Governador Eduardo Riedel falou durante evento na Famasul.
(Foto: Juliano Almeida)
O governador Eduardo Riedel (PP) mandou um recado duro e direto ao setor produtivo e às comunidades tradicionais na manhã desta quinta-feira, 18 de junho, durante um evento internacional de agropecuária na sede da Famasul, em Campo Grande. Ao comentar o recente conflito entre indígenas Terena e produtores rurais em Sidrolândia, iniciado no último domingo (14), o chefe do Executivo sul-mato-grossense garantiu que o Estado vai agir com rigor e que "não vai tolerar nenhum tipo de desordem" decorrente de ocupações de terra.
De acordo com o Campo Grande News, Riedel defendeu enfaticamente o envio da Polícia Militar (PM) para a área de conflito, ressaltando o papel das forças estaduais na garantia da segurança jurídica e da propriedade. “Não tem um palmo de terra no estado de Mato Grosso do Sul onde o Estado não possa estar presente, garantindo ordem, a institucionalidade, o direito das pessoas”, cravou o governador. A declaração ocorre em meio a um momento sensível, já que a atuação da PM de MS em terras reivindicadas como indígenas é alvo de questionamento em uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2023.
Crime e desordem não se confundem com pauta fundiária
Para o governador, é fundamental separar a legítima discussão sobre demarcação de terras dos atos de violência registrados na tentativa de ocupação de duas fazendas em Sidrolândia. Riedel justificou a intervenção policial citando episódios de "depredação, furto, roubo qualificado e destruição de patrimônio privado". De acordo com ele, a PM agiu para recuperar os bens subtraídos e já está trabalhando no indiciamento dos envolvidos."Crime é crime, não interessa quem o faça, da maneira que o faça. O Estado não vai tolerar isso", disparou Riedel, apontando que as lideranças consideradas negativas dentro dos movimentos comunitários serão responsabilizadas legalmente.
O impasse de Sidrolândia e a busca por saída jurídica
O clima voltou a esquentar no interior do estado no domingo, quando o grupo Terena avançou sobre porções das fazendas São Sebastião e Água Clara. Ambas as propriedades ficam nos limites da Terra Indígena Buriti, um processo de demarcação que arrasta disputas na Justiça há mais de uma década. Embora os indígenas tenham recuado para as divisas após a mediação da Funai e do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a tensão na região permanece alta.
Buscando uma saída legal e pacífica, a assessoria jurídica dos indígenas recorreu diretamente ao STF nesta quarta-feira (17). O pedido protocolado sugere que a Suprema Corte paute uma proposta de indenização financeira aos fazendeiros para que as terras ancestrais sejam repassadas de forma regular, desatando o nó jurídico que paralisa a região.
Ao encerrar seu pronunciamento na Famasul, Riedel fez questão de destacar o respeito da administração estadual pelas oito etnias que moldaram a identidade cultural de Mato Grosso do Sul, mas reforçou que a palavra final precisa vir de Brasília. Segundo ele, o Executivo continuará mantendo a ordem com o braço policial enquanto atua politicamente no Congresso Nacional para construir o arcabouço legal e definitivo que encerre a guerra do campo no estado.
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