Sexta-feira, 01 de Maio de 2026
Desdobramentos

Hospital Militar na Capital realiza a 1ª cirurgia com polilaminina em MS

21 jan 2026 - 07h32   atualizado em 03/03/2026 às 09h34

Gesiane Sousa

Hospital Militar na Capital realiza a 1ª cirurgia com polilaminina em MS O paciente é um jovem militar de 19 anos, atingido no pescoço por um disparo acidental, em outubro do ano passado. (Foto: Marcos Maluf/CG News)

Depois de ser adiada, teve início às 9h30 desta quarta-feira (21) a primeira cirurgia realizada em Mato Grosso do Sul com uso da polilaminina, medicamento ainda em fase de estudos e considerado promissor na recuperação de movimentos em pacientes com lesão na medula espinhal. O procedimento ocorreu no Hospital Militar de Área de Campo Grande e teve duração de cerca de 40 minutos.

O paciente é um jovem militar de 19 anos, atingido no pescoço por um disparo acidental, em outubro do ano passado. O projétil causou uma grave lesão na medula espinhal antes de atravessar completamente a região cervical, deixando o rapaz tetraplégico, sem sensibilidade ou movimentos do pescoço para baixo.

A cirurgia é comandada pelo neurocirurgião Bruno Cortez, do Rio de Janeiro, que já realizou o procedimento em outros estados. Ele conta com a participação do neurocirurgião Wolnei Zeviani, do Hospital Militar de Campo Grande, que acompanhou o paciente desde o período de internação na Capital. Este é o primeiro procedimento do tipo realizado no Estado.

Segundo Wolnei, o caso difere dos demais já realizados porque a aplicação do medicamento não ocorre dentro da chamada “janela terapêutica” de 72 horas após a lesão, período considerado ideal. Ainda assim, a expectativa é de benefício clínico. “A programação de hoje é fazer a infusão do medicamento diretamente no tecido medular lesionado. Utilizamos uma agulha guiada por fluoroscopia, que nos permite acompanhar a posição em tempo real até alcançar a região central da medula e injetar o remédio na área afetada”, explicou.

Conforme o médico, a cirurgia é considerada de baixa complexidade e não exige materiais sofisticados. “Vamos utilizar basicamente uma agulha de raquianestesia, seringas e o aparelho de fluoroscopia, que já usamos em cirurgias de coluna. A anestesia pode ser geral ou não, dependendo do grau da lesão e das condições do paciente”, detalhou.

Ao comentar a expectativa em torno do procedimento, o neurocirurgião destacou o impacto do tratamento para pacientes, familiares e equipes médicas. “Esse tratamento traz esperança não só para os pacientes, mas também para nós, porque vivemos esse drama junto com eles e com a família. São pessoas ativas que, de repente, passam a ficar acamadas. A internação é muito longa, são pacientes frágeis e com risco de complicações. Ter uma alternativa, um tratamento que possa, mesmo que não de forma imediata, mas ao longo de semanas ou meses, devolver capacidades e proporcionar uma vida mais ativa, para nós é um sonho", afirmou.

O militar foi inicialmente atendido em Dourados, onde passou por cirurgia para estabilização da coluna. Devido à gravidade do quadro, precisou ser transferido para o Hospital Militar de Campo Grande, onde permaneceu internado por cerca de dois meses, incluindo duas semanas na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Durante esse período, enfrentou complicações, como infecção, mas sobreviveu. “Foi uma internação muito difícil”, relembrou Wolnei.

A família tomou conhecimento do medicamento experimental e, com apoio jurídico, ingressou com pedido na Justiça para viabilizar o tratamento. Como a polilaminina ainda não possui aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o procedimento só pôde ser realizado após decisão liminar favorável, autorizando o uso de forma experimental, conhecido como uso compassivo. O medicamento é fornecido pelo laboratório Cristália, em parceria com a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Inicialmente, a cirurgia estava prevista para o dia 14, mas foi adiada para cumprimento de exigências regulatórias. O advogado do caso, Gabriel Traven Nascimento, explicou que foi necessário aguardar o prazo de 72 horas para manifestação da Anvisa no processo. “O reagendamento decorre exclusivamente da necessidade de uma autorização regulatória formal, exigida quando se trata de uso compassivo de medicamento ainda não registrado, e não de qualquer falha médica, logística ou judicial”, afirmou. Segundo ele, a decisão judicial representa um avanço.

De acordo com a UFRJ, caso todas as fases de estudos sejam concluídas com sucesso e aprovadas pela Anvisa, a expectativa é que a polilaminina possa ser disponibilizada no mercado em dois ou três anos.

Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal.

 

Leia Também

MPMS abre procedimento administrativo para acompanhar saúde em Ladário
Saúde

MPMS abre procedimento administrativo para acompanhar saúde em Ladário

Dados apontam crescimento de dengue e chikungunya em Corumbá
saúde

Dados apontam crescimento de dengue e chikungunya em Corumbá

Elinho busca informações sobre falta de medicamentos na Rede Pública de Saúde
saúde

Elinho busca informações sobre falta de medicamentos na Rede Pública de Saúde

Vacimovel atende população em frente ao CAC até às 16h desta terça-feira
Saúde

Vacimovel atende população em frente ao CAC até às 16h desta terça-feira

Anvisa suspende venda de xaropes com clobutinol
Saúde

Anvisa suspende venda de xaropes com clobutinol

Hipertensão: silenciosa e hereditária, doença pede mudança de hábitos
Saúde

Hipertensão: silenciosa e hereditária, doença pede mudança de hábitos

Ação volante leva vacinação noturna para bairros de Corumbá
Saúde

Ação volante leva vacinação noturna para bairros de Corumbá

Corumbá encerra Mês Azul com meta de criar centro de referência para autismo
Saúde

Corumbá encerra Mês Azul com meta de criar centro de referência para autismo

Palestra alerta para saúde mental dos agentes de segurança pública
Saúde

Palestra alerta para saúde mental dos agentes de segurança pública

MS confirma 13 óbitos por Chikungunya e alerta para 7,5 mil casos em 2026
Saúde

MS confirma 13 óbitos por Chikungunya e alerta para 7,5 mil casos em 2026

Mais Lidas

Bebê de 1 ano tinha dilatação anal e hematoma extenso na cabeça
Capital

Bebê de 1 ano tinha dilatação anal e hematoma extenso na cabeça

General Rafael Novaes assume comando da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal
Solenidade

General Rafael Novaes assume comando da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal

Corumbá entra na rota do contrabando de migrantes, diz Abin
Segurança Pública

Corumbá entra na rota do contrabando de migrantes, diz Abin

Condutor sem CNH é preso após realizar manobras perigosas em Corumbá
Polícia

Condutor sem CNH é preso após realizar manobras perigosas em Corumbá