Curso em Corumbá prepara 50 brigadistas do PrevFogo/Ibama para salvar animais em incêndios florestais.
(Foto: Proteção Animal Mundial)
Começou nesta quarta-feira (3) em Corumbá (MS) o curso que capacita 50 brigadistas indígenas das etnias Terena e Kadiwéu, ligados ao PrevFogo/Ibama, para o resgate de animais silvestres durante incêndios florestais. A iniciativa é da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), com apoio da ONG Proteção Animal Mundial, e segue até sábado (6), no Parque Marina Gatass.
Além de fortalecer a atuação em situações de desastre, o curso conta com técnicos do Ibama, que transformarão os participantes em multiplicadores do conhecimento em outros estados brasileiros.
"O lado mais cruel e menos visível de um incêndio florestal são os milhares de animais mortos ou feridos pelo fogo. Com a intensificação dos eventos climáticos extremos, é preciso ampliar o trabalho preventivo e de resposta a essas emergências e aumentar o número de pessoas capacitadas a lidar com o resgate de fauna em situações de desastres deve fazer parte destes esforços. O treinamento dos brigadistas do PrevFogo é tão importante que merece ser replicado em outras regiões do país, como uma ação de adaptação climática para proteger a nossa biodiversidade”, avalia Rodrigo Gerhardt, gerente de Vida Silvestre da Proteção Animal Mundial.
O programa inclui aulas teóricas, práticas e um simulado integrado, abordando diferentes cenários de desastres. Os brigadistas aprendem técnicas de resgate de animais de pequeno, médio e grande porte, manejo de fauna silvestre, atendimento pré-hospitalar veterinário, biossegurança e uso de armadilhas. A ONG também fornece equipamentos essenciais, como caixas de transporte, redes, puçás, ganchos para serpentes e macas para animais maiores.
“É essencial que as brigadas tenham esses equipamentos porque, geralmente, elas são equipadas para lidar com os focos de incêndio, mas não com o resgate dos animais silvestres que são vítimas do fogo”, explica Gerhardt.
Em 2025, Corumbá registrou 837.000 hectares atingidos pelo fogo, segundo o Monitor do Fogo, do MapBiomas, tornando-se o segundo município com maior área queimada do país, atrás apenas de São Félix do Xingu (PA).
“Essa região do Pantanal guarda uma grande diversidade de vida selvagem. São mamíferos como o tamanduá-bandeira, capivara, onça-pintada, além de aves, répteis e até insetos. Os animais são seres sencientes, ou seja, assim como os humanos sentem dor, medo, alegria, e um evento como um incêndio é uma tragédia. São famílias que se separam, têm os lares destruídos e, muitas vezes, na fuga, esses animais são atropelados ou os filhotes se perdem da mãe e acabam morrendo. O treinamento da brigada é um meio de tentar salvar essas vidas tão impactadas pelos incêndios”, completa Gerhardt.
No Mato Grosso do Sul, cinco brigadas indígenas federais atuam desde 2013 pelo PrevFogo/Ibama, graças a um acordo com a Funai. O conhecimento tradicional dos povos originários é considerado fundamental para conservar os ecossistemas e proteger a fauna e a flora da região.*Com informações da Assessoria de Imprensa.
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