Estruturas começaram a ser instaladas em trechos críticos após milhares de atropelamentos registrados.
(Foto: Amanda Messias)
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) vai acompanhar de perto o funcionamento das passarelas de passagem de fauna que estão sendo implantadas na BR-262, em Mato Grosso do Sul. A rodovia é a que mais registra morte de animais silvestres no Estado.
A informação foi confirmada pelo presidente do órgão, Roberto Agostinho, na manhã desta terça-feira, 26 de agosto. Segundo ele, o monitoramento é fundamental para avaliar a efetividade das estruturas e apontar a necessidade de novas intervenções.
“Depois que elas estiverem prontas, a gente vai começar um trabalho de monitoramento para verificar se de fato estão funcionando. Pode ser que os animais ainda insistam em passar por locais onde não há passagem e, nesse caso, novas estruturas poderão ser propostas dentro do projeto”, explicou.
As obras na rodovia incluem diferentes medidas para reduzir os atropelamentos de animais silvestres. Além das passagens subterrâneas, estão previstos o cercamento de trechos, a limpeza de acostamentos e até a redução de velocidade em áreas críticas. “O acostamento limpo é importante porque dá tempo de o motorista frear. Quando a vegetação está rente à pista, o animal aparece de repente e muitas vezes é impossível evitar a colisão”, ressaltou Agostinho.
O presidente do Ibama destacou ainda que o problema é antigo e grave em rodovias que cortam estados pantaneiros. “Em muitas rodovias antigas a gente não tem mais atropelamento de fauna porque não sobrou animal para se atropelar. As rodovias do Mato Grosso do Sul e do Mato Grosso são uma verdadeira carnificina”, afirmou.
Entre maio de 2023 e abril de 2024, 2,3 mil animais silvestres morreram em um trecho de 350 quilômetros da BR-262, entre Campo Grande e a ponte sobre o Rio Paraguai, conforme levantamento do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS). Já entre 2017 e 2020, foram encontradas 215,9 mil carcaças de animais atropelados nas rodovias do Estado. Para tentar reduzir os acidentes, a BR-262 recebeu inclusive placas de alerta consideradas “mais impactantes”.
Agostinho defende que a iniciativa seja ampliada para outras rodovias. “Aqui demorou demais para acontecer, mas a gente fica muito feliz e espera que isso tenha uma expansão, inclusive para as rodovias estaduais. [...] Esse é um problema presente em todos os biomas brasileiros. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o gato-palheiro está sendo extinto por atropelamento. No Cerrado, o tamanduá-bandeira, o lobo-guará e as raposas também correm risco”, alertou.
De acordo com Agostinho, a implantação de passagens de fauna em rodovias novas já é obrigatória. No entanto, em trechos mais antigos, como a BR-262, o processo avançou apenas recentemente, após diálogo com o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).
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