Os sabores de Mato Grosso do Sul receberam a maior avaliação dos visitantes estrangeiros
(Foto: Instituto Paulo Machado)
A gastronomia sul-mato-grossense foi a que mais agradou turistas estrangeiros que visitaram o Brasil em 2019. É o que aponta a Pesquisa Demanda Turística Internacional divulgada pelo Ministério do Turismo por meio da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Os sabores de Mato Grosso do Sul receberam a maior avaliação dos visitantes estrangeiros entre as unidades da federação com nota 8,8.
Referência nacional e internacional em cozinha pantaneira, o pesquisador e chef Paulo Machado avalia esse reconhecimento como mais uma conquista para a culinária regional. "Há oito anos faço um trabalho no Recanto Ecológico Rio da Prata e na Estância Mimosa e lá a gente vê o tanto que o turista fica feliz ao consumir produtos regionais, locais, lá das fazendas mesmo e as receitas pantaneiras clássicas: a sopa paraguaia, o macarrão de comitiva, o arroz carreteiro, o guisadinho de frango, o feijão gordo, os doces típicos de leite, de caju em calda, a chipa é sempre muito bem vinda, as frutas da estação como a bocaiúva e a guavira, enfim, essa gama de produtos que a gente tem no Pantanal, sem dúvida alguma deixam saudade para quem degusta", descreve.
Embaixador da gastronomia pantaneira, ele já visitou cerca de 15 países para participar de festivais, ministrar palestras, cursos e workshops, levando na mala os ingredientes principais para fazer as receitas típicas de Mato Grosso do Sul. Além disso, é autor do livro "Cozinha Pantaneira - Comitiva de Sabores", que reúne mais de 60 receitas divididas em capítulos que enaltecem a qualidade da gastronomia influenciada por diversas culturas.
Na mesma linha, o diretor presidente da Fundação de Turismo, Bruno Wendling, atribui a preferência do turista internacional à miscigenação cultural presente no Estado. “A gastronomia já vem sendo um dos principais motivadores na busca por destinos. Para Mato Grosso do Sul que tem na sua gastronomia pontos fortes como a mistura de culturas e sabores que compõem nosso cardápio, acaba sendo também um diferencial competitivo que estamos explorando cada vez mais”, avalia.
A análise se baseia nos principais destinos desse perfil de turista no Estado, que em sua maioria, prefere o turismo em áreas naturais com pouca aglomeração. “Em tempos normais, naturalmente, as pousadas pantaneiras têm 80% e Bonito 15% do turista estrangeiro”, afirma Wendling.
Ele também destaca a nota 9,1 no quesito hospitalidade que Mato Grosso do Sul divide com os estados de Alagoas, Paraná e Rio Grande do Norte. A média fica atrás apenas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul com 9,4 e 9,2, respectivamente.
Pandemia
Os dados e informações do setor turístico no Brasil, representam o quadro mais recente do setor antes da pandemia da Covid-19 e servirá como uma ferramenta para debate estratégico de elaboração de medidas e ações voltadas à retomada gradativa do mercado de modo geral.
Conforme o diretor da Fundtur, o turismo internacional é o que mais vai demorar a recuperar, e que o foco será o mercado interno. “Estimativa da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) é de que o mercado internacional só vai normalizar daqui a três ou quatro anos, enquanto o mercado doméstico, nos próximos 12 a 18 meses. A aposta de Mato Grosso do Sul para os próximos anos é focar muito no mercado nacional e regional. Inclusive já cresceu a procura pelos nossos destinos pelo próprio sul-mato-grossense”, afirma.
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