Terça-feira, 09 de Junho de 2026
Meio Ambiente

Mato Grosso do Sul tem a menor área desmatada do Brasil nos últimos 7 anos

09 jun 2026 - 13h43   atualizado às 13h49

Gesiane S. Lourenço

Mato Grosso do Sul tem a menor área desmatada do Brasil nos últimos 7 anos Área ocupada pela atividade pecuária no Pantanal de MS. (Foto: Divulgação)

Mato Grosso do Sul alcançou a menor área de desmatamento sem licença ambiental dos últimos sete anos entre todas as unidades da federação. Os dados foram consolidados no Relatório Anual de Desmatamento 2026 do MapBiomas. O levantamento aponta que o Estado conseguiu inverter o histórico de degradação ao elevar o rigor nas fiscalizações e monitoramentos de suas florestas e biomas.

A eficiência do modelo sul-mato-grossense fica evidente no cruzamento de dados com o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). Entre 2019 e 2025, o Estado suprimiu 368.931 hectares de vegetação nativa. Desse total, 75,2% (277.357 hectares) contavam com autorização legal, estabelecendo o maior percentual de conformidade ambiental do Brasil.

A Virada na Fiscalização e a Consolidação dos Dados

A evolução do controle ambiental no Estado foi drástica no período analisado. Em 2019, apenas 31,6% da área total desmatada possuía licença ambiental. Já no último ano, o índice de desmatamento legalizado saltou para 94,3% do universo suprimido, consolidando-se como o maior percentual do País.

O bioma Pantanal — que mantém mais de 84% de sua cobertura vegetal nativa totalmente preservada — foi o segundo bioma brasileiro com o menor número de alertas de desmatamento no ano passado, registrando 163 avisos. Dos 12.260 hectares de vegetação nativa suprimidos no ecossistema pantaneiro, 10.042 hectares tiveram a devida licença emitida.

Para o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Artur Falcette, o resultado é fruto de uma combinação de fatores integrados. "Primeiro, a Lei do Pantanal trouxe mais segurança jurídica, mais clareza com relação a alguns aspectos e também reduziu a possibilidade de conversão de novas áreas", destacou.

A Lei do Pantanal, em vigor desde fevereiro de 2024, protege de forma rígida a Área de Uso Restrito do Pantanal (AUR-Pantanal), trazendo inovações fundamentais:

  • Novas APPs: Áreas como landis, salinas, veredas, capões, cordilheiras e meandros abandonados de rios passaram a ser Áreas de Preservação Permanente.
  • Vedações Agrícolas: É proibido o cultivo de soja, cana-de-açúcar, eucalipto e outras culturas exóticas (exceto em áreas já consolidadas, sem possibilidade de ampliação).
  • Atividades Permitidas: A pecuária extensiva tradicional continua liberada, assim como a agricultura familiar de subsistência e forrageiras para o gado.
  • Corredores Ecológicos: Foram incorporados à legislação para blindar áreas cruciais de integração da fauna e flora.

Produtor é Pago para Preservar a Floresta

Outro mecanismo de destaque é o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Por meio dele, o Governo do Estado remunera financeiramente o produtor rural que opta por abrir mão do direito legal de desmatar parte de sua propriedade.

No primeiro edital do PSA Conservação e Valorização da Biodiversidade, foram investidos R$ 2.961.274,95 para contemplar 40 produtores rurais. A iniciativa garantiu a preservação de 112.098,79 hectares de excedente de vegetação nativa. O segundo edital já está em andamento com 23 propriedades inscritas e validadas pela Semadesc, com o resultado final previsto para meados de julho de 2026.

O secretário conclui destacando que a mudança também reflete a "mentalidade conservacionista" do homem pantaneiro, habituado há séculos a produzir em harmonia com o ecossistema.

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