Artista aplica tinta nos degraus da escadaria do Porto Geral em Corumbá.
(Foto: Marcos Rezende)
A escadaria que conecta a Avenida General Rondon à região do Porto Geral, em Corumbá, já não passa despercebida. O conjunto de 126 degraus virou palco de uma intervenção artística que vem mudando a paisagem do centro histórico e atraindo a atenção de moradores e visitantes.
A transformação faz parte da programação do Festival América do Sul e começou a ganhar forma ao longo dos últimos dias, quando cores e figuras passaram a ocupar cada trecho da estrutura, tradicionalmente marcada pelo fluxo cotidiano de pedestres.
Responsável pela intervenção, o artista visual Marcos Rezende foi convidado para dar nova vida ao espaço. Ele descreve a experiência como um encontro direto com a história local e com o próprio patrimônio da cidade. “Se tratando de um patrimônio histórico nacional, eu fiquei muito honrado. É uma história muito rica essa região”
O trabalho, autorizado pelos órgãos de preservação, exigiu rotina intensa sob o clima típico da região pantaneira. Foram dias seguidos de pintura, começando cedo e avançando até o fim da tarde.
“Estou trabalhando das 6h da manhã às 18h, fazendo um intervalo para o almoço. E o sol aqui é tipo um raio laser, então a gente tem que dar um tempo”
Mais do que colorir os degraus, a proposta da obra é provocar o olhar de quem circula pelo local. As imagens se revelam de maneira diferente conforme o movimento de subida ou descida da escadaria. “Dependendo do ponto que a pessoa olha, ela começa a enxergar os bichos aparecendo na obra. A ideia era justamente fazer com que as pessoas parassem, observassem e descobrissem novos elementos no caminho”
Com a intervenção, o espaço começou a ganhar novo fluxo de curiosos e até de quem já não passava pela região há tempos. A escadaria virou ponto de parada.
“É uma alegria tão grande fazer esse tipo de arte urbana. São áreas geralmente muito cinzas e trabalhar com cor, trazer arte para a população... se a gente não vai ao museu, a gente traz para a população”
No meio da rotina acelerada da cidade, o artista defende que a arte urbana também funciona como pausa visual e emocional. “É muito satisfatório fazer parte do contexto urbano. Às vezes é um suspiro que a pessoa precisa no meio de um caos urbano.”
Durante o processo, Marcos diz ter acompanhado de perto a reação de quem passava pelo local, muitas vezes surpreso com a mudança gradual da paisagem. “Fiquei muito feliz com as respostas das pessoas, que falavam que o lugar ficou diferente, que não passavam ali há tanto tempo e agora querem voltar a frequentar.”
Para ele, o impacto da intervenção vai além da estética e alcança o campo da percepção e do bem-estar coletivo.
“Uma obra que traz cor ativa diversas áreas do cérebro, traz felicidade e contemplação. E todas as pessoas são atingidas pela arte.”
*Com informações do Campo Grande News.
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