O nome da cidade tem origem na língua Tupi-guarani Curupah, que significa "lugar distante".
(Divulgação/PMC)
Corumbá é o município de Mato Grosso do Sul com maior extensão territorial e a principal cidade do bioma pantaneiro, por isso o título de Capital do Pantanal. São 64.438,363 km² para mais de 110 mil pessoas, de acordo com os últimos dados divulgados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O site Capital do Pantanal tem orgulho de ser pantaneiro e de levar como nome o título da cidade, que hoje celebra aniversário com show da dupla sertaneja Edson e Hudson, a partir das 23h, na Praça Generoso Ponce. Com entrada é gratuita.
No coração da América do Sul, a cidade já teve o terceiro maior porto da América Latina até a década de 1930. A cidade também foi centro da Guerra da Tríplice Aliança, também chamada de Guerra do Paraguai, (1864-1870). Em 1865, foi ocupada e destrída pelas tropas do presidente paraguaio Francisco Solano López. Cinco anos mais tarde, reconstruída sob o comando do coronel Antônio Maria Coelho.
O “lugar distante”, tradução do nome vindo do tupi guarani, tem muitos segredos desconhecidos. Uma cultura rica e antiga presente no tradicional São João e em outras datas comemorativas que merecem atenção.
O cururu e o siriri são duas práticas culturais permeadas de festa, alegria, elementos da geografia pantaneira e que hoje está praticamente restrito às pessoas mais velhas. Ambos trazem a música com a viola de cocho. A diferença entre os dois é vista na participação das mulheres, geralmente mais presente no siriri.
O historiador e professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Divino Marcos de Sena ressaltou que o cururu é “uma das manifestações culturais mais antigas da nossa região pantaneira. Ela envolve interesse tantos dos indígenas, também expressões dos africanos e dos europeus. É um produto sintético e híbrido da nossa raiz cultural brasileira”.
Ainda sobre o que é a prática, o professor conceituou que o “cururu é uma prática cultural permeada de dança, movimento e cantoria. Ele é utilizado tanto em festas profanas quanto religiosas. Em festas religiosas, é um momento de atração, são cantadas músicas em homenagem aos santos, geralmente relacionadas ao catolicismo”.
Ele realizou uma pesquisa em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para mapear os cururueiros e siririeros da região pantaneira. O mapeamento foi nas cidades de Corumbá e Ladário.
O objetivo da pesquisa feita entre outubro de 2018 e setembro de 2019, de acordo com o professor, é o de fazer a manutenção da cultura na região. Vale destacar que os praticantes dessa cultura se encontram em uma idade mais avançada, na zona rural e em “número reduzido”. O levantamento começou com base nos dados das secretarias de cultura de Ladário e Corumbá. “A partir disso, encontramos outros. Eles acabam tendo uma rede. Fomos até o local. Os dados foram repassados ao Iphan”.
Os resultados estão no artigo do professor Divino Marcos com o título ‘Cururueiros no Pantanal sul-mato-grossense em princípio do século XXI’. Foram identificadas 26 pessoas na região do pantanal. A maioria nasceu em Mato Grosso. Em Corumbá, são cinco pessoais naturais. Os outros são de Paconé (MT), Cuiabá, Barão de Melgaço (MT) e Várzea Grande (MT).
Essa cultura “conversa” com um período de um Brasil rural, conforme analisa o professor. “Nos espaços urbanos é quase impossível encontrar essas tradições. Há uma certa nostalgia por conta disso tudo”. O perfil dos atuais curureiros é de condição econômica muito baixa, trabalhando em serviços braçais ou no campo, e idosos que moram na zona rural. “Os mais jovens estão na faixa dos 55 anos”, completa Divino.
Os curureiros de Corumbá e Ladário, cultura rica da região, que hoje está restrita aos mais velhos. Foto: Divino Marcos de SenaA cultura do cururu e siriri é algo que passa de geração em geração. No entanto, a falta de interesse dos mais jovens fez com que ela se estagnasse. O artesão aposentado Sebastião de Souza Brandão, 78, que mora em Ladário, é uma das principais referências do estado quando falamos desse segmento.
Ele explica que a relação com o cururu começou desde quando era criança. “Desde que eu me entendi por gente, minha família toda era dessa cultura. Meu pai era cururueiro. Meus tios todos eram cururueiros”.
A importância do cururu para Sebastião é muito grande. Ele conta que até hoje não conseguiu parar e ainda pega encomendas de viola de cocho para fazer. Em entrevista, ele relatou que para o aniversário de Corumbá, tem várias ‘violinhas’ por entregar.
O cururu tem dois principais instrumentos para a prática, a viola de cocho e o ganzá (instrumento musical de percussão utilizado no samba e outros ritmos brasileiros). O siriri tem esses dois e o mocho.
Sebastião finaliza com a lembrança do auge dessa cultura e com a desesperança para o futuro. “cururu é mais na época do São João. Está acabando aquelas pessoas que conhecem o cururu, os jovens não estão muito interessados”.
Programação pelo 244 anos de Corumbá
Dia 21 (quarta-feira):
- Plantio de mudas de IPÊ pelo prefeito, ás 8h30, no canteiro da rua XV de Novembro
- Missa solene, às 9h, na Catedral Nossa Senhora da Candelária
- Desfile cívico-militar, às 15h, na Avenida General Rondon
- Show nacional da dupla Edson e Hudosn, ás 23h, na Praça Generoso Ponce
Dia 22 (quinta-feira):
- X Jornada Odontológica de Corumbá, às 8h, no auditório do Senac
- Apresentaçaõ Cultural na Ag. Portuária, às 14h, no Cais do Porto
Dia 23 (sexta-feira):
- X Jornada Odontológica de Corumbá, às 8h, no auditório do Senac
- 12ª Fetran MS, às 7h30, no auditório do Colégio Objetivo
Dia 25 (domingo):
- Recital com a pianista Eudóxia de Barros, às 19h30, na matriz Nossa Senhora da Candelária
Dia 30 (sexta-feira):
- Reinauguração do Museu Casa do Sr. Gabi com assinatura do FIC 2022, às 10h, na Casa do Sr. Gabi
* Com informações de pesquisa do CG News e da Assessoria de Imprensa da PMC
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