Urna eletrônica.
(Foto: TSE)
O Instituto de Estudos da Religião (ISER) divulga os resultados da pesquisa nacional Religião e Vida Pública no Brasil, realizada em parceria com a Quaest. Trata-se do levantamento quantitativo mais abrangente já produzido sobre crenças, práticas, valores, consumo de mídia e comportamento político dos brasileiros.
A pesquisa demonstra que, embora crer em Deus seja quase universal no país (98%), a paisagem religiosa brasileira passa por uma reorganização profunda.
Principal Fotografia da Fé no Brasil (1º Nível)
- Católicos: 50% (recuo de 6,7 p.p. em relação ao Censo 2022)
- Evangélicos: 29% (cerca de 2 p.p. acima do Censo 2022)
- Sem Religião: 14% (crescimento de 4,7 p.p.)
- Religiões Afro-brasileiras: 3%
- Espíritas: 2%
- Outras Tradições Cristãs: 2%
Principais Achados e Destaques da Pesquisa
O Bloco Sem Vínculo Fixo supera os Evangélicos: Somando-se católicos não praticantes (19%), sem religião (14%), evangélicos sem igreja (3%) e cristãos sem igreja (1%), 37% da população mantém uma fé ou identidade descolada de vínculos institucionais regulares — contingente superior ao total de evangélicos do país (29%).
Virada Geracional (16 a 34 anos): Entre os mais jovens, os pentecostais (24%) formam o maior grupo, superando os católicos praticantes (22%), seguidos pelos sem religião (19%) e católicos não praticantes (17%).
Diversidade no Campo Evangélico: O segmento evangélico é 70% pentecostal. A Assembleia de Deus é a maior denominação isolada do país após o catolicismo, representando 9% da população total (um terço dos evangélicos).
Trânsito Religioso Desmistificado: 23% dos brasileiros já mudaram de religião. O fluxo deixou de ser exclusivo do catolicismo rumo aos evangélicos: entre os que trocaram de religião, 59% tinham origem católica e 25% vieram de igrejas evangélicas.
Afrorreligiosos e Espíritas: As religiões afro-brasileiras e o espiritismo concentram as maiores taxas de conversão/escolha pessoal (59% e 51% vieram de outras religiões) e de dupla pertença/circulação (32% e 29%) entre crenças.
Práticas, Cultura e Vida Pública
- Frequência vs. Oração: 81% dos brasileiros rezam ao menos uma vez ao dia (inclusive 80% das pessoas sem religião). Já na frequência a cultos/missas, 67% dos evangélicos vão semanalmente, contra 40% dos católicos. As mulheres lideram em todos os indicadores de engajamento religioso.
- Gospel e Bíblia como Cultura de Massa: A música gospel alcança 67% da população e é ouvida por 55% dos sem religião. Além disso, 73% dos brasileiros utilizam a Bíblia como referência de conduta moral, ultrapassando os limites institucionais do cristianismo.
- Pluralismo e Intolerância: Apenas 25% avaliam a diversidade religiosa como algo positivo para o país. As religiões de matriz africana são as mais atingidas pela intolerância: 37% dos evangélicos e 18% dos católicos as associam a ideias estigmatizantes ("do mal").
- Política nos Templos: A maioria dos fiéis de diferentes orientações rejeita o uso dos templos para propaganda eleitoral ou indicações de voto por lideranças religiosas.
Sobre a pesquisa
A pesquisa realizou 15.000 entrevistas presenciais e domiciliares com brasileiros de 16 anos ou mais numa abrangência de 412 municípios em todas as regiões do país. A margem de Erro é de 0,8 ponto percentual com 95% de nível de confiança. A concepção e análise dos dados é do ISER (Instituto de Estudos da Religião). O trabalho de campo e tabulação foi realizado pela Quaest.
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