O grupo pegou estrada de chão, paralela, para driblar o bloqueio de manifestações.
(Foto: Reprodução)
Família de Mato Grosso do Sul conseguiu deixar La Paz, sede do governo da Bolívia que enfrenta onda de protestos. O grupo seguia para Machu Picchu, no Peru, mas, em 6 de janeiro, acabou retido na cidade boliviana.
“Saímos ontem de madrugada. Pegamos bloqueio, mas o motorista fez um desvio em estrada de chão”, afirma o dentista Wésner Vargas, 38 anos. Na manhã desta terça-feira (dia 13), ele e a família (mãe, irmão e cunhada) estavam perto da fronteira com a Argentina. Ao todo, o deslocamento leva um dia e meio. "Agora sim, estamos aliviados".
A estratégia inicial, diante dos conflitos em La Paz, era viajar de avião até Santa Cruz de la Sierra e chegar por terra a Corumbá, fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia. Mas, como a viagem seria só na quinta-feira, eles mudaram os planos diante do temor do aumento da violência nas ruas.
“A ansiedade era sair o quanto antes e resolvemos deixar La Paz de ônibus”, conta o dentista.
A volta ainda será longa. Da Argentina, eles seguem para o Paraguai, de onde retornarão a Mato Grosso do Sul. Eles residem em diferentes cidades: Maracaju, Jardim, Bonito e Sidrolândia.
Antes do caos, Wésner e família fizeram registro feliz no deserto de sal, na Bolívia. Foto: Arquivo PessoalO protesto começou em 22 de dezembro, após o decreto presidencial que acabou com o subsídio dos combustíveis, resultando em alta nos preços. De acordo com o jornal El Deber, reunião na manhã de hoje discute um novo decreto, com o fim de todos os bloqueios nas rodovias.
Outro caso
A douradense Janaína Mello, de 30 anos, já está em casa após viver momentos de tensão durante um mochilão pela América do Sul. Ela e outros sete amigos, todos de Mato Grosso do Sul, chegaram a Campo Grande ontem (12), depois de ficarem retidos por mais de 24 horas, no fim de semana, em uma rodovia de acesso a La Paz, capital da Bolívia, em razão de bloqueios provocados por protestos no país.
Protestos e crise no país
Desde 22 de dezembro, a Bolívia enfrenta uma onda de protestos contra um decreto assinado pelo presidente Rodrigo Paz, que extinguiu o subsídio aos combustíveis. A medida provocou aumento de 86% no preço da gasolina e de 160% no diesel. Além disso, o decreto prevê o fim de novas contratações no serviço público e estabelece a livre negociação entre patrões e trabalhadores, em moldes semelhantes à reforma trabalhista brasileira de 2017.
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