Uma visita técnica nos 12 quilômetros do Canal Tamengo, entre Corumbá e Puerto Quijarro, será realizada em setembro para avaliar a situação.
(Foto: Divulgação/Sanesul)
Os municípios bolivianos de Puerto Quijarro, Puerto Suárez e El Carmen Rivero Tórrez, na província de Germán Busch, fronteira com Corumbá, retomaram a atuação conjunta para impulsionar a economia da região. A iniciativa, anunciada nesta semana, prevê esforços para ampliar o comércio exterior, atrair indústrias e fortalecer as atividades portuárias ligadas ao Canal Tamengo, importante acesso da Bolívia à Hidrovia Paraguai-Paraná.
A articulação ocorre com a reativação da Mancomunidade de Municípios Pantaneiros, associação que reúne as três administrações municipais em torno de interesses comuns. Segundo informações publicadas nesta terça-feira (6) pelo jornal boliviano El Deber, uma das principais prioridades é conseguir a aprovação de uma lei nacional que transforme a província de Germán Busch em uma Zona Econômica Especial de Desenvolvimento (ZEED-GB).
A proposta busca criar condições mais favoráveis para a instalação de empresas, com incentivos econômicos e fiscais destinados a estimular a produção, a geração de empregos e a circulação de mercadorias. Em setembro, os governos municipais de Puerto Quijarro e Puerto Suárez já haviam aprovado leis de apoio à iniciativa, mas a criação da zona econômica ainda depende de decisões do governo nacional boliviano.
Cada município apresenta possibilidades diferentes de desenvolvimento. Em Puerto Quijarro, vizinha de Corumbá, as discussões envolvem a ampliação das operações portuárias, a instalação de lojas livres de impostos e o fortalecimento do comércio e do turismo. Puerto Suárez concentra propostas relacionadas à produção industrial, à agricultura e à logística, enquanto El Carmen Rivero Tórrez busca ampliar sua atuação na agroindústria, especialmente na pecuária e no processamento de produtos agrícolas.
O Canal Tamengo ocupa uma posição importante nessa articulação. A ligação fluvial permite que embarcações bolivianas alcancem o rio Paraguai e transportem cargas para mercados internacionais. Por se tratar de uma região de águas compartilhadas, a navegação também depende da cooperação entre Brasil e Bolívia. Em julho de 2025, representantes dos dois países se reuniram em Corumbá para discutir obstáculos à passagem de embarcações, condições ambientais e melhorias no transporte de cargas.
Para a fronteira brasileira, o avanço das propostas merece atenção pela relação comercial entre Corumbá, Ladário e as cidades bolivianas. Mudanças nas condições de investimento, no funcionamento dos portos e na circulação de mercadorias poderão repercutir na dinâmica econômica regional. Por enquanto, porém, não há medidas concretas anunciadas que alterem as regras comerciais ou tributárias entre os dois países.
A nova direção da Mancomunidade será presidida pela prefeita de Puerto Suárez, María René Hoyos Medina, com participação da prefeita de El Carmen Rivero Tórrez, Silvia Aguilera Ibáñez, e do prefeito de Puerto Quijarro, Sócrates Antelo Francoso. A associação pretende reunir as demandas dos municípios e buscar apoio para os projetos junto às autoridades bolivianas.
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