Terça-feira, 19 de Maio de 2026
Política

Apoio a anistia cria mal-estar entre Riedel e deputados petistas na Assembleia

08 abr 2025 - 04h52   atualizado em 03/03/2026 às 09h30

Gesiane Sousa

Apoio a anistia cria mal-estar entre Riedel e deputados petistas na Assembleia Descontentes e indignados com a declaração do governador, bancada do PT ameaça deixar a base do governo na Casa de Leis . (Foto: Divulgação)

Conforme foi divulgado no domingo (06), pelo jornal Correio do Estado, o governador Eduardo Riedel (PSDB) fez uma publicação nas suas redes sociais, defendendo a anistia irrestrita aos presos do 8 de janeiro de 2023, que provocaram um quebra-quebra na sede do Superior Tribunal Federal (STF), no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).

O projeto em questão, que tramita no Congresso Nacional, tem gerado polêmica por buscar anistiar manifestantes e organizadores dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, quando as sedes dos três poderes foram invadidas e depredadas por bolsonaristas radicais, em Brasília. O texto do projeto de Sóstenes Cavalcanti prevê a anistia para pessoas direta ou indiretamente envolvidas no 8 de janeiro e até mesmo por atos anteriores.

Entretanto, a declaração de Riedel não agradou aos deputados estaduais petistas da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, que são as principais lideranças do partido no Estado e contrários à concessão de anistia para esses presos, os quais a esquerda classifica de autores de atos antidemocráticos contra a posse do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Nas redes sociais, a deputada estadual Gleice Jane (PT), criticou a fala de Riedel e defendeu até que o partido se retire da base de apoio ao Governo do Estado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Segundo ela, a posição do governador gera preocupação, indignação e questionamentos, tendo em vista que, após os atos de vandalismo, Riedel foi até Brasília, e caminhou com Lula, ao pedir justiça pelos atos.

“Permitir que os responsáveis por atos de violência, destruição e ameaças à democracia sejam isentos de punição representa um retrocesso perigoso para o povo brasileiro, e a postura adotada pelo chefe do Executivo sul-mato-grossense coloca em risco a segurança do povo. Por isso, reafirmo minha posição de que o PT não pode mais compor este governo”, finalizou

Compartilhando da mesma opinião da colega de partido, o deputado estadual Zeca do PT discordou publicamente da fala de Riedel, e afirmou sentir vergonha. “Fica claro que Riedel quer anistia para o inelegível e inominável ex-presidente, e esconde sua intenção falando das pessoas que estão presas. Não são velhinhas, são homens adultos que atentaram contra a democracia”, disse Zeca.

Outro que repudiou o apoio de Riedel a anistia, foi o deputado estadual Pedro Kemp (PT), que afirmou que o Partido dos Trabalhadores deve deixar a base aliada da gestão estadual. “Acredito que chegou a hora do PT desembarcar desse governo. Não é possível conviver com um governo que apoia golpistas e não tem apreço pela democracia”, declarou.

O parlamentar defendeu que o compromisso do PT em MS é com a reeleição de Lula em 2026. “O atual governo lidera um projeto de combate às desigualdades sociais, defesa da democracia e crescimento sustentável. Precisamos apresentar uma proposta coerente com essa visão. Sem anistia para golpistas. Golpe nunca mais. Democracia sempre”, reforçou.

Bancada Federal

Além do repúdio dos deputados estaduais, pouco tempo depois da declaração pública de Riedel, o deputado federal Vander Loubet (PT), se manifestou, afirmado que, a defesa da democracia é um valor inegociável. “Discordamos inteiramente do apoio do governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, à anistia dos envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, algo que é vergonhoso”, criticou.

Segundo ele, o PT defende que cada envolvido seja processado e julgado de acordo com a gravidade dos seus atos, tendo direito à ampla defesa prevista no Estado Democrático de Direito, e na opinião do político, o governador deveria defender a mesma opinião.

Em seu discurso, Loubet afirmou que, conceder anistia ampla e geral como alguns defendem seria um retrocesso inaceitável, enfraquecendo a democracia e criando precedentes perigosos para futuras ameaças. “A impunidade não pode ser tolerada”, concluiu.

A deputada federal Camila Jara (PT), também fez sua declaração, comparando a possível anistia com a impunidade de um plano de assassinato. “Imagina se alguém planeja assassinar você e pessoas próximas a você ou planeje tirar a sua liberdade de escolher o que quer fazer, de escolher seu emprego e de escolher seu representante, e nesse cenário, o governador pede que a pessoa que planejou tudo isso e a pessoa que incentivou as outras pessoas a apoiarem isso saiam impunes”, disse ela ressaltando sua profunda decepção com o governador Eduardo Riedel.

O apoio de Riedel

Na postagem, o governador revelou que tem conversado recentemente com o governador Tarcísio de Freitas e com a senadora Tereza Cristina, além de outros líderes políticos brasileiros, para defender uma revisão da dosimetria de penalizações sobre os presos do 8 de janeiro de 2023.

“Considero necessário aprovar uma anistia, que em muitos casos também tem caráter humanitário. Do meu ponto de vista, não dá para julgar e penalizar com a mesma régua o que é completamente diferente!”, ressaltou.

Riedel completou ainda que, do ponto de vista político, o Congresso Nacional tem obrigação de votar a matéria, considerando-a inclusive como um passo imprescindível para a pacificação do País. “Não dá pra errar de novo e no mesmo lugar: tentar reparar eventuais excessos cometidos naquele momento com excessos do atual”, disse.

Para ele, é preciso olhar para a frente e se afastar da guerra política e dos confrontos ideológicos para reunir forças e fazer o verdadeiro enfrentamento dos problemas nacionais gigantescos, que estão à espera de novas ideias, agenda mais realista e com coragem para fazer o que precisa ser feito. Na avaliação do governador de Mato Grosso do Sul, 

chegou a hora de cuidar da agenda do Brasil real, do Brasil verdadeiro. “É nisso que eu acredito. E percebo que esse é o sentimento de todo o nosso país”, finalizou.

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