Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026
Política

Agems falta na audiência da Andorinha e segunda data será marcada

14 ago 2025 - 05h50   atualizado em 03/03/2026 às 09h33

Gesiane S. Lourenço

Agems falta na audiência da Andorinha e segunda data será marcada Ausência da Agems na audiência frustrou o debate em torno do preço das passagens da linha Corumbá - Campo Grande. (Foto: Capital do Pantanal)

Aconteceu na noite desta quarta-feira, 13 de agosto, na Câmara Municipal de Corumbá, a audiência pública proposta pelo vereador Chicão Vianna, para discutir o preço das passagens cobrados na linha Corumbá – Campo Grande pela empresa Andorinha. 

Apesar da ampla divulgação, por parte do vereador, para que a população comparecesse ao encontro, o plenário Dr. Léo de Medeiros Guimarães não estava lotado, mas claramente dividido em duas partes. De um lado, os que apoiavam o posicionamento de Chicão, e do outro, funcionários da Andorinha defendo a empresa onde trabalham. 

A mesa diretora foi composta pelo presidente da Casa de Leis, Ubiratan Canhete Filho, o Bira; pelo vereador Chicão Vianna; Pietro Cândia, diretor-presidente do Procon de Corumbá; Mário Henrique Nerger, assessor de comunicação da Andorinha; Jovan Temeljkovitch, vereador representante da Comissão de Direitos do Consumidor; e Dr. Luiz Henrique da Silva, represente da OAB – Corumbá. Diretores da Andorinha e outros vereadores também estavam presentes, ocupando mesas na plenária. 

Na abertura da audiência, o presidente da Casa, vereador Bira, agradeceu a presença da Andorinha e lamentou a falta da Agems (Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul), peça fundamental para o debate do tema. Em nota, a agência estadual informou que devido o curto prazo e a incompatibilidade de agenda não poderia enviar um representante para participar da audiência. 

Bira, presidente da Casa, lamentando a falta da Agems. Foto: Capital do Pantanal

O vereador Chicão Vianna informou que por meio de documento oficial, será solicitado que a Agems defina a data em que poderá comparecer em uma segunda audiência, dentro do prazo de 45 dias. A falta da Agems na discussão, frustrou o debate. Afinal, vários dos questionamentos realizados precisam do respaldo da Agência.

Chicão iniciou sua fala dizendo que desde 2017, quando foi eleito vereador pela primeira vez, questiona os preços cobrados no transporte de passageiros no trecho Corumbá – Campo Grande. Disse ainda que tentou trazer outras empresas para a concorrência, mas que nenhuma delas conseguiu se estabelecer na cidade. O vereador sugere que a Agems intensifica a fiscalização sempre que uma nova empresa tenta acessar o mercado rodoviário intermunicipal de passageiros em Corumbá, sufocando a tentativa até a desistência. 

Com a palavra, Mário Nerger, assessor de comunicação da Andorinha, defendeu a política de trabalho da empresa, que possui 77 anos de mercado e há mais de 30 atua na região de Corumbá. Para Mário, a discussão contra a Andorinha se tornou uma “briga pessoal e populista”. 

“A Andorinha é uma empresa séria, que paga todos os impostos e contribui com o desenvolvimento local, gera emprego e renda para o povo corumbaense. Essa discussão se tornou pessoal e populista. Com a publicidade apelativa que o senhor vereador (Chicão) promoveu, essa Casa era para estar mais do que lotada, e se não está, é porque a realidade não é bem a que vem sendo pintada, eu tenho números e documentos que evidenciam o bom trabalho da Andorinha na região”, disse.

Mário destacou ainda que a Andorinha mantém uma frota renovada, com manutenção em dia e profissionais capacitados para atender e enfrentar as dificuldades que a rota impõe, com estradas esburacadas e condições precárias de segurança viária. “Essa sim, deveria ser uma bandeira de luta para vocês (vereadores), a estrada para se chegar à Corumbá é precária, necessita de melhorias urgentes”, disse o assessor lembrando ainda que com a saída da Azul, Corumbá estará ainda mais isolada e dependente do transporte rodoviário de passageiros, sendo necessário melhorias urgentes na rodovia.

Mário Nerger, assessor de comunicação da Andorinha, apresentou documentos e os altos custos que a empresa assume para manter a linha ativa. Foto: Capital do Pantanal

Na discussão, o vereador e presidente do legislativo, Bira, fez um apelo para que a Andorinha reavaliasse as tarifas cobradas com máxima atenção e carinho. “Acredito que algo possa ser feito para oferecer valores promocionais, nem que sejam em períodos de maior fluxo como datas comemorativas e concursos públicos, ou ainda uma taxa diferenciada para quem é morador da cidade. Existem vários mecanismos comerciais que podem ser utilizados nesse sentido”.

A respeito da redução de preço nas tarifas, diretores da Andorinha sugeriram que a prefeitura e vereadores elaborem uma lei para subsidiar passagens para pessoas consideradas baixa renda, bem como atuar intermediar junto ao Estado com benefícios fiscais. "Isso é totalmente possível para o município e inclusive é uma prática já existente e que funciona em outras cidades. Nosso custo para manter a linha ativa é alto, precisamos que o poder público dê esse passo junto conosco", pontuou.

Chicão Vianna afirma que a Andorinha detém o monopólio do transporte rodoviário intermunicipal de passageiros na cidade e que a entrada de outras empresas na concorrência seria a solução. O vereador destacou as tentativas frustradas da Siriema e da Buser de operar em Corumbá. 

Sobre a declaração do vereador, Mário Nerger, desmentiu que a Andorinha tenha o monopólio do setor. Segundo o assessor de comunicação, existem outras duas empresas de ônibus e uma linha de van regulamentada que atende a região.

“Se existem alternativas, não há monopólio, essa justificativa não funciona. Quando vocês (vereadores) defendem a entrada de empresas não regulamentadas estão na verdade defendendo o clandestino, empresas que trabalham sem responsabilidade, que não arrecadam para Corumbá, como era o caso da Buser, que não contribuía com nem um real para a cidade. O ISS da Buser era pago para uma cidadezinha do Rio de Janeiro, nada ficava em Corumbá. É isso que vocês querem para a cidade? Dessa maneira, Corumbá vira uma terra sem lei”, diz.

Chicão Vianna deu o prazo de 45 dias para que a Agems defina uma data para participar de segunda audiência. Foto: Capital do Pantanal 

Mário destaca ainda o papel social da Andorinha, que cumpre com todas as gratuidades obrigatórias pela legislação, fornece ônibus gratuito para as escolas de samba realizarem compras de materiais em São Paulo durante o Carnaval, contribui com ações sociais, transporta gratuitamente policiais militares para o reforço da segurança pública local quando há grandes eventos, entre outras mais. 

Pietro Cândia, diretor-presidente do Procon, apresentou que a Andorinha possui cinco reclamações cadastradas neste ano na agência municipal de defesa do consumidor. Mário Nerger, da Andorinha, pontuou que dessas cinco reclamações, apenas uma chegou ao setor de ouvidoria da empresa. “Nós queremos ter zero reclamações, e para isso, já deixei um número de telefone com o Pietro para que ele nos reporte toda e qualquer reclamação registrada, para que possamos solucionar imediatamente”, disse o assessor, apontando ainda que em outros órgãos, como na Agems, não há qualquer reclamação contra a Andorinha.

Sobre a composição tarifária, Mário explicou que a Agems é o órgão responsável por definir o cálculo que leva em consideração custos gerenciáveis e não gerenciáveis. Inclusive as ações promocionais devem ser reportadas e aprovadas pela Agência Estadual. “Quando se fala em cobranças abusivas, vocês (vereadores), não fazem ideia dos custos da Andorinha para manter essa linha ativa”.

O vereador Edinaldo Neves, presente na seção, disse que após ouvir todas as partes concluiu que o “vilão” da história seria a Agems. “Por tudo que ouvi hoje aqui, essa audiência não poderia nem acontecer com a ausência da Agems, eles precisam estar aqui para responder os questionamentos que temos”.

Por fim, Mário Nerger, afirmou que levará as propostas dos vereadores para dobrar o número de carros disponíveis pelo programa “Viaje mais barato”, que oferece passagens à R$ 110,00, no horário das 18h. “Vou levar a proposta para a diretoria e eles vão estudar a possibilidade”, disse.     

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