Sexta-feira, 11 de Setembro de 2026
Dados IBGE

Mais de um terço dos domicílios sul-mato-grossenses ainda não têm acesso a esgoto

17 jun 2023 - 06h35   atualizado em 03/03/2026 às 09h22

Gesiane S. Lourenço

Mais de um terço dos domicílios sul-mato-grossenses ainda não têm acesso a esgoto

O IBGE divulgou nesta sexta-feira (16) o estudo das Características gerais dos domicílios e dos moradores 2022, parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. As informações são de 2022 e em MS são comparáveis ao período de 2012 a 2019. Para os anos de 2020 e 2021, não houve a disponibilização de dados da pesquisa sobre esse tema em decorrência da pandemia de Covid-19, a redução da taxa de resposta da PNAD Contínua trouxe dificuldades para a mensuração de alguns indicadores deste módulo temático.

De 2012 a 2022, proporção de idosos na população sobe de 9,9% para 12,6% em Mato Grosso do Sul

Em 2022, a distribuição da população residente em Mato Grosso do Sul representa cerca de 1,51% da população brasileira. Estima-se pequeno aumento da participação do estado em relação a 2012, ano em que representava 1,26% da população do País (7o menor no ranking entre as UFs). Dentro da região Centro-Oeste, MS representa 16,67%.

A distribuição da população residente no estado por grupos etários mostra uma tendência de queda da proporção de pessoas abaixo de 30 anos de idade. Em 2012, essa estimativa se situou em 49,9%, passando para 43,3%, em 2022. Entre 2012 e 2022, destaca-se a queda da participação das pessoas de 10 a 13 anos (de 6,9% para 5,0%) e de 14 a 17 anos de idade (de 6,8% para 6,0%).

Conforme delineado nas projeções de população do IBGE, os grupos que compreendiam as pessoas de 18 a 19 anos, 20 a 24 anos e 25 a 29 anos de idade correspondiam, respectivamente, a 2,5%, 7,6% e 8,2% da população residente em 2022. Tais grupos também apresentaram variação negativa de sua participação na população residente no período.

A população de 30 anos ou mais de idade em MS registrou crescimento no período, atingindo 54,5%, em 2022 – estimativa maior que a de 2012 (47,9%). Em 2022, os grupos de 30 a 39 anos, 40 a 49 anos e de 50 a 59 anos correspondiam a 16,7%, 13,6% e 11,6% da população residente, respectivamente. A parcela das pessoas de 60 anos ou mais de idade representava 12,6% da população em 2022, frente à estimativa de 9,9% em 2012. Entre os idosos, destaca-se a expansão da participação das pessoas de 65 anos ou mais de idade, que atingiu 8,4% da população total em 2022.

As mulheres correspondiam a 50,4% da população do estado, em 2022, enquanto os homens totalizavam 49,6%. Em 2012, a população do sexo masculino era a maioria, representando 50,3%. Entre as Unidades da Federação (UFs), Mato Grosso do Sul tem o 12o menor percentual de mulheres, sendo o menor percentual registrado no Mato Grosso (48,9%) e o maior percentual, no Alagoas (52,3%).

A análise da estrutura etária da população residente com base na participação percentual de cada grupo etário por sexo, em 2012 e 2022, confirma o alargamento do topo e o estreitamento da base dessa estrutura, evidenciando a tendência de envelhecimento populacional. Conforme as estimativas de população, no período, houve redução dos percentuais de homens e mulheres em todas as faixas etárias até 34 anos, em contraste ao estimado crescimento observado em todas as demais faixas etárias acima de 34 anos, tanto para os homens quanto para as mulheres.

A população masculina apresenta padrão mais jovem que a feminina. Em 2022, para todos os grupos etários até 24 anos, os homens registraram estimativa superior à das mulheres em cada faixa. No grupo etário de 30 a 39 anos, os contingentes de homens e mulheres eram muito próximos, correspondendo, cada um, a 4,0% da população total. A partir dos 30 anos, no entanto, o percentual de mulheres era superior ao dos homens em todos os grupos de idade.

Como a mortalidade dos homens é maior que a das mulheres em cada grupo etário, a razão de sexo tende a diminuir com o aumento da idade. Entre a população idosa, observa-se maior concentração de mulheres. A razão de sexo calculada para a população de 60 anos ou mais de idade em MS indicou que existem, aproximadamente, 85 homens para cada 100 mulheres, enquanto a razão de sexo no Brasil foi de 78,8 homens para cada 100 mulheres.

As informações geradas pela PNAD Contínua mostram que, entre 2012 e 2022, a população que se declarava de cor ou raça branca no estado apresentou uma redução de 2,7 pontos percentuais em sua participação na população total, variando de 46,9%, em 2012, para 44,2%, em 2022. As pessoas que se declararam de cor ou raça preta (7,7%) registraram, em 2022, maior participação na população do que no início do período analisado (em 2012, essa estimativa era 6,4%). Já a população que se declarou de cor parda, passou de 44,5% em 2012 para 46,2% em 2022. 

15,7% dos domicílios de MS tinham apenas um morador em 2022

Em 2022, cerca de 15,7% das unidades domésticas sul-mato-grossenses tinham apenas um morador, 9o maior
percentual entre as UFs, e essa participação cresceu 1,6 ponto percentual frente a 2016 (14,1%). Entre as pessoas que moravam sozinhas, 44,9% tinham entre 30 e 59 anos e 39,9% eram idosos (60 anos ou mais).
Em 2022, o arranjo domiciliar mais frequente no estado, encontrado em 66,7% dos domicílios, era o nuclear (casal com ou sem filhos, inclusive adotivos, enteados ou de criação). São também nucleares as unidades domésticas monoparentais (com somente um dos pais morando com os filhos). Predominante em toda a série, a participação dos arranjos nucleares vem se reduzindo desde 2012, quando era encontrado em 68,9% dos domicílios de MS.

No estado, 89,1% dos domicílios tinham acesso à rede geral de abastecimento de água

Dos 74,1 milhões de domicílios brasileiros estimados pela PNAD Contínua em 2022, 98,1% (72,7 milhões) possuíam água canalizada. Os domicílios com acesso à rede geral de abastecimento de água correspondiam a 88,0% (65,2 milhões) do total de unidades domiciliares do país.

Em Mato Grosso do Sul, dos 980 mil domicílios particulares permanentes ocupados (DPPO) estimados pela pesquisa, todos possuíam acesso a água canalizada. Os domicílios com acesso à rede geral de abastecimento de água correspondiam a 89,1% (874 mil) do total de unidades domiciliares do estado.

Na análise por situação do domicílio, observa-se que, entre os 890 mil em situação urbana, 96,1% dispunham de acesso à rede geral de abastecimento de água, ao passo que, entre os 91 mil em situação rural, o percentual foi de 20,1%. Portanto, observa-se que a maior parte dos domicílios rurais recorria a outras formas de abastecimento de água, como: 65,9% por poço profundo ou artesiano; 6,5% por fonte ou nascente; e 5,5% por poço raso, freático ou cacimba.

Em MS, 57,3% dos domicílios tinham acesso ao esgotamento sanitário por rede geral ou fossa ligada à
rede 

Em 2022, os 980 mil DPPO de MS possuíam banheiro de uso exclusivo, e, em 57,3% deles, o escoamento do esgoto era feito pela rede geral ou fossa séptica ligada à rede geral. Em áreas urbanas, todos os DPPO dispunham de banheiro de uso exclusivo, e 62,2% deles tinham acesso à rede geral de esgotos. Por outro lado, entre os 91 mil em situação rural, apenas 7,7%, o escoamento do esgoto era feito pela rede geral ou fossa séptica ligada à rede geral. Na maior parte dos domicílios rurais, o escoamento era feito por fossa séptica não ligada à rede geral (52,7%) ou outro tipo (39,5%).

É importante salientar, no entanto, a diversidade observada nas áreas rurais existentes no País quanto a esses
aspectos: a cobertura de alguns serviços de saneamento básico é factível em áreas rurais no entorno de centros urbanos, enquanto em áreas mais isoladas ou com baixa densidade populacional pode ser necessária a busca por soluções localizadas ou individuais, como a instalação de fossas sépticas não ligadas à rede coletora e o uso de poços artesianos para o abastecimento de água. 

No Brasil, 98,2% dos DPPO possuíam banheiro de uso exclusivo, e, em 69,5%, o escoamento do esgoto era feito pela rede geral ou fossa séptica ligada à rede geral. A proporção de domicílios com acesso à rede geral de esgotos registrou diferenças regionais mais acentuadas: as Regiões Norte e Nordeste apresentaram as menores coberturas, com 31,1% e 50,1%, respectivamente; a Região Sudeste evidenciou a maior, com 89,1%; e as Regiões Sul e Centro-Oeste, por sua vez, alcançaram 69,8% e 61,2%, respectivamente.

Em 91,4% dos domicílios de MS, o lixo era coletado diretamente por serviços de limpeza 

O destino do lixo dos domicílios no Brasil é feito, principalmente, por meio de coleta direta por serviço de limpeza. Os dados da PNAD Contínua mostram que essa modalidade, além de ser a principal, vem aumentando gradativamente no país: de 82,7%, em 2016, para 84,3%, em 2019, alcançando 86,0%, em 2022.
Em Mato Grosso do sul, o lixo era coletado diretamente por serviços de limpeza em 91% dos DPPO do estado, em 2022. Esse número é maior do que o percentual observado em 2019 (87,8%). Entre 2016 e 2022, houve crescimento de 113 mil domicílios atendidos pela coleta direta do lixo. Além disso, em 2022, observa-se a coleta feita em caçamba de serviço de limpeza (1,3%), a queima do lixo na propriedade (5,7%) e outro destino (1,6%).

Disponibilidade de energia elétrica em tempo integral chega a 97,3% dos domicílios permanentes de MS
Em 2022, a energia elétrica chegava a 99,8% dos domicílios brasileiros, uma cobertura praticamente universal, fosse pela rede geral ou por fonte alternativa.

Em Mato Grosso do Sul, a cobertura de energia elétrica chegou a 100% dos DPPO, sendo que em 99,1% deles (972 mil) a energia elétrica vinha da rede geral e a sua disponibilidade era em tempo integral em 97,3% dos casos (954 mil). A cobertura de energia elétrica era de 99,8% em áreas urbanas e de 98,9% nas áreas rurais de MS. Nas áreas rurais, o percentual de domicílios com energia elétrica proveniente de rede geral em tempo integral era maior (97,7%) do que o observado nas áreas urbanas (97,1%).

MS tem retração de 9,2 pontos percentuais no número de domicílios próprios já pagos entre 2016 e 2022

Em 2022, a PNAD Contínua estimou em 74,1 milhões o número de domicílios particulares permanentes no país, dos quais 43,5% situados na Região Sudeste (32,3 milhões); 26,0%, na Região Nordeste (19,3 milhões); 15,0%, na Região Sul (11,1 milhões); 7,8%, na Região Centro-Oeste (5,8 milhões); e 7,6%, na Região Norte (5,7 milhões).

Ao classificar os domicílios particulares permanentes em casa ou apartamento ou habitação em casa de cômodos, cortiço ou cabeça de porco, observou-se no Mato Grosso do Sul, o predomínio de casas, que correspondiam a 96,1% (943 mil) do total de unidades domiciliares, os apartamentos totalizavam 3,7% (36 mil) e 0,2% viviam em habitação em casa de cômodos, cortiço ou cabeça de porco. Destaque para a modesta, mas significativa expansão do percentual de apartamentos no MS. No ano de 2016, eram 3,1%, passando para 3,4% em 2019 até chegar aos números atuais. Contudo, deve ser observado que, a partir de 2019, o tipo de habitação em casa de cômodos, cortiço ou cabeça de porco, surgiu com 0,5% e apresentou queda em 2022 (0,2%).

Entre 2016 e 2022, observou-se, em MS, uma contínua redução do percentual de domicílios próprios já pagos, que variaram de 59,3%, em 2016, para 51,9%, em 2019, e 51,1%, em 2022. Durante esse período, o percentual de domicílios alugados aumentou de 20,3%, em 2016, para 22,3%, em 2019, alcançando 23,7% em 2022. Houve um aumento entre os domicílios próprios ainda pagando, sendo que 8,2% viviam nessa condição em 2016, passando para 10,9% em 2019 e chegando a 12,1% em 2022. Foi observada, também, uma redução na percentagem de imóveis cedidos entre os anos de 2019 (14,7%) e 2022 (12,7%). No ranking entre as Unidades da Federação, MS tem a terceira menor porcentagem de domicílios próprios já pagos, com 51,1%, seguido por Goiás (50,7%) e pelo Distrito Federal (46,1%). No topo do ranking se encontram o estado do Maranhão (79,5%), o Amapá (79,3%) e o Piauí (79,0%).

90,3% dos domicílios permanentes sul-mato-grossenses possuem piso de cerâmica, lajota ou pedra 

A PNAD Contínua investigou as seguintes características do domicílio quanto aos materiais utilizados em sua construção: material usado nas paredes externas, material predominante na cobertura e material predominante no piso.

Em 89,7% dos domicílios sul-mato-grossenses (879 mil), as paredes externas eram construídas de alvenaria/taipa com revestimento. Os domicílios com paredes externas de alvenaria/taipa sem revestimento representavam 6,1% (59 mil); com paredes externas de madeira apropriada para construção (aparelhada), 4,0% (40 mil); e aqueles com outro material, como madeira aproveitada de tapumes e embalagens, 0,2% (2 mil). As UFs com maior porcentagem de paredes externas eram construídas de alvenaria/taipa com revestimento são, Rio Grande do Norte (96,3%), Distrito Federal (96,2%) e Goiás (95,2%). Em situação oposta estão os estados do Amapá (66,5%), Rondônia (62,8%) e o Acre (52,4%). O MS (89,7%) configurou a décima terceira posição nessa variável.

Em relação ao material predominante no piso, 90,3% (886 mil) dos domicílios de MS utilizavam o piso de cerâmica, lajota ou pedra. Em 9,2% (91 mil), predominava o piso de cimento, enquanto a madeira apropriada para construção era o material preponderante em 0,3% (3 mil). Outro material, incluindo madeira aproveitada de embalagens, tapumes ou andaimes, foi utilizado em 0,2% (1 mil) dos domicílios. Em relação a 2016, houve redução na proporção de domicílios com piso de cimento e aumento na proporção daqueles com piso de cerâmica, lajota ou pedra. Assim, MS passou de 83,9% de domicílios com material predominante no piso de cerâmica, lajota ou pedra, para 90,3% em 2022.

Em 2022 no MS, 69,2% (679 mil) dos domicílios possuíam telha sem laje de concreto como material predominante na cobertura; 26,7% (262 mil), telha com laje de concreto; 0,4% (4 mil), somente laje de concreto; e 3,6% (35 mil) utilizavam outro tipo de material. Apenas o estado de São Paulo (53,1%) apresentou mais de cinquenta por cento de telha com laje de concreto, sendo seguido, no ranking entre as UFs, pelo Rio de Janeiro (48,5%) e por Minas Gerais (47,7%). As menores porcentagens vieram do Piauí (5,4%), Roraima (5,1%) e Acre (2,6%). Mato Grosso do Sul configurou a oitava posição, com 26,7%, que representou um aumento de 3,9 pontos percentuais em comparação com o ano de 2016.

No estado, 99% dos domicílios tinham geladeira e 59,8% tinham carro

Em MS, dos 980 mil domicílios contabilizados pela PNAD, 971 mil (99%) tinham geladeira, 784 mil (80%) tinham máquina de lavar roupa (que lava e centrifuga), 587 mil (59,8%) tinham carro, 318 mil (32,4%) tinham motocicleta e em 201 mil (20,5%) ambos veículos estavam presentes. 

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