Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026
Troca de Equipes

"Salvava o caminhão ou a ponte", diz bombeiro sobre desafios do fogo no Pantanal

26 jun 2024 - 06h37   atualizado em 03/03/2026 às 09h30

Gesiane S. Lourenço

"Salvava o caminhão ou a ponte", diz bombeiro sobre desafios do fogo no Pantanal Quarenta militares voltaram para casa após 15 dias, enquanto outro grupo assume o combate aos incêndios. (Foto: Alex Machado)

Equipes do Corpo de Bombeiros que trocaram seus postos, na tarde desta terça-feira (25), já pensam em voltar a combater os incêndios ambientais que assolam o bioma pantaneiro. Hoje, um grupo de 40 militares fez a troca de ciclo depois de 15 dias de extenso trabalho no município de Corumbá, a 428 quilômetros de Campo Grande.

Esse foi o caso do sargento Elcio Matheus Barbosa, de 40 anos. À reportagem, ele contou que estava no seu segundo ciclo do ano. Natural de Nova Andradina, o militar deve chegar em casa por volta das 3h de quarta-feira (26). 

Voluntário especialista em incêndios, Elcio faz isso por amor à profissão. Classificou os últimos dias como ‘intensos, cansativos e desafiadores’ por conta das questões climáticas. Chegou a enfrentar ventos de 65 km/h no dia em que a ponte que liga a Estrada Parque até a MS-228 foi consumida pelas chamas. 

“Defendi todas as pontes, mas perdemos a batalha do dia. A equipe teve que priorizar, retirar o caminhão que estava no meio da área queimada. Pensamos que aquele veículo era tudo que a pessoa tinha. Até retirar ele do local não conseguimos evitar o fogo na ponte”, lamentou.

Nos últimos dias, o sargento chegou a ficar dias sem tomar banho para fazer combate das 5h às 21h, deixando até de almoçar. A parte mais triste, segundo ele, foi ver cobras e jacarés mortos. “Teve um momento que uma cobra saiu [da área de fogo] e ela não sabia o que fazer. Olhava para o fogo, olhava para a gente... Eu peguei um pedaço de madeira e joguei-a para longe", discorreu.

Bombeiros o dia em que perderam a batalha para o fogo no Ponte da da Estrada Parque. Foto: CBMS  

Jonas Pedro Teixeira, 32 anos, participou da instalação de uma das bases avançadas no mês passado, na barragem do São Lourenço, uma das mais remotas que o Corpo de Bombeiros já construiu. Para este ciclo confessa que viu os focos aumentarem muito e atuou em mais de cinco frentes. 

“É gratificante. O cansaço existe, mas sabemos que é tão importante estar na missão. Ficamos felizes de poder ver mais animais vivos do que mortos desta vez”, disse o militar que chegou a 22 horas seguidas de combate às chamas. 

Haviam apenas três mulheres neste ciclo. Uma delas era Marcelly Luany de Souza Oliveira, 31 de idade. Está há três anos seguidos atuando nos incêndios florestais do Pantanal. À reportagem, a militar destacou que a prioridade é salvar animais e propriedades. "A gente acompanha os fazendeiros contando as perdas. Por isso queremos salvar o maior número possível de vida e material. Mas infelizmente vimos algumas vacas mortas queimadas”. 

Outro militar, Eleandro Pereira, 41 de idade, ficou 31 dias seguidos em meio a fumaça densa. A caminho de Batayporã, destacou que ficou dois dias sem dormir para apagar o fogo. Contou com a ajuda de fazendeiros para emprestar maquinário e abrir aceiros, o que foi possível registrar uma família de veados campeiros usando o caminho entre a floresta para fugir da fumaça. 

"Mas ainda vi muitos animais mortos, como cobras afugentando. Sempre voltei e devo voltar de novo porque esse é o nosso Pantanal. A gente que veste a farda e vem uma vez, quer voltar de novo. É uma forma de ajudar", finalizou. 

Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal.

 

Leia Também

MPF investiga impactos de transporte de minério em Porto Esperança
Geral

MPF investiga impactos de transporte de minério em Porto Esperança

Brasileiro baleado na fronteira entre Bolívia e Corumbá morre após dois dias internado
Fronteira

Brasileiro baleado na fronteira entre Bolívia e Corumbá morre após dois dias internado

Brasil multa TikTok em R$ 153,7 mi por falhas em dados de adolescentes
Justiça

Brasil multa TikTok em R$ 153,7 mi por falhas em dados de adolescentes

Terça-feira terá calor e aumento de nuvens em Corumbá e Ladário
Tempo

Terça-feira terá calor e aumento de nuvens em Corumbá e Ladário

18ª Brigada promove encontro com imprensa e abre diálogo sobre atuação na região
Geral

18ª Brigada promove encontro com imprensa e abre diálogo sobre atuação na região

Homem de 47 anos desaparecido é encontrado morto em área de eucaliptos
Geral

Homem de 47 anos desaparecido é encontrado morto em área de eucaliptos

Mulher é socorrida com dedos presos em máquina de pastel em Corumbá
Bombeiros

Mulher é socorrida com dedos presos em máquina de pastel em Corumbá

Bombeiros arrombam porta para resgatar mulher com fêmur fraturado em Corumbá
Plantão

Bombeiros arrombam porta para resgatar mulher com fêmur fraturado em Corumbá

Segunda-feira de céu nublado e termômetros em elevação em Corumbá e Ladário
Tempo

Segunda-feira de céu nublado e termômetros em elevação em Corumbá e Ladário

Carro boliviano capota na fronteira e motorista é socorrida por populares
Plantão

Carro boliviano capota na fronteira e motorista é socorrida por populares

Mais Lidas

Casa na parte alta de Corumbá funcionava como base para o tráfico de drogas
Polícia

Casa na parte alta de Corumbá funcionava como base para o tráfico de drogas

Acusado de esfaquear mulher em Corumbá é capturado em fuga na MS 228
Polícia

Acusado de esfaquear mulher em Corumbá é capturado em fuga na MS 228

Show de Hugo & Guilherme e VH & Alexandre será realizado no estádio Arthur Marinho
Cultura

Show de Hugo & Guilherme e VH & Alexandre será realizado no estádio Arthur Marinho

Forças policiais e MPMS traçam estratégias de atuação integrada em Corumbá
Justiça

Forças policiais e MPMS traçam estratégias de atuação integrada em Corumbá