As minas da empresa localizadas em Corumbá mais que dobrou a produção de minério de 2020 para 2021.
(Divulgação)
A rotina de moradores de Porto Esperança, em Corumbá, passou a ser alvo de uma investigação do Ministério Público Federal (MPF). O órgão instaurou um Inquérito Civil para apurar possíveis impactos provocados pelo transporte de minério de ferro na comunidade, incluindo efeitos sobre a saúde da população e o meio ambiente.
A apuração começou após denúncias de moradores sobre o trânsito frequente de carretas utilizadas no transporte do minério. Segundo os relatos apresentados ao Ministério Público, os veículos circulam próximos às residências, levantam poeira durante a passagem e provocam ruído constante na comunidade.
Além das condições vivenciadas pelos moradores, o MPF deverá avaliar possíveis impactos sobre a água e áreas ambientais da região. O Rio Paraguai está entre os pontos que serão observados durante a investigação, que prevê vistoria técnica e a produção de estudos para identificar a existência e a dimensão dos possíveis danos.
A preocupação com os efeitos da circulação de veículos pesados já vinha sendo relatada por moradores de Porto Esperança. A melhoria do acesso ao distrito facilitou a chegada e a saída da comunidade, mas também passou a integrar a rota de caminhões ligados ao transporte de minério, aumentando o movimento de veículos pesados na região.
Em relatos feitos anteriormente, moradores chamaram atenção para a proximidade do tráfego com as casas e para os efeitos provocados pela passagem constante dos caminhões. A poeira levantada pelas carretas, segundo a comunidade, chega às residências e se deposita sobre objetos, roupas, alimentos e plantações. O barulho também aparece entre as principais queixas.
A relação entre a circulação dos veículos e os possíveis impactos ambientais e à saúde, no entanto, ainda será analisada. É justamente esse ponto que o novo procedimento deverá esclarecer, a partir da produção de provas e de avaliações técnicas.
Na área da saúde, a Secretaria Municipal de Saúde de Corumbá deverá encaminhar ao Ministério Público informações sobre atendimentos realizados a moradores de Porto Esperança desde dezembro de 2025. O levantamento inclui registros relacionados a problemas respiratórios e dermatológicos.
Entre os relatos apresentados na denúncia estão crises de asma, bronquite e rinite, além de irritações nos olhos e na pele, sangramentos nasais e dificuldades para dormir. As informações, no entanto, ainda serão analisadas e confrontadas com dados técnicos ao longo da investigação.
O procedimento envolve a LHG Mining Corumbá S.A., responsável pelas operações relacionadas ao transporte do minério até o Porto Gregório Curvo, na região de Porto Esperança. A empresa terá 15 dias úteis, após ser oficialmente notificada, para apresentar manifestação sobre os fatos investigados.
Em posicionamento encaminhado ao MPF, a LHG afirmou que mantém medidas permanentes para controlar a poeira nas operações, como a umectação das vias e o uso de um sistema fixo de aspersão. A empresa também informou que mantém diálogo com a comunidade e trabalha no aprimoramento das ações adotadas.
O novo inquérito se soma a outros procedimentos envolvendo a atuação da mineradora na região. Há uma investigação sobre possíveis irregularidades relacionadas ao licenciamento ambiental das atividades de lavra e escoamento e outra apuração, de natureza criminal, sobre possíveis impactos relacionados à poluição sonora e atmosférica em Porto Esperança.
A abertura do Inquérito Civil não significa que os danos relatados pelos moradores tenham sido comprovados. A partir das vistorias, estudos ambientais, dados de saúde e demais provas que serão reunidas, o MPF deverá avaliar o que ocorre na comunidade e se existem responsabilidades ou medidas necessárias para reduzir ou reparar eventuais impactos.
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