Equipes do Gaeco em cumprimento de mandados em Água Clara.
(Foto: Portal Mídia Clara)
O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu novos mandados de busca e apreensão na manhã desta segunda-feira, 14 de setembro, no município de Água Clara, localizada a cerca de 615 quilômetros de Corumbá. A ofensiva, que contou com o apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar, teve como alvo endereços ligados a ex-gestores e empresários já envolvidos em investigações sobre desvios em contratos públicos.
Alvos e o esquema de R$ 10 milhões
As ordens judiciais atingiram figuras centrais de investigações anteriores, incluindo Denise Medis (ex-secretária municipal de Finanças), a ex-secretária municipal de Educação, uma servidora pública e um empresário do setor de alimentos.
A ação desta manhã decorre dos desdobramentos da Operação Malebolge, deflagrada originalmente em fevereiro de 2025. O Ministério Público apura um esquema coordenado entre agentes públicos e empresários para fraudar licitações, favorecer fornecedores e acelerar pagamentos nas áreas de educação de Água Clara e Rochedo. O prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa os R$ 10 milhões.
As fraudes incluíam a emissão de notas fiscais frias (sem a entrega correspondente dos produtos), falsificação de atestados de recebimento e o fornecimento de mercadorias em quantidade inferior à contratada.
Suspeita de propina na merenda escolar
Um dos focos da apuração do Ministério Público detalha a conduta da servidora Ana Carla Benette, que atuava na Secretaria Municipal de Educação. Segundo as investigações, ela teria solicitado R$ 15 mil em propina a um fornecedor após a emissão de uma nota fiscal de R$ 200 mil destinada à merenda escolar.
Ainda conforme o órgão de controle, Ana Carla teria cobrado outros R$ 8 mil que seriam repassados à então secretária de Finanças, Denise Medis. Para viabilizar desvios financeiros, a servidora também teria orientado o empresário a entregar menos alimentos do que o previsto no contrato. O Ministério Público ressalta que todas as condutas estão em fase de apuração e não representam condenação definitiva.
Tramitação na Justiça Federal e posicionamento do município
Devido à presença de verbas federais nos contratos suspeitos — em especial recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) —, o processo foi transferido da esfera estadual para a Justice Federal em Três Lagoas ainda em 2025. Os mandados executados hoje ocorrem sob sigilo judicial e o Ministério Público deve esclarecer nos próximos dias se a ação constitui formalmente uma nova fase ostensiva da Malebolge.
Procurada pela reportagem, a prefeita Gerolina Alves declarou que não teve conhecimento prévio sobre o teor da ação e garantiu que nenhum mandado foi cumprido dentro do prédio da Prefeitura Municipal. As equipes do Gaeco e do Choque deixaram a cidade após o término das buscas em endereços privados.
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