Reunião entre chanceleres reabre debates sobre Itaipu e acelera obras-chave para logística sul-mato-grossense.
(Foto: Ministério dos Portos e Aeroportos)
Brasil e Paraguai voltam à mesa de negociação na primeira quinzena de dezembro para discutir a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu. A retomada das conversas foi confirmada após o encontro, nesta segunda-feira (17), entre o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e o paraguaio Rubén Ramírez Lezcano, conforme nota conjunta divulgada pela Agência Brasil.
Além da pauta energética, a reunião tratou de um tema sensível: o relatório confidencial entregue pelo governo brasileiro ao Paraguai sobre operações da Abin em território paraguaio entre 2022 e 2023. Após receber as explicações, o governo paraguaio considerou o assunto “encerrado”.
Para Mato Grosso do Sul, o ponto mais decisivo do encontro aparece no pacote de infraestrutura. Os dois países indicaram que pretendem acelerar negociações e articular visitas presidenciais voltadas a projetos logísticos, entre eles dois que têm impacto direto na economia sul-mato-grossense: o Corredor Bioceânico e a Hidrovia Paraguai-Paraná.
O Corredor Bioceânico, rota que conecta Brasil, Paraguai, Argentina e Chile aos portos do Pacífico, voltou a ser tratado como prioridade. A obra é vista como crucial para reduzir custos de transporte, encurtar rotas de exportação e ampliar a competitividade de grãos, carnes e cargas industriais produzidas no Estado.
A Hidrovia Paraguai-Paraná também ganhou espaço central nas conversas. O trecho de 600 quilômetros entre Corumbá e a foz do rio Apa, em Porto Murtinho, justamente a área onde Mato Grosso do Sul concentra operações portuárias, deve receber intervenções previstas no projeto. Entre as ações planejadas para os primeiros cinco anos estão dragagem, derrocagem, balizamento, sinalização, construção de estruturas de apoio e implantação de sistemas de gestão do tráfego hidroviário. O objetivo é elevar a eficiência logística, reduzir emissões e impulsionar o desenvolvimento sustentável das cidades ribeirinhas.
Os chanceleres ainda discutiram cooperação em segurança pública, com foco no combate ao tráfico de drogas, armas e pessoas, além de coordenação em defesa e ações militares conjuntas. Também entraram na pauta parcerias nas áreas de energia, etanol, biomassa, intercâmbio educacional e acadêmico, alimentação escolar, agricultura familiar e estatística pública.
Brasil e Paraguai seguem alinhando as datas para futuras visitas dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Santiago Peña, que deverão aprofundar os acordos em andamento.
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