Túmulo aberto e depredado no Cemitério Santa Cruz.
(Foto: Enviada ao Capital do Pantanal)
O que deveria ser um local de oração e respeito tornou-se cenário de indignação em Corumbá. Famílias que visitam o Cemitério Santa Cruz, localizado na região central, relatam cenário com jazigos depredados, furtos constantes de placas de bronze e, em casos extremos, a exposição de restos mortais.
Mesmo vizinho à 1ª Delegacia de Polícia Civil, o cemitério não intimida criminosos. A entrada pela movimentada Rua Dom Aquino Correia contrasta com o abandono interno. Visitantes apontam que a falta de iluminação e a ausência de vigilância permanente transformaram o campo santo em abrigo para andarilhos e usuários de drogas.
De acordo com relatos colhidos pelo Capital do Pantanal, a manutenção básica também é precária, com mato alto obstruindo passagens e dificultando o acesso aos túmulos.
Roberta Souza, de 52 anos, vive um drama recorrente. Na última semana, ao visitar o túmulo do pai — sepultado desde 1992 —, encontrou a estrutura quebrada pela quinta vez. "Dessa vez foi mais doloroso. Pude ver seus restos mortais expostos. É uma indignação total com a falta de respeito", desabafa.
A situação de Roberta não é isolada. Segundo ela, parentes e amigos enfrentam o mesmo problema. "Não foi só o meu pai que teve a visita de saqueadores, minha sogra teve o mármore arrancado inteiro de sua lápide. No jazigo do meu sogro, por duas vezes, tinha pessoa acampada, com colchão lá dentro. Meus cunhados também tiveram todas as placas e até a porta do jazigo levada", relata.
la explica que conversou com funcionários no local — todos atenciosos e solícitos —, porém, sem medidas efetivas que possam contribuir com a situação. "Eles não são guardas, nem vigiais, os furtos devem acontecer principalmente à noite, quando o cemitério está fechado, sem vigilância e em total escuridão. Não há nada que possa dar o mínimo de segurança para coibir essas pessoas".
Roberta reivindica por mais cuidado e respeito com o local, ela considera que da maneira como está, o cemitério da cidade virou casa e abrigo de desocupados, onde qualquer pessoa entra e leva o que conseguir arrancar. As pessoas pisam, sujam, defecam, comem e dormem por cima dos túmulos.
"Hoje choro o enterro do meu pai pela segunda vez, vendo ele ali deitado, ao fundo do seu túmulo. E mais uma vez, tendo que refazer sua sepultura. As pessoas não perderam o amor e o respeito, pois isso se tem ou não tem... e aos que deveriam zelar pela segurança do local, lembrem-se que um dia estarão lá com seus entes queridos, entreguem a sorte de não serem os próximos profanados", encerra Roberta.
O Capital do Pantanal entrou em contato com a prefeitura municipal, mas até o fechamento dessa matéria não obteve retorno. O espaço continua aberto.
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