Carne bovina obteve crescimento de 43,7% no acumulado do ano, porém, o tarifaço dos EUA já refletiu em 61% de queda nas exportações de MS para o mercado norte-americano.
(Foto: Divulgação/Semadesc)
A carne bovina produzida em Mato Grosso do Sul e destinada à China passou a enfrentar uma tarifa total de 67% desde quinta-feira (1º), depois que o Brasil esgotou a cota anual de exportação estabelecida pelo governo chinês para 2026.
O limite brasileiro era de 1,106 milhão de toneladas e foi atingido em 29 de setembro. Com isso, os novos volumes que entrarem no mercado chinês acima da cota passam a pagar uma sobretaxa de 55%, somada à tarifa regular de importação de 12%.
A medida não foi direcionada especificamente ao Brasil ou a Mato Grosso do Sul. A China adotou o sistema de cotas para diferentes países fornecedores de carne bovina como forma de proteger a produção doméstica diante do aumento das importações. No caso brasileiro, porém, o impacto ganha peso pela forte presença da China entre os compradores da proteína produzida no país.
O reflexo da limitação já vinha aparecendo antes mesmo de a cota ser completamente preenchida. Com a aproximação do teto, frigoríficos reduziram o ritmo de vendas ao mercado chinês e buscaram ampliar os embarques para outros destinos. Em agosto, as exportações brasileiras de carne bovina recuaram 27,1% em volume na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Em Mato Grosso do Sul, a Famasul acompanha os possíveis efeitos da nova tributação sobre as exportações, a demanda dos frigoríficos e os preços ao longo da cadeia pecuária. A avaliação é de que a diversificação de compradores pode ajudar a absorver parte dos efeitos da restrição, embora o mercado chinês continue tendo peso significativo para o setor.
A preocupação agora também se volta para 2027. A China ampliará a cota brasileira para 1,128 milhão de toneladas, apenas 22 mil toneladas acima do limite deste ano. Representantes da indústria calculam que, mantido o ritmo de vendas, esse volume pode ser alcançado já entre março e abril.
Diante disso, frigoríficos discutem antecipar abates e embarques ainda neste ano para que as cargas cheguem à China a partir de janeiro e possam utilizar a nova cota. A viagem marítima entre Brasil e China leva, em média, de 40 a 45 dias.
A sobretaxa permanece sobre o volume que ultrapassar o limite estabelecido. O Ministério da Agricultura informou que o tema segue em negociação com as autoridades chinesas.
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