Audiência pública discute impactos socioambientais da Hidrovia Paraguai-Paraná no Pantanal.
(Foto: Wetlands International Brasil)
Membros da Wetlands International Brasil e da Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal participaram, nesta terça-feira (24), da audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para discutir os impactos socioambientais da Hidrovia Paraguai-Paraná no Pantanal. O encontro reuniu especialistas, comunidades ribeirinhas, representantes do poder público e organizações da sociedade civil.
Durante a audiência, as organizações somaram as falas das autoridades a mesa e destacaram estudos técnicos desenvolvidos nos últimos anos que apontam fragilidades na proposta da hidrovia, especialmente em relação aos impactos ambientais e à viabilidade econômica do projeto.
A doutora Cátia Nunes, consultora Wetlands International Brasil e Mupan, apresentou resultados da primeira fase de um estudo iniciado em 2019, voltado as avaliações de impacto ambiental em grandes obras na região. Segundo ela, a manutenção da conectividade hidrológica é essencial para a sobrevivência do Pantanal. “Sem o pulso de inundação, não há Pantanal. A maior parte dos solos é arenosa e depende diretamente da dinâmica das águas”, afirmou.
A pesquisadora também relatou que na análise feita no Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) da hidrovia o documento superestima os ganhos econômicos e subestima os impactos negativos. Entre os principais pontos levantados por especialistas está a ausência de uma análise consistente sobre mudanças climáticas, como apontou o pesquisador Wilson Cabral de Souza, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), citando que o EVTEA desconsidera cenários climáticos futuros, o que pode afetar diretamente a dinâmica de sedimentos, a necessidade de dragagens e a operação da hidrovia em períodos de seca, além de ignorar o aumento na frequência de eventos extremos. Estudos mais recentes conduzidos pelo grupo indicam que os impactos hidrológicos na Bacia do Alto Paraguai tendem a ser desfavoráveis ao empreendimento.
A oficial técnica Ana Carla, da Wetlands International Brasil, apresentou materiais atualizados sobre a hidrovia e destacou um novo estudo em andamento. A iniciativa busca fortalecer salvaguardas socioambientais e orientar a elaboração de Estudos de Impacto Ambiental (EIA) mais rigorosos, considerando inclusive mudanças recentes na legislação ambiental.
“Estamos em fase de consulta pública e queremos que instituições, pesquisadores e a sociedade contribuam. Esse é um momento importante de construção coletiva, adaptado ao contexto político, ecológico e ecossistêmico do Pantanal”, afirmou.
O novo estudo reúne contribuições de especialistas, normas internacionais e decisões judiciais, ampliando a análise para além das áreas diretamente alagadas e considerando toda a bacia hidrográfica que influencia o bioma.
Consulta Pública
Como parte desse processo, está aberta uma consulta pública para coleta de contribuições. As sugestões irão subsidiar diretrizes que podem influenciar futuros projetos de infraestrutura na região.
Para participar, acesse o formulário: Salvaguardas Sociambientais no Pantanal. O resultado deve ser publicado em setembro de 2026.
A audiência contou ainda com a presença de autoridades e especialistas, como o deputado estadual Pedro Kemp, a representante da SOS Pantanal, Stefania Oliveira, o biólogo Gustavo Figueiró, além de pesquisadores, representantes do Ministério Público Federal e do presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, que esteve em Campo Grande para a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias.*Com informações da assessoria de comunicação da Wetlands International Brasil.
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