Em 2025, levantamento do CEREST em Corumbá, registrou 26 casos de transtornos mentais relacionados ao trabalho.
(Foto: Divulgação/PMC)
A saúde mental é hoje um dos principais desafios da saúde pública no Brasil, com impactos diretos na vida pessoal, social e profissional da população. Diante do aumento dos casos de ansiedade, depressão e outros transtornos psíquicos, a Secretaria Municipal de Saúde reforça, durante o Janeiro Branco, a importância da prevenção, do cuidado contínuo e da busca por ajuda especializada.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o Brasil lidera o ranking mundial de pessoas com transtornos de ansiedade, atingindo cerca de 9,3% da população. A entidade também alerta que uma em cada quatro pessoas poderá desenvolver algum transtorno mental ao longo da vida. A depressão, segundo projeções da OMS, deve se tornar a doença mais comum do mundo até 2030.
O reflexo desse cenário é evidente no mundo do trabalho. Informações do Ministério da Previdência Social apontam que, em 2024, o país registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais, o maior número em pelo menos dez anos, com aumento de 68% em relação ao ano anterior. Em Mato Grosso do Sul, foram 8.545 afastamentos por sofrimento psíquico, sendo a maioria relacionada à ansiedade e à depressão.
Em Corumbá, levantamento do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), com base nas notificações do SINAN de 2025, registrou 26 casos de transtornos mentais relacionados ao trabalho. As ocorrências estão associadas principalmente a transtornos ansiosos, episódios depressivos, reações ao estresse, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e síndrome de burnout, evidenciando a influência de fatores psicossociais como sobrecarga laboral, pressão organizacional e ambientes de trabalho estressantes. As notificações concentram-se, em sua maioria, entre trabalhadores formalmente empregados e servidores públicos, abrangendo diferentes ocupações.
Do total de registros, 69,2% referem-se a mulheres, dado que acompanha o perfil observado nos sistemas de vigilância em saúde do trabalhador. Esse cenário está relacionado à maior inserção feminina em atividades com elevada carga emocional, à dupla ou tripla jornada e à maior exposição a situações de assédio e precarização, além da maior procura pelos serviços de saúde.
Criada em 2014 e reconhecida por lei em 2023, a campanha Janeiro Branco busca ampliar o debate sobre saúde mental e estimular o cuidado com as emoções e as relações humanas. Ao longo do mês, ações educativas, palestras e atividades de conscientização reforçam que reconhecer o sofrimento psíquico e buscar tratamento não é sinal de fraqueza, mas um passo essencial para a qualidade de vida.
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que pessoas em sofrimento emocional procurem atendimento na rede de saúde, especialmente por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que oferece acompanhamento multiprofissional. Também estão disponíveis canais de apoio como o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188. Cuidar da saúde mental é um ato de responsabilidade consigo mesmo e com a vida.
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