Segunda-feira, 25 de Maio de 2026
Dragagem no Paraguai

Chicão defende hidrovia como melhor alternativa para transporte da produção local

13 nov 2024 - 04h43   atualizado em 03/03/2026 às 09h31

Gesiane Sousa

Chicão defende hidrovia como melhor alternativa para transporte da produção local Hoje, devido a extrema baixa, transporte pela hidrovia do Rio Paraguai está prejudicada. (Foto: Divulgação/Ecoa)

As secas extremas que assolam a região de Corumbá e Ladário estão colocando em xeque a capacidade de empreender e manter atividades econômicas na área. Com níveis de água historicamente baixos no Rio Paraguai, o impacto econômico já é estimado em R$ 3 bilhões, afetando não só as empresas locais, mas a economia de uma maneira geral, inclusive os cofres públicos.

Além do baixo nível das águas do Rio Paraguai, a navegação tem sido severamente afetada pelo assoreamento, inviabilizando o transporte de produtos como minérios, fertilizantes e grãos. É uma situação que vem se agravando nos últimos anos e, preocupado com a situação, o vereador Chicão Vianna destacou na Câmara, que a saída mais viável, é a dragagem de trechos do rio.

“A navegação no Rio Paraguai, crucial para o transporte de mercadorias como minérios, fertilizantes e grãos, tem sido gravemente prejudicada pelo assoreamento e baixos índices de lâmina d'água. Esta situação dificulta a movimentação das barcaças e empurradores, resultando em atrasos e aumento de custos operacionais”, observou.

Conforme o vereador, as empresas de mineração e siderurgia, que dependem do transporte fluvial, estão enfrentando perdas financeiras significativas e um aumento na utilização de transporte rodoviário, elevando ainda mais os riscos e custos.

Chicão destaca que o decreto é uma forma de garantir o acesso a programas federais e estaduais para ações de resposta e recuperação contra a seca severa e as queimadas ocorridas nos últimos meses.Chicão destaca que o aumento do tráfego de caminhões na rodovia tem aumentando o número de acidentes. Foto: Divulgação  

“Como sabemos, nossa região não conta mais com a ferrovia, hoje sucateada, sem mínimas condições de atender as necessidades. Agora, estamos sofrendo com essa crise hídrica que afetou diretamente a hidrovia, por onde escoava grande parte da produção local, especialmente o minério. A alternativa é transportar pela rodovia, cuja estrutura não é adequada para atender a grande demanda”, continuou.

De fato, com o tráfego intenso de veículos de grande porte transportando minérios e outros produtos pela BR 262, tem causado sérios problemas, impactando diretamente no aumento dos índices de acidentes, principalmente com vítimas.

“Recuperar a rodovia, inclusive com a implantação de uma terceira via, é necessário e de forma urgente. Mas, todos sabemos que isso demanda um alto custo e se trata de um serviço de longo prazo. Como não temos a ferrovia, a solução é dragar o Rio Paraguai e viabilizar a hidrovia, para que nossos produtos possam ser transportados com segurança e a custos bem menores”, citou.

Volta da Ahipar

Por isso mesmo o vereador sugeriu a união de esforços de todos os vereadores e das autoridades locais, para lutar pelo retorno da Administração Hidroviária do Paraguai (AHIPAR) a Corumbá, bem como apoio do IBAMA, no sentido de viabilizar a dragagem em trechos do Paraguai, no sentido de viabilizar a navegação.

“Precisamos cobrar celeridade. Diante desse quadro, é imperativo que o Governo Federal através do IBAMA e DNIT, tomem medidas de mitigação e resolva o problema do assoreamento e garantir a manutenção da calha de navegação do Rio Paraguai”, argumentou lembrando que a intervenção no rio passa pelo crivo do IBAMA, e o retorno da AHIPAR está nas mãos do DNIT.

“A burocracia não pode perdurar e prejudicar o livre comércio entre os países do Mercosul. Os Tratados Internacionais da Bacia do Rio da Prata, está em vigor desde 14 de agosto de 1970, assinado em Brasília, no dia 23 de abril de 1969. A sustentabilidade econômica e a sobrevivência das comunidades de Corumbá e Ladário dependem de ações rápidas e eficazes para mitigar os impactos da crise climática”, enfatizou.

Crise econômica social

Continuando, Chicão Vianna alertou o fato de a crise hídrica ter um efeito cascata, impactando diversos setores. “Estou muito preocupado com a indústria do turismo que sofre com a redução do fluxo de visitantes, desestimulados pelas condições adversas do rio. A importação de combustíveis, ureia e fosfatos também enfrenta dificuldades, resultando nos custos operacionais mais altos que são repassados aos consumidores”, lamentou.

Vianna diz que além disso, a pecuária, um setor vital para a economia local, é duramente atingida. “O transporte de gado e produtos pecuários pelo Rio Paraguai é crucial, e qualquer interrupção pode ter consequências graves, incluindo o aumento do desemprego em Corumbá e Ladário. Estima-se que aproximadamente 12.100 empregos (3.850 diretos e 8.250 indiretos) estejam em risco devido à paralisação das atividades hidroviárias”.

Arrecadação em queda

A falta de manutenção da calha do Rio Paraguai não afeta somente as empresas. Resulta também em uma queda drástica na arrecadação de impostos. Estima-se que a perda anual de arrecadação chegue a R$ 891 milhões, incluindo PIS/COFINS, ICMS, IRPI/CSLL e CFEM. “Este cenário prejudica a capacidade dos governos federal, estadual e municipais de investir em infraestrutura e serviços públicos essenciais”, concluiu.

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