Domingo, 03 de Maio de 2026
Saúde

Telas demais, infância de menos: os impactos do excesso de estímulos digitais no cérebro infantil

16 jul 2025 - 08h35   atualizado em 03/03/2026 às 09h33

Gesiane Sousa

Telas demais, infância de menos: os impactos do excesso de estímulos digitais no cérebro infantil Especialista aponta que quanto mais tempo em frente às telas, maiores são os riscos de prejuízos cognitivos, emocionais e físicos. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

Com a rotina cada vez mais acelerada e a presença constante da tecnologia no dia a dia, é comum que tablets, celulares e TVs sejam usados como recurso para entreter crianças. Mas o que parece inofensivo — ou até educativo — pode trazer consequências significativas para o desenvolvimento infantil. Segundo a pediatra Dra. Mariana Bolonhezi, o uso excessivo de telas afeta múltiplas áreas: do sono à fala, da empatia à coordenação motora.

“É importante entender que os efeitos variam de acordo com a idade da criança, o tempo de exposição e o conteúdo consumido”, explica a médica. “Mas, de maneira geral, quanto mais tempo em frente às telas, maiores os riscos de prejuízos cognitivos, emocionais e físicos.”

Entre os efeitos cognitivos, a especialista destaca o atraso na fala, a diminuição do vocabulário e a redução da concentração e atenção. “A criança aprende muito mais com a interação humana do que com estímulos digitais. O olhar, a voz, o toque e a troca são insubstituíveis”, afirma a pediatra.

No campo socioemocional, os danos também são relevantes. O tempo excessivo de tela reduz a exposição a brincadeiras simbólicas e interações presenciais, o que dificulta, por exemplo, o reconhecimento de expressões faciais — um ponto fundamental para o desenvolvimento da empatia e da autorregulação emocional. “A convivência real, com familiares e outras crianças, ensina habilidades sociais que nenhuma tela consegue reproduzir.”

Já no aspecto físico, a consequência mais imediata é o sedentarismo. “A criança passa mais tempo sentada, se movimenta menos, o que compromete o desenvolvimento motor”, alerta a especialista. E o sono, tão essencial na infância, também sofre. A luz azul emitida pelos dispositivos reduz a produção natural de melatonina, prejudicando o início e a qualidade do sono, e deixando os pequenos mais agitados.

Dra. Mariana reforça que a chave está no equilíbrio. “O ideal é evitar o uso de telas por crianças menores de dois anos e, acima dessa idade, garantir que o tempo de exposição seja limitado, supervisionado e que o conteúdo tenha qualidade. Acima de tudo, o que mais contribui para o desenvolvimento saudável é o tempo de qualidade com os pais, com afeto, conversa e brincadeiras reais.”

Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal.

 

 

Leia Também

MPMS abre procedimento administrativo para acompanhar saúde em Ladário
Saúde

MPMS abre procedimento administrativo para acompanhar saúde em Ladário

Dados apontam crescimento de dengue e chikungunya em Corumbá
saúde

Dados apontam crescimento de dengue e chikungunya em Corumbá

Elinho busca informações sobre falta de medicamentos na Rede Pública de Saúde
saúde

Elinho busca informações sobre falta de medicamentos na Rede Pública de Saúde

Vacimovel atende população em frente ao CAC até às 16h desta terça-feira
Saúde

Vacimovel atende população em frente ao CAC até às 16h desta terça-feira

Anvisa suspende venda de xaropes com clobutinol
Saúde

Anvisa suspende venda de xaropes com clobutinol

Hipertensão: silenciosa e hereditária, doença pede mudança de hábitos
Saúde

Hipertensão: silenciosa e hereditária, doença pede mudança de hábitos

Ação volante leva vacinação noturna para bairros de Corumbá
Saúde

Ação volante leva vacinação noturna para bairros de Corumbá

Corumbá encerra Mês Azul com meta de criar centro de referência para autismo
Saúde

Corumbá encerra Mês Azul com meta de criar centro de referência para autismo

Palestra alerta para saúde mental dos agentes de segurança pública
Saúde

Palestra alerta para saúde mental dos agentes de segurança pública

MS confirma 13 óbitos por Chikungunya e alerta para 7,5 mil casos em 2026
Saúde

MS confirma 13 óbitos por Chikungunya e alerta para 7,5 mil casos em 2026

Mais Lidas

"Escolhe como quer morrer": homem ficou 4 dias com corpo da mulher em casa
polícia

"Escolhe como quer morrer": homem ficou 4 dias com corpo da mulher em casa

Corumbá entra na rota do contrabando de migrantes, diz Abin
Segurança Pública

Corumbá entra na rota do contrabando de migrantes, diz Abin

Mulher é encontrada morta com sinais de espancamento e cabelo arrancado
polícia

Mulher é encontrada morta com sinais de espancamento e cabelo arrancado

Imagens de câmeras somem e travam investigações de crimes em presídios
investigação

Imagens de câmeras somem e travam investigações de crimes em presídios