Agente da Polícia federal cumprindo mandado de busca e apreensão em Corumbá.
(Foto: Arquivo/PF)
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira, 28 de julho, a Operação Carga Secreta para desarticular uma organização criminosa especializada no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro com forte atuação na região de fronteira. Durante a ação, os agentes federais cumpriram seis mandados de busca e apreensão em Corumbá, mirando os operadores financeiros e a estrutura logística do grupo.
O esquema criminoso começou a ser desmantelado em 2024, logo após a interceptação de um veículo que transportava cargas de maconha e cocaína ocultas em fundos falsos. A partir dos materiais apreendidos naquela ocasião, os investigadores da Polícia Federal conseguiram rastrear comunicações e tratativas diretas entre os integrantes da quadrilha, revelando como funcionava o rateio e o custeio do transporte interestadual dos entorpecentes.
Com o aprofundamento do caso, o cruzamento de dados bancários e os Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) emitidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) expuseram a verdadeira engenharia financeira do grupo. Os alvos da operação movimentavam quantias milionárias completamente incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelas pessoas físicas envolvidas.
Empresas de fachada e depósitos pulverizados
De acordo com a investigação, para internalizar o dinheiro do tráfico no mercado legal, a organização criminosa estabeleceu uma rede estruturada baseada em fraudes financeiras. A Polícia Federal identificou o uso recorrente de:
- Empresas de fachada: Negócios fictícios criados exclusivamente para simular atividades comerciais legítimas.
- Laranjas: Utilização de interpostas pessoas para registrar bens e contas bancárias, escondendo os reais chefes do esquema.
- Transações fracionadas: Movimentações de pequenos valores em curtos intervalos de tempo e depósitos pulverizados em várias contas para burlar os sistemas de alerta dos bancos oficiais.
Toda essa engrenagem de ocultação patrimonial servia para mascarar o lucro obtido com o envio de drogas a partir da fronteira pantaneira. O material apreendido nos endereços em Corumbá passará por auditoria e análise pericial para identificar outros integrantes da rede e mapear o patrimônio acumulado ilegalmente pela organização.
Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal
Leia Também
DENAR apreende 10 kg de haxixe em transportadora de Campo Grande
Maior ofensiva contra maconha é lançada na fronteira
Transportadoras acionam o MPF por carga de madeira retida em Corumbá
Inteligência fiscal e policial fecham o cerco nas fronteiras de MS
Mulher morre em lancha no rio Paraguai e família cobra respostas
Avião ligado a empresário de MS é citado em apreensão de ouro ilegal na Bolívia
Comandante da PM detalha ação que terminou com morte em Corumbá
ROMU recebe treinamento com armas longas em Corumbá
PF investiga origem de falsa denúncia sobre apreensão de cocaína em madeira