Domingo, 05 de Abril de 2026
Meio Ambiente

Mato Grosso do Sul sedia COP15 para proteger espécies migratórias e o Pantanal

12 mar 2026 - 08h08   atualizado às 12h27

Gesiane Sousa

Mato Grosso do Sul sedia COP15 para proteger espécies migratórias e o Pantanal O Pantanal é ponto de parada e alimentação para 190 espécies de aves migratórias do Continente. (Foto: Bruno Rezende/Secom/Arquivo)

O Pantanal sul-mato-grossense, maior área úmida contínua do planeta, foi o cenário decisivo para a escolha de Mato Grosso do Sul como sede da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15). O evento, organizado pela ONU em parceria com o Governo do Estado, acontecerá entre os dias 23 e 29 de março, no Expo Bosque, em Campo Grande.

Ponto estratégico global

O bioma é parada obrigatória para descanso e alimentação de 190 espécies de aves migratórias que viajam do Hemisfério Norte (Canadá e EUA) até a Patagônia. Além das aves, a conferência destaca a importância de peixes como o Pintado e o Dourado, que realizam a Piracema, e da onça-pintada, protegida como espécie migratória ameaçada devido à necessidade de corredores ecológicos que cruzam fronteiras nacionais.

Políticas de conservação

Para o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, a integridade do Pantanal é vital para a sobrevivência desses animais. O estado reforça esse compromisso com a Lei do Pantanal (2023), que protege áreas sensíveis como as salinas e landizais, além de obrigar a manutenção de 40% da vegetação nativa em propriedades rurais.

A COP15 busca unir as 133 nações signatárias do tratado para garantir que o desenvolvimento econômico e a conservação da biodiversidade caminhem juntos, assegurando a conectividade dos habitats essenciais para os ciclos de vida globais.

Blue Zone (Zona Azul)

A Blue Zone será o centro das negociações oficiais da ONU e estará sediada no Expo Bosque, no Shopping Bosque dos Ipês.  O espaço será restrito a delegados de governos, chefes de estado, agências da ONU e observadores credenciados, como ONGs e representantes de povos indígenas. Entre as atividades previstas estão discussões sobre a revisão do tratado global de vida selvagem, metas de conectividade ecológica e proteção de espécies ameaçadas, como baleias, tubarões e aves. 

Participação e Eventos Paralelos

Comunidades locais, cientistas e organizações podem participar através de frentes específicas:

  • Chamada para Eventos: O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a CMS abriram editais para a seleção de eventos paralelos e projetos de conservação. Cerca de 50 projetos de conservação foram selecionados para apresentação durante a conferência.
  • Povos Indígenas e Comunidades Locais: A COP15 busca integrar conhecimentos tradicionais e garantir o direito à terra e à biodiversidade, com forte presença de lideranças em painéis e discussões sobre o uso sustentável de espécies.

Eventos em outros locais: Haverá atividades distribuídas por outros pontos de Campo Grande, visando o engajamento da população local com a temática ambiental. 

Credenciamento

Para participar formalmente das sessões, é necessário realizar o credenciamento oficial junto à secretaria da Convenção. O encontro espera receber entre 2 mil e 3 mil visitantes de mais de 100 países. Clique aqui para realizar seu credenciamento.

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