Profissional da saúde aferindo a pressão arterial de paciente.
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Mato Grosso do Sul registrou aumento nas mortes fetais e de crianças menores de um ano entre maio e agosto de 2026. Dados preliminares apresentados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) mostram que, juntos, os dois grupos passaram de 176 óbitos no mesmo período de 2025 para 216 neste ano.
O crescimento foi de 25,3% entre os óbitos fetais, que ocorrem ainda durante a gestação, e de 20,6% entre crianças com menos de um ano. Entre as mortes infantis, cerca de 70% aconteceram no período neonatal, que compreende os primeiros 28 dias de vida. Os números fazem parte do relatório apresentado pela SES à Assembleia Legislativa nesta quinta-feira (1º).
A própria Secretaria reconhece fragilidades na assistência e aponta que parte dessas mortes poderia ser evitada com melhoria do acompanhamento pré-natal, qualificação das equipes e ampliação da estrutura disponível para gestantes e recém-nascidos. Entre as causas evitáveis aparecem problemas desenvolvidos no período próximo ao nascimento, asfixia, infecções bacterianas neonatais, pneumonias e doenças diarreicas.
O cenário não começou neste quadrimestre. O boletim epidemiológico estadual divulgado anteriormente mostra que Mato Grosso do Sul terminou 2025 com taxa de mortalidade infantil de 12,95 mortes para cada mil nascidos vivos. O componente neonatal já concentrava a maior parcela dos casos, com taxa de 7,58 por mil, acima da meta brasileira vinculada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, de chegar a no máximo cinco mortes neonatais por mil nascidos vivos até 2030.
O levantamento também ajuda a mostrar que quantidade de consultas, sozinha, não resolve o problema. Em 2025, mais da metade das mulheres analisadas nos casos de morte materna havia realizado sete ou mais consultas de pré-natal. Mesmo assim, a SES identificou dificuldades na continuidade do acompanhamento, principalmente nas últimas semanas da gestação, além de problemas na qualidade da assistência.
No recorte territorial apresentado no relatório mais recente, Corumbá aparece ao lado de Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Ponta Porã entre os municípios com maiores números absolutos de mortes infantis. A SES pondera, porém, que esses números não podem ser interpretados isoladamente como maior risco para quem mora nessas cidades, porque elas têm populações diferentes e algumas funcionam como referência para pacientes de outros municípios.
Esse ponto ganha peso em Corumbá diante da estrutura regional de atendimento materno-infantil. O município tem prevista uma nova maternidade pública de porte II, com investimento estimado em quase R$ 75 milhões. O projeto prevê atendimento de média e alta complexidade, UTI neonatal, cuidados intermediários e estrutura para gestantes de alto risco, com capacidade projetada entre 101 e 150 leitos.
Mato Grosso do Sul também está implantando a Rede Alyne, que reorganiza a assistência desde o pré-natal até o acompanhamento após o nascimento. Entre as medidas previstas estão ambulatórios para gestação de alto risco, acompanhamento de crianças que passaram por unidades neonatais, reforço no transporte entre hospitais e aumento dos recursos destinados a exames durante o pré-natal.
Os números de 2026 ainda não são definitivos. Como dependem da atualização do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), registros podem ser incluídos ou revistos. Por isso, a comparação indica um crescimento nos registros até agora, mas ainda não permite tratar o percentual como uma taxa anual consolidada de mortalidade.
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