As minas da empresa localizadas em Corumbá mais que dobrou a produção de minério de 2020 para 2021.
(Divulgação)
A mineração ganhou espaço na economia de Mato Grosso do Sul nas últimas duas décadas, com avanço nas exportações, na geração de receita e no número de trabalhadores empregados pelo setor. O movimento é puxado principalmente pelo minério de ferro e manganês e tem reflexo direto em Corumbá, que concentra mais da metade da arrecadação de royalties minerais do Estado.
Em 2025, Corumbá recebeu R$ 28,16 milhões por meio da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), o equivalente a 56,8% de toda a arrecadação mineral de Mato Grosso do Sul naquele ano, segundo dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). Somado a Ladário, que arrecadou R$ 8,16 milhões, o Pantanal concentrou mais de 73% dos royalties da mineração no Estado.
O cenário local acompanha uma expansão registrada em Mato Grosso do Sul. Entre 2006 e 2025, o volume de minério de ferro e manganês enviado ao exterior mais que triplicou, passando de 2,89 milhões para 9,19 milhões de toneladas. A receita com essas exportações saiu de US$ 98,5 milhões para US$ 436,5 milhões no período, conforme levantamento do Observatório da Indústria da Fiems.
A presença de Corumbá também aparece nos embarques pelo Rio Paraguai. Dados da Semadesc mostram que, somente no primeiro semestre de 2025, o porto do município movimentou US$ 197,6 milhões em produtos destinados ao exterior. Desse total, US$ 182,8 milhões vieram do minério de ferro e seus concentrados, com 3,82 milhões de toneladas embarcadas.
O avanço da atividade foi acompanhado pelo aumento do número de trabalhadores formais. Em Mato Grosso do Sul, o setor empregava 942 pessoas em 2006 e chegou a 2.825 em 2026, quase três vezes mais. Já o valor bruto da produção mineral passou de R$ 311,1 milhões para R$ 2,44 bilhões no período analisado. Em Corumbá, o valor da produção das mineradoras instaladas no município chegou a aproximadamente R$ 1,43 bilhão em 2024, também segundo levantamento da Semadesc.
Para o economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende, os números acompanham uma expansão da produção mineral no Estado, que atualmente supera 10 milhões de toneladas por ano.
“Houve uma expansão muito importante da atividade mineral nos últimos anos”, afirmou.
Mesmo com esse crescimento, Resende avalia que a mineração ainda aparece menos do que outras atividades tradicionalmente associadas à economia de Mato Grosso do Sul. “Muitas vezes as pessoas se esquecem, mas Mato Grosso do Sul também é um estado minerador”, disse.
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