Presidente Lula anunciou o plano Brasil contra o crime organizado em Brasília, nesta terça-feira, 12 de maio.
(Foto: Secom/Governo Federal)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, em Brasília, o programa nacional Brasil Contra o Crime Organizado, colocando Mato Grosso do Sul no centro das ações estratégicas de segurança. O anúncio, realizado no Palácio do Planalto nesta terça-feira, 12 de maio, prevê um aporte global de R$ 11,1 bilhões em investimentos e financiamentos para estados e municípios. Por sua posição geográfica, compartilhando fronteiras com o Paraguai e a Bolívia, o território sul-mato-grossense foi classificado como rota prioritária para asfixiar a logística de armas e drogas das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Atualmente, Mato Grosso do Sul responde por cerca de 40% de todas as apreensões de entorpecentes do país, dado destacado pelo secretário de Justiça e Segurança Pública do Estado, Antônio Carlos Videira, presente no evento. Durante o lançamento, Lula enfatizou que "as facções criminosas não serão donas de nenhum pedaço do território brasileiro" e anunciou a intenção de criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC da Segurança pelo Senado.
Os Quatro Eixos e o Impacto Financeiro em MS
O plano federal está estruturado em quatro pilares fundamentais: asfixia financeira das organizações criminosas, reforço da segurança nos presídios, aumento da taxa de esclarecimento de homicídios e combate ao tráfico de armas e contrabando nas fronteiras. Do orçamento total, R$ 10 bilhões serão operacionalizados via BNDES, por meio do Fundo de Investimentos em Infraestrutura Social (FIIS). Outros R$ 146 milhões serão aplicados exclusivamente no controle de fronteiras.
O secretário Antônio Carlos Videira confirmou que Mato Grosso do Sul receberá repasses federais imediatos:
- R$ 10 milhões: Destinados ao custeio de diárias operacionais para atuação das forças de segurança nas fronteiras, divisas, combate a crimes ambientais e violência contra a mulher.
- R$ 25 milhões: Em equipamentos direcionados ao Corpo de Bombeiros, com foco no enfrentamento aos incêndios florestais no Pantanal e em outros biomas do Estado.
Infiltração Política e Controle de Presídios
O programa foca na neutralização do avanço das facções sobre a economia legal e as instituições públicas. De acordo com Videira, o crime organizado tem buscado expandir sua influência política injetando dinheiro em campanhas eleitorais de cidades-gêmeas na linha internacional de fronteira. Ele alertou que o PCC e o Comando Vermelho diversificaram suas atividades para além do narcotráfico, operando hoje em redes de postos de combustíveis, transporte clandestino, provedores de internet, contratos públicos e lavagem de dinheiro.
No âmbito penitenciário, o governo federal vai estender o regime de segurança máxima adotado nas penitenciárias federais para 138 presídios estaduais, incluindo unidades de Mato Grosso do Sul. A medida visa cortar a comunicação interna dos líderes criminosos por meio do bloqueio de celulares. Embora a fronteira seca de MS sofra forte pressão logística, Videira pontuou que a maior parcela do armamento pesado utilizado por milícias e facções nos grandes centros litorâneos entra, na verdade, por portos e aeroportos, o que reforça a urgência de uma fiscalização integrada em nível nacional.
Cooperação com os EUA e Soberania na Amazônia
Em seu discurso, o presidente Lula revelou ter tratado do combate ao narcotráfico internacional diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A conversa abordou a cooperação mútua e termos para a extradição de criminosos ligados às facções brasileiras.
A articulação ocorre em meio à pressão de setores políticos norte-americanos para classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Para frear interferências externas na política de segurança nacional, o governo brasileiro ofereceu aos Estados Unidos espaço para cooperação técnica no Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia), ressaltando que o comando e as decisões estratégicas permanecem sob controle estrito do Brasil.
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