Vista panorâmica de Corumbá, mostrando o encontro do Rio Paraguai com a cidade.
(Foto: Renê Marcio Carneiro/PMC)
Um estudo inédito da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) coloca Mato Grosso do Sul no mapa do contrabando internacional de migrantes, com destaque para Corumbá, na fronteira com a Bolívia, apontada como área estratégica de entrada, saída e trânsito de estrangeiros.
A análise faz parte da publicação “Contrabando de Migrantes no Brasil: uma análise de inteligência”, lançada nesta terça-feira (28), em Brasília, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM). O documento reúne dados atualizados sobre o cenário em 2025 e mostra como o país se consolidou como origem, rota e destino dessas redes.
Segundo o relatório, ao menos 14 estados brasileiros possuem rotas estruturadas de migração irregular. Entre eles, Mato Grosso do Sul aparece com papel multifuncional: serve tanto como passagem quanto como ponto de permanência de migrantes. Em cidades de fronteira, como Corumbá, há fluxo constante de pessoas que entram no Brasil ou seguem viagem para outras regiões.
O estudo aponta que a posição geográfica do país e a extensão das fronteiras, mais de 16 mil quilômetros, favorecem esse cenário. Além disso, o Brasil é utilizado tanto por estrangeiros que buscam melhores condições de vida quanto por brasileiros que tentam deixar o país, principalmente rumo aos Estados Unidos.
As investigações também detalham o funcionamento das redes criminosas. O contrabando de migrantes envolve estruturas organizadas, com divisão de tarefas entre recrutadores, transportadores, intermediários financeiros e falsificadores de documentos. Essas redes podem ainda estar associadas a crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.
O aliciamento tem se tornado cada vez mais digital. De acordo com o levantamento, aplicativos de mensagens e redes sociais são usados para negociar valores, organizar viagens e atrair interessados. Plataformas de vídeos curtos também passaram a ser utilizadas para divulgar rotas e criar uma imagem idealizada da migração.

Durante o lançamento, a chefe de programas da OIM no Brasil, Michelle Barron, destacou que o enfrentamento ao problema exige cooperação internacional. “A análise de Inteligência contribui para a relevância do debate e tomada de decisões, sendo uma iniciativa corajosa e responsável. A ABIN atuou com viagens por todo o Brasil, conversou com autoridades locais e sociedades civis, formulando um estudo profundo e bem feito. Essa publicação reforça a cooperação internacional, já que nenhuma instituição isoladamente é capaz de atuar sozinha”, disse.
Ela também reforçou a necessidade de diferenciar migrantes de criminosos. “Entendemos que se trata de um crime transacional complexo que ameaça a soberania dos Estados. A rede de criminosos traz danos físicos, psicológicos e sociais, e em se tratando de mulheres e meninas, há também violência sexual e de gênero. O enfrentamento ao crime demanda uso estratégico da Inteligência e atuação coordenada entre instituições”, completou.
O relatório ressalta que migrar de forma irregular não é crime no Brasil. A responsabilização recai sobre quem organiza e lucra com as travessias. Ainda assim, quem recorre a essas redes enfrenta riscos como violência, exploração e condições precárias ao longo do trajeto.
Além disso, a vulnerabilidade pode continuar mesmo após a chegada ao destino, dificultando o acesso a direitos básicos e ampliando a exposição a abusos.
Ao tornar público o estudo, a Abin afirma que busca ampliar o debate e contribuir para políticas públicas baseadas em evidências. O documento também reforça a necessidade de ações integradas entre países e órgãos de segurança para enfrentar um problema que ultrapassa fronteiras.
*Com informações da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
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