos humanos que exige atuação permanente do poder público e participação da sociedade".
O ato simbólico ocorre em um momento em que os números reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre a violência de gênero no município. Dados do Monitor da Violência Contra a Mulher, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), atualizados até 29 de julho de 2026, apontam que Corumbá contabilizou 585 mulheres vítimas de violência doméstica neste ano.
O levantamento também mostra que 496 mulheres recorreram às Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) em 2026. Apesar de os dados serem parciais, a série histórica evidencia a permanência do problema: o município registrou 1.016 vítimas em 2024, maior número desde o início do levantamento, e 954 casos em 2025.
A realidade apontada pelas estatísticas também aparece nos casos extremos de violência registrados neste ano. Em janeiro, Rosana Candia Ohara, de 62 anos, foi assassinada dentro da própria residência, no bairro Guarani. O ex-marido, Antônio Lima Ohara, de 73 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Civil no local do crime.
Já em 31 de julho, Adrielle Encarnação Rodrigues, de 26 anos, foi morta a facadas no bairro Centro América. O principal suspeito é o ex-companheiro da vítima, Douglas Richard Ribeiro Valverde, de 49 anos, preso em flagrante pela Polícia Militar após o crime.
Criada para ampliar a conscientização sobre a violência doméstica e familiar, a campanha Agosto Lilás ocorre neste ano junto aos 20 anos da Lei Maria da Penha, considerada um dos principais instrumentos jurídicos de proteção às mulheres no Brasil e reconhecida internacionalmente pelo enfrentamento à violência de gênero.
Apesar dos avanços proporcionados pela legislação, o combate à violência contra a mulher não depende apenas da existência de mecanismos de denúncia e proteção. O acesso a direitos básicos, como moradia, emprego, saúde, educação e assistência social, também faz parte da construção de uma rede capaz de permitir que mulheres rompam ciclos de violência, assegurando sua autonomia e sua permanência em uma sociedade onde seus direitos sejam plenamente garantidos. O enfrentamento à violência contra a mulher também passa pela redução das desigualdades que dificultam esse processo.
Campanhas que orientam vítimas a procurar ajuda por meio do Disque 180 ou do 190 são fundamentais para que situações de violência sejam denunciadas. No entanto, para muitas mulheres, esse passo também envolve enfrentar inseguranças relacionadas à moradia, renda, emprego e à própria capacidade de sustentar a si mesmas e aos filhos após deixarem uma relação violenta.
Por isso, o avanço das políticas públicas não deve estar concentrado apenas nos mecanismos de proteção, mas também na garantia de direitos fundamentais, como acesso à saúde, educação, assistência social e oportunidades de trabalho. A redução das desigualdades de gênero faz parte desse processo, já que a dependência econômica e a falta de autonomia podem dificultar o rompimento de ciclos de violência.
Em Corumbá, uma das estruturas voltadas para esse acolhimento é o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), serviço da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania que oferece atendimento psicológico, social e orientação jurídica para mulheres em situação de violência, além de encaminhamentos para acesso a outros serviços da rede de proteção.
O espaço funciona como uma porta de entrada para mulheres que precisam de apoio, orientação e acesso aos direitos necessários para buscar alternativas e reconstruir suas vidas
Onde buscar ajuda em Corumbá:
- CRAM – Centro de Referência de Atendimento à Mulher
- Rua 15 de Novembro, nº 659 – Centro
- Telefone: (67) 98191-0170
- E-mail: [email protected]
- Atendimento: segunda a sexta-feira, das 7h30 às 15h30
- Instagram da Secretaria Municipal de Assistência Social: @smac.corumba
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