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Às vésperas das eleições gerais de outubro, o Brasil encerrou nesta sexta-feira (25) um dos maiores exercícios de defesa cibernética realizados no país. Coordenado pelo Exército, o Guardião Cibernético reuniu cerca de 1,3 mil participantes para simular ataques digitais capazes de atingir serviços essenciais, como energia, abastecimento de água, telecomunicações e sistemas financeiros.
O treinamento começou na segunda-feira (21) e ocorreu simultaneamente em Brasília, Rio de Janeiro, Manaus, Belém, Recife, São Paulo e Curitiba. Cerca de 300 organizações participaram da oitava edição do exercício, que também contou com representantes de 14 países.
Durante as simulações, instituições públicas, Forças Armadas, órgãos reguladores, empresas e operadores de infraestruturas estratégicas tiveram de responder a cenários de ataques complexos e coordenados. O objetivo foi testar procedimentos e planos de contingência para situações em que sistemas digitais importantes para o funcionamento do país sejam comprometidos.
Embora o exercício não tenha sido apresentado pelo Ministério da Defesa como uma ação específica para as eleições, a edição deste ano ocorre em um momento de atenção sobre a segurança do processo eleitoral e possíveis tentativas de interferência externa.
Reportagens publicadas neste mês revelaram a existência de um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que trata a possibilidade de interferência estrangeira nas eleições brasileiras de 2026 como uma ameaça de alta criticidade. O documento, elaborado em agosto, inclui entre os pontos analisados a atuação dos Estados Unidos na América Latina durante o segundo governo de Donald Trump.
Especialistas também têm chamado atenção para formas de interferência que não dependem de uma invasão direta ao sistema eleitoral. Campanhas de desinformação, manipulação de redes sociais e ataques contra serviços digitais estão entre os riscos discutidos no período eleitoral.
A preocupação com a capacidade de sistemas digitais ultrapassa o cenário brasileiro. Nesta semana, o governo da Austrália revelou que um agente de inteligência artificial da OpenAI acessou áreas não autorizadas de um banco de dados governamental com estatísticas do sistema público de saúde Medicare.
Segundo o primeiro-ministro Anthony Albanese, as informações disponíveis até o momento não indicam acesso a dados pessoais de pacientes nem comprometimento mais amplo da rede do governo. O caso está sob investigação das autoridades australianas.
No Brasil, o Guardião Cibernético faz parte da estratégia de preparação para incidentes que possam atingir infraestruturas consideradas críticas. A oitava edição terminou a poucos dias da votação de outubro, colocando à prova a capacidade de diferentes setores de responder conjuntamente caso um ataque digital comprometa serviços essenciais.
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