Valter Júnior, produtor e organizador do evento, durante entrevista ao Campo Grande News no local do evento.
(Foto: Osmar Veiga)
“Sigo acreditando na nossa cidade e tenho certeza de que demos um pequeno, mas um importante, passo”. A frase em tom de desabafo é do empresário Valter Júnior, dono da Santo Show, responsável pela organização do show do Guns N’ Roses em Campo Grande.
O empresário fez postagem nas redes sociais na tarde desta sexta-feira (10) após uma enxurrada de críticas à logística para a chegada ao Autódromo Internacional, que gerou congestionamentos quilométricos de cerca de cinco horas e reclamações do público que não conseguiu acessar o local do evento a tempo de assistir à banda internacional.
“Não se trata de uma nota oficial, mas sim de um posicionamento pessoal”, começa o texto.
Valter Júnior afirma que passou meses trabalhando no planejamento do show e que teve várias reuniões com a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e outros órgãos de trânsito para tratar do acesso ao local do show, porém nesta quinta-feira (9) enfrentou problemas que estavam fora de seu alcance. “Foram meses de planejamento, diversas reuniões junto à PRF e aos órgãos reguladores, buscando organizar tudo da melhor forma possível. Ainda assim, enfrentamos dificuldades em relação a fatores externos, sobre os quais não temos autonomia, como a grande quantidade de ambulantes e estacionamentos clandestinos ao longo da rodovia.”
O empresário fala sobre o comportamento do público. Em grandes festivais de rock e outros megaeventos país afora, é comum assistir cenas de fãs deslocando-se com bastante antecedência e ainda assim, enfrentando filas e outros “perrengues”. “Reforçamos a comunicação com o público, pedimos, e quase imploramos, para que chegassem mais cedo, justamente por se tratar de uma experiência inédita para a nossa cidade. Inclusive, conseguimos segurar a banda por 1h30 para permitir que o maior número possível de pessoas acessasse a área do evento”.
Por fim, o empresário afirma que dentro da estrutura montada para o show “tudo aconteceu de forma impecável”. “Quem esteve presente pôde viver um momento único”, conclui.
Nota oficial
Mais cedo, a Santo Show divulgou nota oficial se posicionando. Afirmou que não houve falta de planejamento, mas que o evento expôs limitações estruturais da cidade, especialmente na mobilidade. O congestionamento foi atribuído à capacidade insuficiente da via para receber simultaneamente 35 mil pessoas.
A empresa destacou que o evento foi planejado por três meses com participação de órgãos públicos e que todas as exigências foram cumpridas. Também ressaltou que não tem competência para intervir em rodovias e que o problema evidencia a necessidade de investimentos em infraestrutura urbana.
Apesar dos transtornos, o evento teria gerado impacto econômico superior a R$ 33 milhões, alta ocupação hoteleira e cerca de 1,5 mil empregos temporários.
Já a PRF (Polícia Rodoviária Federal) atribuiu o caos a falhas operacionais da organização, como acesso limitado aos estacionamentos, uso de QR Code na entrada, atraso na abertura e falta de sinalização adequada.
Fonte: Campo Grande News
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