Domingo, 03 de Maio de 2026
Saúde

Projeto monitora impacto das queimadas no ar e na saúde da população de MS

24 mar 2025 - 05h25   atualizado em 03/03/2026 às 09h32

Gesiane Sousa

Projeto monitora impacto das queimadas no ar e na saúde da população de MS Corumbá está entre os municípios prioritariamente monitorados pelo Programa Vigiar. (Foto: Álvaro Rezende)

O programa Vigiar foi criado para identificar as áreas mais afetadas pela poluição atmosférica e, a partir disso, adotar medidas preventivas e de monitoramento. O objetivo principal é garantir a proteção da saúde da população exposta a esses poluentes, especialmente em locais com alta concentração de fontes de poluição, como áreas industriais, regiões metropolitanas e zonas com altos índices de queimadas, como a região do Pantanal.

O Vigiar faz uso de um conjunto de dados para mapear os focos de poluição e entender como isso impacta a saúde da população. Informações sobre internações hospitalares por doenças respiratórias e dados ambientais, como a presença de fontes fixas de poluentes (indústrias), fontes móveis (frota veicular) e a queima de biomassa (queimadas e incêndios florestais), são analisadas constantemente. Esse monitoramento contínuo permite a identificação precoce de áreas de risco e a implementação de ações mais eficazes de prevenção.

"O impacto da poluição atmosférica na saúde da população sul-mato-grossense exige uma abordagem científica e integrada. O programa Vigiar tem sido fundamental para identificar padrões de exposição e correlacionar os efeitos dos poluentes com o aumento da demanda por atendimentos de saúde”, explica o coordenador de Vigilância em Saúde Ambiental e Toxicológica, Karyston Adriel Machado da Costa.

Impactos da poluição no sistema de saúde

 

A qualidade do ar, além de ser uma preocupação ambiental, reflete diretamente nos números do SUS (Sistema Único de Saúde). O aumento das consultas médicas, internações hospitalares e o uso intensivo de medicamentos e equipamentos hospitalares estão entre os reflexos da degradação do ar. A população mais vulnerável a esses efeitos são as crianças, os idosos e as pessoas com comorbidades, como doenças pulmonares crônicas e problemas cardíacos.

Entre os problemas mais comuns, causados pelos efeitos da poluição à saúde, estão as doenças respiratórias, como asma, bronquite e outras pulmonares. Além disso, a exposição contínua a poluentes pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, especialmente em pessoas com histórico de doenças cardíacas. A poluição também pode contribuir para o surgimento de problemas oftálmicos, dermatológicos, gastrointestinais, além de agravar condições de saúde mental, como estresse, ansiedade e depressão.

Idosos, crianças e pessoas com comorbidades estão entre os mais afetados pelo efeito da poluição do ar. Foto: Bruno Rezende

Análise de dados: internações e atendimentos

 

A análise dos atendimentos da Atenção Básica à Saúde revela um aumento na demanda por atendimentos individuais em 2024. Dados extraídos do Sistema de Informações Hospitalares do Ministério da Saúde e analisados pelo Vigiar apontam que os casos de asma cresceram 13% em MS em relação a 2023, enquanto os atendimentos para bronquite registraram alta de 7%. 

Os números indicam que, embora as internações hospitalares não tenham mostrado uma alta expressiva, os serviços de saúde básica têm enfrentado uma crescente demanda, refletindo os impactos da poluição no cotidiano das pessoas. Esses atendimentos são um reflexo de problemas respiratórios agravados pela poluição do ar, especialmente durante o período de queimadas.

Atenção especial à região do Pantanal

 

Em 2024, os municípios mais afetados pelas queimadas e poluição atmosférica foram prioritariamente monitorados pelo Vigiar. Cidades como Corumbá, Aquidauana, Porto Murtinho, Miranda e Naviraí foram identificadas como as mais impactadas pelos focos de calor, segundo dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Estas áreas têm recebido uma atenção especial do Governo do Estado, que intensificou o monitoramento e as ações de saúde para proteger as populações locais, que são as mais vulneráveis aos efeitos da poluição.

Estratégia de vigilância: unidades sentinelas

Uma das grandes inovações do Vigiar é a Estratégia Unidade Sentinela, que visa monitorar os casos de doenças respiratórias em áreas prioritárias, como regiões industriais, zonas de alto tráfego e locais diretamente impactados pelas queimadas. Esta estratégia possibilita a coleta de dados que muitas vezes não são capturados pelos sistemas tradicionais, permitindo a detecção precoce de casos e a implementação de medidas de controle de forma mais ágil e eficaz.

A Unidade Sentinela contribui para o monitoramento da saúde da população e possibilita a adoção de medidas rápidas para interromper a cadeia de adoecimento. A agilidade nas respostas permite que os gestores de saúde possam intervir de forma mais eficaz e minimizar os danos à saúde pública.

Monitoramento Integrado

 

O trabalho integrado entre o Vigiar e a Vigidesastres, que monitora os riscos de desastres ambientais, tem sido fundamental para coordenar ações de saúde pública e defesa civil durante o período crítico das queimadas. Em julho de 2024, a SES, junto com técnicos do Vigiar e o Cievs (Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde), acompanhou de perto a situação de saúde em Corumbá, monitorando as internações e notificações relacionadas às queimadas e oferecendo suporte contínuo para a população local.

Secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões Corrêa, destaca a importância do monitoramento. Foto: Saul Schramm

“O Vigiar tem se mostrado uma ferramenta essencial na luta contra os efeitos da poluição do ar sobre a saúde pública em Mato Grosso do Sul. Com ações coordenadas, monitoramento contínuo e estratégias como as Unidades Sentinelas, o programa oferece uma resposta eficaz e eficiente para enfrentar os desafios impostos pela poluição atmosférica. Além disso, a integração com outras áreas da saúde, como a Vigidesastres, fortalece a capacidade do Estado de proteger a saúde da população, garantindo que as comunidades mais vulneráveis recebam o suporte necessário para minimizar os impactos da poluição”, avalia o secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões Corrêa. 

Além das ações específicas para as doenças respiratórias, o Governo do Estado tem adotado medidas para prevenir surtos de doenças diarreicas, que tendem a aumentar devido à poluição da água e às condições sanitárias precárias durante o período de seca. *Com informações da Comunicação da SES-MS

Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal.

 

Leia Também

MPMS abre procedimento administrativo para acompanhar saúde em Ladário
Saúde

MPMS abre procedimento administrativo para acompanhar saúde em Ladário

Dados apontam crescimento de dengue e chikungunya em Corumbá
saúde

Dados apontam crescimento de dengue e chikungunya em Corumbá

Elinho busca informações sobre falta de medicamentos na Rede Pública de Saúde
saúde

Elinho busca informações sobre falta de medicamentos na Rede Pública de Saúde

Vacimovel atende população em frente ao CAC até às 16h desta terça-feira
Saúde

Vacimovel atende população em frente ao CAC até às 16h desta terça-feira

Anvisa suspende venda de xaropes com clobutinol
Saúde

Anvisa suspende venda de xaropes com clobutinol

Hipertensão: silenciosa e hereditária, doença pede mudança de hábitos
Saúde

Hipertensão: silenciosa e hereditária, doença pede mudança de hábitos

Ação volante leva vacinação noturna para bairros de Corumbá
Saúde

Ação volante leva vacinação noturna para bairros de Corumbá

Corumbá encerra Mês Azul com meta de criar centro de referência para autismo
Saúde

Corumbá encerra Mês Azul com meta de criar centro de referência para autismo

Palestra alerta para saúde mental dos agentes de segurança pública
Saúde

Palestra alerta para saúde mental dos agentes de segurança pública

MS confirma 13 óbitos por Chikungunya e alerta para 7,5 mil casos em 2026
Saúde

MS confirma 13 óbitos por Chikungunya e alerta para 7,5 mil casos em 2026

Mais Lidas

"Escolhe como quer morrer": homem ficou 4 dias com corpo da mulher em casa
polícia

"Escolhe como quer morrer": homem ficou 4 dias com corpo da mulher em casa

Corumbá entra na rota do contrabando de migrantes, diz Abin
Segurança Pública

Corumbá entra na rota do contrabando de migrantes, diz Abin

Mulher é encontrada morta com sinais de espancamento e cabelo arrancado
polícia

Mulher é encontrada morta com sinais de espancamento e cabelo arrancado

Imagens de câmeras somem e travam investigações de crimes em presídios
investigação

Imagens de câmeras somem e travam investigações de crimes em presídios