Jovens da etnia terena em apresentação de dança típica.
(Matheus Carvalho/SEC)
O Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul lançou na quarta-feira, 15 de abril, o Painel Povos Originários. A ferramenta é gratuita e oferece um raio-X detalhado sobre a realidade dos povos indígenas em todo o estado, utilizando dados do Censo 2022 (IBGE) e da Funai.
O objetivo da iniciativa é dar visibilidade à diversidade cultural e fortalecer políticas públicas. “O propósito é contribuir para o reconhecimento das especificidades históricas desses povos e para o fortalecimento de políticas mais justas e direcionadas”, destaca o coordenador do Observatório, professor Samuel Leite de Oliveira.

Raio-X dos Povos Originários em MS
Mato Grosso do Sul possui a terceira maior população indígena do Brasil, com 116.469 pessoas (6,9% do total nacional). O painel revela dados cruciais sobre a distribuição e o perfil desse grupo:
- Território e Etnia: O estado abriga 139 etnias e registra 48 línguas indígenas faladas. Embora 59% da população indígena viva em terras demarcadas, a maior concentração de domicílios está em áreas urbanas ou fora dessas terras, como ocorre em Campo Grande.
- Educação: A taxa de alfabetização chega a 97,9% entre jovens de 15 a 17 anos. O painel também destaca o avanço acadêmico: dos indígenas que concluíram o ensino médio, 2,4 mil chegaram ao ensino superior, com registros de pós-graduação, incluindo mestrado e doutorado.
- Moradia e Saneamento: Um dos pontos de atenção é a infraestrutura. O levantamento aponta que 66,2% das residências indígenas ainda não possuem acesso a esgotamento sanitário e 23,98% carecem de instalações sanitárias adequadas.

Destaques Regionais
A plataforma permite consultar dados específicos de cada um dos 79 municípios. Campo Grande lidera em número de etnias (92) e domicílios indígenas, enquanto Amambai possui a maior quantidade de moradias dentro de terras indígenas. Cidades como Dourados, Aquidauana e Miranda também aparecem entre as maiores concentrações populacionais.
O Painel Povos Originários estará disponível para consulta pública, servindo como uma ferramenta essencial para pesquisadores, gestores públicos e a sociedade civil interessada na causa indígena.
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