Deputado estadual Paulo Duarte durante discurso no ato de filiação.
(Foto: Renan Kubota)
A filiação do deputado estadual Paulo Duarte ao PSDB, oficializada na tarde desta quarta-feira (1º), marca mais um movimento da legenda na tentativa de reconstrução política em Mato Grosso do Sul. Em meio à redução de sua bancada e à saída de lideranças, o partido aposta na chegada do parlamentar como parte de um processo que, segundo ele próprio, representa um “renascimento” da sigla para a disputa eleitoral deste ano.
Duarte, que deve concorrer à reeleição para a Assembleia Legislativa, deixou o PSB após um processo que, segundo afirmou, foi conduzido de forma planejada e respeitosa. Ele fez questão de destacar o relacionamento construído ao longo dos anos com dirigentes e militantes da antiga legenda, citando nominalmente lideranças como Ricardo Ayache e o vereador Carlão.
“Primeiro, como eu entrei e saí pela porta, estou saindo pela porta da frente do PSB. Então é gratidão pela relação que eu tive ao longo desse tempo aqui em Mato Grosso do Sul, com as lideranças estaduais, sempre me trataram com muito respeito”, afirmou.
O principal fator para a mudança partidária, conforme o deputado, foi o posicionamento político divergente em relação ao rumo que o PSB deve adotar nas eleições estaduais. O deputado afirmou que já havia tomado a decisão de caminhar ao lado do projeto de reeleição do governador Eduardo Riedel, o que não coincide com a orientação da antiga sigla.
“Eu sempre disse que a gente tinha tomado uma decisão de caminhar na reeleição do governo do Eduardo Riedel, que não é o caminho que o PSB deve seguir. Esse foi o principal motivo da minha mudança”, explicou.
A saída, portanto, consolida seu alinhamento com o grupo político que atualmente sustenta o governo estadual, dentro de um arco de alianças que inclui diferentes partidos.
Ao detalhar a decisão de ingressar no PSDB, Duarte citou fatores pessoais, políticos e ideológicos. Ele destacou a proximidade com parlamentares que permanecem na sigla, como Pedro Caravina e Lia Nogueira, com quem mantém relação próxima dentro da Assembleia Legislativa. “Primeiro que eu sou vizinho de dois tucanos que permanecem, que é o Caravina e a Lia. Sentamos ao lado, temos uma relação de longa data”, disse.
O deputado também mencionou nomes históricos do partido no Estado e no país, como a ex-senadora Marisa Serrano, além de ex-governadores ligados à sigla, como Reinaldo Azambuja e o próprio Eduardo Riedel, que deixou recentemente o PSDB.

Outro ponto ressaltado foi a identificação com o posicionamento político do partido, especialmente por se considerar um político de centro. “É um partido que é meio parecido nesse sentido de um partido sem esse extremismo, que eu respeito quem participa, mas eu estou fora. Acho que tem essa coisa mais sensata, de uma agenda econômica progressista, como também defendo como economista”, afirmou.
Duarte também ressaltou que a decisão levou em conta o ambiente interno da legenda. “Eu estou vendo muita briga, a pessoa brigando para entrar no partido, e como eu percebi que eu seria bem recebido, eu tomei essa decisão”, completou.
Durante o ato, o deputado utilizou uma metáfora para definir o momento vivido pelo PSDB em Mato Grosso do Sul. Ao mencionar uma tatuagem com o símbolo da fênix, associou a imagem ao cenário atual da legenda.
“Essa aqui é a fênix, que combina com o momento tucano, porque a fênix ressurgia das cinzas. E o PSDB, para alguns, estava morto. [...] Então entenda que o PSDB começa um processo de renascimento e de reconstrução”, declarou.
Antes da janela partidária, o PSDB contava com seis deputados estaduais: Pedro Caravina, Lia Nogueira, Jamilson Name, Paulo Corrêa, Zé Teixeira e Mara Caseiro. Com as mudanças recentes, a tendência é de redução significativa dessa bancada, com a permanência de Caravina e Lia, além da chegada de Paulo Duarte. Há ainda indefinições sobre outros nomes, como Jamilson Name.
Mesmo com esse cenário, a expectativa dentro do partido é de reconstrução por meio da formação de novas chapas competitivas.
Pedro Caravina destacou que o PSDB ainda possui capilaridade política no Estado e condições de se reorganizar. “O PSDB é um dos maiores legados políticos do Mato Grosso do Sul [...] a expectativa é muito boa do ressurgimento do partido, com condições de fazer quatro deputados estaduais”, afirmou.
Já Lia Nogueira reforçou que o partido busca se posicionar como alternativa de equilíbrio no cenário político. “Estamos vivendo um momento difícil no Brasil, com polarização. Eu não me identifico com extremos. Tenho uma política de centro, de equilíbrio. É nisso que acredito e por isso permaneço no PSDB”, disse.
Apoio de lideranças e papel nas alianças
O ex-governador Reinaldo Azambuja destacou que o PSDB continua inserido no grupo político que atua no Estado e mantém participação ativa nas articulações eleitorais.
“O PSDB faz parte do nosso arco de alianças. Sempre foi um partido aliado e não deixará de estar nessa eleição. Está fortalecido com a filiação de mais deputados”, afirmou.
Na mesma linha, o governador Eduardo Riedel ressaltou o papel do partido dentro do atual cenário político, especialmente diante das mudanças provocadas pela reforma partidária e pela redução no número de siglas.
“Estamos em plena transição de reforma política. Por isso menos partidos, menos candidatos. [...] O PSDB continua forte, com uma chapa de deputados estaduais experiente, que conhece o Estado e terá papel importante na Assembleia Legislativa”, declarou.
*Fonte: Campo Grande News.
Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal.
Leia Também
Para Bira, homenagem foi momento de reafirmação do compromisso com as mulheres
MS é referência nacional em transparência na execução de emendas parlamentares
Projeto de Lei propõe indenização municipal para vítimas de enchentes em Corumbá
Novas fissuras na ponte sobre o rio Paraguai motiva cobrança por obras urgentes
Golpistas usam nome de Riedel para atrair vítimas em grupos de investimento
Câmara Municipal de Corumbá atinge nível efetivo em proteção de dados
Irregularidades causarão exclusão de famílias, diz Prefeitura sobre sorteio
Moradores do Maria Leite cobram limpeza no entorno da Escola Gabriel Vandoni
Programa Centelha 3 é lançado em MS com R$ 6,5 milhões em investimentos