Pavilhão das Artes no Festival América do Sul .
(Foto: Divulgação/FCMS)
O Centro de Convenções de Corumbá transformou-se no coração da identidade cultural do continente durante o Festival América do Sul (FAS 2026), encerrado neste domingo, 17 de maio. O pavilhão dedicado ao artesanato regional e sul-americano reuniu criadores de diversas partes do continente, do estado de Mato Grosso do Sul e de comunidades indígenas. O público encontrou no local peças exclusivas carregadas de história, técnicas ancestrais e o uso de matérias-primas típicas de cada território.
A valorização da ancestralidade foi uma das marcas mais fortes desta edição. Silvana Terena, responsável pelo setor de comercialização do artesanato indígena de Mato Grosso do Sul, destacou que a feira consolida uma conquista histórica para as etnias locais.

"Aqui é um espaço de protagonismo, de comercialização e de fortalecimento do nosso povo dentro dos festivais de Mato Grosso do Sul. A produção está aqui mais uma vez fortalecendo as etnias do estado dentro do Festival da América do Sul de 2026", pontuou Silvana.
A diversidade do artesanato local ganhou corpo sob a coordenação de Eliane Torres. O estande estadual exiboi uma infinidade de trabalhos manuais, vindos de vários municípios de Mato Grosso do Sul. São peças em cerâmica, cabaça, rendas e bordados criados por dezenas de profissionais. Para Eliane, o evento internacional cumpriu o papel essencial de dar vitrine e gerar renda para quem vive da arte.
A integração regional também garantiu que a vizinha Ladário mostrasse seu potencial criativo. A artesã Valéria Bajaroski, especialista na produção de bichos e bonecas de crochê (amigurumis), celebrou a continuidade da participação do município, que muitas vezes fica esquecido em outras agendas fechadas.
"Este é o segundo ano que estou expondo por Ladário. É muito importante que as pessoas conheçam e saibam que Ladário também tem artesanatos lindos, maravilhosos, que podem até inclusive ir para fora do país", relatou Valéria.

No setor destinado a Corumbá, a crocheteira Adriana Susan, integrante da Associação Pantanal Corumbá, também aposta nos amigurumis e tapetes para atrair o público. Ela defende um olhar mais sensível da população para o trabalho manual em detrimento dos produtos industriais. "É a oportunidade que a gente tem de mostrar que o nosso trabalho feito ponto a ponto, na mão, tem valor, criatividade e qualidade", defendeu.
Conexão internacional e a acolhida de Mato Grosso do Sul
No Espaço Países, a Colômbia foi representada pelo casal de artistas de rua Jefferson Morales Oviedo e Evellin Corrêa. Eles trouxeram para o festival uma coleção de artes indígenas em miçangas e esculturas místicas de elementos da natureza, como duendes, fadas e bruxas. Comandando uma rotina de viagens por todo o continente, os artesãos elogiaram a política cultural do estado.
"O MS é o estado mais cultural que a gente já participou e olha que viajamos muito por toda a América do Sul. É um dos únicos estados que nos abrem as portas dessa maneira, por isso ficamos muito felizes", declarou o casal.

A ascensão da moda autoral
O pavilhão do festival também abriu as portas para o vestuário e o design regional por meio do espaço Território dos Talentos, focado na moda autoral sul-mato-grossense. O estilista Luiz Gugliato, mente criativa por trás da marca Why Not By Gugliato, manifestou o orgulho de fazer parte da programação oficial do evento.
Gugliato ressaltou o impacto positivo das leis de incentivo e do apoio governamental e do Sistema S no setor. "A moda autoral é crescente no estado. Esse espaço dá uma grande visibilidade e eleva as nossas marcas. Hoje temos muitos estilistas, inclusive eu, levando o nome da nossa moda para grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Fortaleza", concluiu.
*Informações da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul
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