Segunda-feira, 06 de Abril de 2026
meio ambiente

Empresa é condenada a pagar R$ 1,2 milhão por danos ao Pantanal

10 nov 2025 - 10h59   atualizado em 03/03/2026 às 09h33

Danielly Carvalho

Empresa é condenada a pagar R$ 1,2 milhão por danos ao Pantanal Justiça manteve condenação da Navegação Porto Morrinho por destruição de vegetação nativa. (Foto: divulgação/Ibama)

A empresa Navegação Porto Morrinho (NPM) foi condenada pela Justiça Federal a pagar R$ 1,2 milhão por danos morais coletivos causados pela degradação ambiental no Pantanal. O processo começou em 2012, após denúncias e laudos que apontaram a instalação irregular de um estaleiro e destruição de áreas de vegetação nativa na região.

A decisão também obriga a empresa a implantar um sistema de escoamento superficial no Corixo Gonçalinho, trecho que liga a BR-262 ao estaleiro, e a elaborar um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD). O recurso apresentado pela NPM foi negado pela Justiça.

Segundo a juíza federal substituta Sabrina Gressler Borges, “restou claro que os réus desflorestaram e suprimiram toda a vegetação para a ampliação do referido aterro e para a passagem da tubulação da draga, ainda impedindo que as formações da flora, após a destruição de floresta e supressões, se regenerassem”.

A condenação foi embasada em laudos da Polícia Federal, de um perito judicial, além de relatórios do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul).

“As provas produzidas ao longo do processo, entre elas os laudos do Ibama, Imasul e Polícia Federal, apenas corroboraram a narrativa da ação inicial, de que a empresa ré e seu administrador descumpriram sucessivas exigências dos órgãos ambientais para a instalação do empreendimento, culminando em danos ao meio ambiente”, destacou a magistrada.

A NPM tem entre seus sócios Antônio João Abdalla e José João Abdalla Filho, conhecido como Juca Abdalla, um dos maiores investidores do país.

Entre 2012 e 2016, a empresa acumulou multas que somam R$ 10 milhões, aplicadas pelo Ibama por iniciar as obras sem licença ambiental. Na época, a Polícia Militar Ambiental (PMA) chegou a interditar o estaleiro pelos mesmos motivos.

Mesmo após anos de disputas judiciais, a situação nunca foi regularizada. Em um dos relatórios anexados ao processo, a Polícia Federal registrou: “Apesar de a Navegação Porto Morrinho S.A. possuir licença de instalação para implantação do estaleiro, nenhum dos programas ambientais de controle e de monitoramento foi executado (...), os quais têm a função de minimizar os impactos negativos decorrentes das obras, devendo também ser considerado que algumas atividades foram realizadas sem estarem contempladas na licença, como a dragagem do Corixo Gonçalinho”.

No recurso apresentado, a NPM alegou que a decisão teria desconsiderado o laudo do perito judicial. A justificativa foi rejeitada pelo juiz federal Felipe Graziano da Silva Turini, que afirmou: “a sentença analisou o documento e extraiu dele fundamentos para a procedência da pretensão autoral, em consonância com os demais elementos probatórios dos autos, notadamente os laudos técnicos dos órgãos ambientais (Ibama, Imasul, FMAP) e os laudos periciais da Polícia Federal”.

A defesa também sustentou que a validade da licença ambiental não teria sido levada em conta. O magistrado reconheceu o ponto parcialmente, mas reforçou que “a renovação automática da licença pressupõe a boa-fé do requerente e o cumprimento das obrigações ambientais, o que manifestamente não ocorreu no caso concreto”.

Por fim, a empresa argumentou que o prejuízo financeiro com a paralisação das obras seria maior que o valor da multa, tese novamente refutada. “O dano moral coletivo ambiental não pode ser compensado com prejuízos econômicos privados da empresa poluidora. O objetivo do instituto é sancionar a lesão aos valores ambientais difusos e de titularidade da coletividade, possuindo nítida função pedagógica e punitiva”, concluiu o juiz.*Com informações do Campo Grande News.

Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal.  

Leia Também

Brasil concorre ao Global Water Awards por avanços promovidos pela ANA
meio ambiente

Brasil concorre ao Global Water Awards por avanços promovidos pela ANA

Livro do DNIT usa caso de MS para orientar proteção da fauna nas BRs
meio ambiente

Livro do DNIT usa caso de MS para orientar proteção da fauna nas BRs

Juruva é oficializada como ave símbolo da Mata Atlântica em Mato Grosso do Sul
Meio Ambiente

Juruva é oficializada como ave símbolo da Mata Atlântica em Mato Grosso do Sul

Senar/MS lança curso para produtores combaterem incêndios no Pantanal
meio ambiente

Senar/MS lança curso para produtores combaterem incêndios no Pantanal

Tecnologias e diversificação de culturas melhoram produção em solos arenosos
Meio Ambiente

Tecnologias e diversificação de culturas melhoram produção em solos arenosos

Papa nomeia climatologista brasileiro para conselho da Igreja Católica
meio ambiente

Papa nomeia climatologista brasileiro para conselho da Igreja Católica

COP15 termina com resultados inéditos e 40 novas espécies protegidas
Meio Ambiente

COP15 termina com resultados inéditos e 40 novas espécies protegidas

COP15 aprova maior proteção de bagres gigantes da Amazônia e ariranhas
Meio Ambiente

COP15 aprova maior proteção de bagres gigantes da Amazônia e ariranhas

Onça-pintada que circula áreas urbanas de Corumbá será realocada
meio ambiente

Onça-pintada que circula áreas urbanas de Corumbá será realocada

Vídeo mostra situação de isolamento no Corixo Gonçalinho
Reivindicação

Vídeo mostra situação de isolamento no Corixo Gonçalinho

Mais Lidas

Venda de ovos artesanais cresce e impulsiona renda na Páscoa
Economia

Venda de ovos artesanais cresce e impulsiona renda na Páscoa

Morre empresário Souleiman Khaled; Velório acontece na Capela Cristo Rei
Luto

Morre empresário Souleiman Khaled; Velório acontece na Capela Cristo Rei

Irregularidades causarão exclusão de famílias, diz Prefeitura sobre sorteio
Habitação

Irregularidades causarão exclusão de famílias, diz Prefeitura sobre sorteio

Soraya volta atrás e se filia ao PSB no último dia da janela partidária
POLÍTICA

Soraya volta atrás e se filia ao PSB no último dia da janela partidária