Adroaldo Hoffmann, administrador de duas granjas no estado, precisou abrir novos poços artesianos e contratar caminhões pipa para manter produção.
(Edemir Rodrigues)
Em função da falta de água que é essencial para criação de animais, assim como todo sistema de produção da avicultura, as granjas de aves do Estado tiveram que se reinventar para sobreviverem ao período de seca. Avicultores de Mato Grosso do Sul tiveram que abrir novos poços artesianos e até contratar caminhões pipas, em ações emergenciais por conta da estiagem.
Diante do preocupante cenário, o decreto de emergência do Governo do Estado, publicado no inicio da semana, ajuda o setor produtivo com ações estratégicas e ainda possibilita que eles acionem o seguro, parcelem financiamentos e renegociem dívidas.
O avicultor Adroaldo Hoffmann, que administra duas granjas da família em Campo Grande, relatou que o período de estiagem foi muito preocupante para sua produção, já que os poços artesianos da propriedade não tiveram água suficiente para demanda, tendo que abrir novos poços e até recorrer a contratação de caminhões pipa.
“Na produção avícola nós temos uma necessidade muito grande de ter água, não só para dar para os animais beberem, mas também para regular o ambiente dentro dos barracões. Em função da estiagem diminuiu demais a vazão de águas nos poços, por isso tivemos que furar poços semi-artesianos a toque de caixa, para poder evitar uma mortalidade das aves”, descreveu.
Hoffmann ressaltou que gastou R$ 50 mil não previstos para um novo poço semi artesiano de 110 metros de profundidade, mas que até ficar pronto, precisou pagar duas diárias de caminhões pipa em dezembro, com custo de R$ 1 mil por dia. “Foi uma alternativa emergencial, mas que é inviável para as granjas. O maior prejuízo é o medo de produzir e não dar a devida qualidade para produção. Tomamos todos os cuidados, mas precisamos de água”.
Ele elogiou o decreto de situação de emergência, que será uma ferramenta importante para produção. “Tudo que vier para ajudar o produtor é bem-vindo. Pode nos ajudar no sentido de financiamento, com juros mais atrativos, assim como novas linhas de crédito e até convênio para empresa que perfure poços, que garante nosso abastecimento de água.
As duas granjas possuem juntas por volta de 250 mil aves, que são vendidas aos frigoríficos de Sidrolândia, para depois seguirem por exportação para Europa. “Neste final do ano as chuvas foram menores e irregulares, por isso não suficientes”.
Momento crítico
Com 10 granjas na região de Sidrolândia, e uma produção de 220 mil aves, o produtor Antônio Marcatto, de 68 anos, contou que o momento mais crítico da estiagem foi no final de novembro, quando os poços começaram a baixar o nível e começou a faltar água para atender a demanda.
“A situação foi assustadora, não faltou água para os animais beberem, mas tivemos que regular o uso nebulização e sistema de resfriamento das placas evaporativas. Para as granjas a água é o nosso bem maior, se faltar cai o rendimento da produção”.
O avicultor relatou que em uma das granjas da família, teve que desalojar e transferir as aves devido a estiagem, tendo que contratar caminhões pipa. “Tivemos dificuldades para lavação e desinfecção da granja, pois o nosso poço (artesiano) reduziu em 75% a sua produção, caiu de 10 mil litros por hora, para 2,5 mil litros. Tivemos inclusive que abrir outro poço para garantir a demanda”.
Marcatto destacou que o decreto de emergência é benéfico para o setor e que toda ação de apoio é importante. “Não tenho dúvida que vai ajudar. Também sugerimos a abertura de uma linha de crédito subsidiada para perfuração de poços, ou uma empresa que atenda cada região para este serviço em caso de emergência”. Junto com as granjas da família, eles possuem uma produção de 700 mil aves e vão ampliar este ano para 1 milhão.
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