Segunda-feira, 06 de Abril de 2026
Meio Ambiente

A mudança do clima já é uma realidade avassaladora, diz Marina Silva

15 ago 2025 - 06h53   atualizado em 03/03/2026 às 09h33

Gesiane Sousa

A mudança do clima já é uma realidade avassaladora, diz Marina Silva Marina reforçou a necessidade de transição energética e apresentou ações para a COP30. (Foto: Diego Campos / Secom / PR)

Durante participação no programa “Bom Dia, Ministra” desta quinta-feira, 14 de agosto, Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima) apontou avanços recentes no combate ao desmatamento e elencou novos desafios provocados pela crise climática. Ela ressaltou que, pela primeira vez na história, o desmatamento causado por queimadas superou o provocado por corte raso, fenômeno que a ministra associa diretamente à perda de umidade da floresta e ao aumento da vulnerabilidade do país.

“Pela primeira vez na história do Brasil, o desmatamento por queimadas foi maior do que o desmatamento por corte raso. O que significa isso? Isso significa que a mudança do clima já é uma realidade avassaladora, que a floresta está perdendo umidade e que os incêndios agora assumem uma dimensão que a gente pode ter no Brasil o que a gente tem em outras regiões do planeta”, disse Marina Silva.
 

“Pela primeira vez na história do Brasil, o desmatamento por queimadas foi maior do que o desmatamento por corte raso. O que significa isso? Isso significa que a mudança do clima já é uma realidade avassaladora, que a floresta está perdendo umidade e que os incêndios agora assumem uma dimensão que a gente pode ter no Brasil o que a gente tem em outras regiões do planeta”, afirmou.

A ministra apontou que o bioma amazônico é único em suas características, o que torna o combate ao fogo ainda mais difícil. “É uma floresta tropical, uma floresta úmida, árvores com mais de 40 metros de altura, algumas delas com mais de 3 metros de diâmetro. Ninguém tem sequer tecnologia de como fazer combate de incêndio numa floresta densa, como é o caso da floresta amazônica”.

E completou: “A Amazônia é responsável pelo regime de chuva da América do Sul e de uma parte significativa do país, além de produzir 20 bilhões de toneladas de água por dia. Essa água é transformada em vapor e ela se precipita nessas regiões a que me referi. Sem a floresta, nós somos um país altamente vulnerável”.

Mesmo diante desse cenário, Marina apresentou dados que apontam reduções importantes nas taxas de desmatamento em diferentes biomas, comparando períodos entre 2023 e 2024: queda de 46% na Amazônia, 32% no Cerrado e 72% no Pantanal. “É aquilo que eu falei, a mudança do clima está fazendo com que tenha mais desmatamento por incêndio ou por diminuição das chuvas do que por corte raso. No caso dos incêndios, é algo que é motivo de muita preocupação”, disse.

Transição energética

Ao analisar as causas e impactos da crise climática, a ministra reforçou a urgência de acelerar a transição para fontes limpas de energia e eliminar o uso de combustíveis fósseis.

“O clima está mudando e a temperatura da Terra está aumentando. São 500 mil pessoas que estão morrendo por ano em função da emissão de CO2 por carvão, petróleo, gás e desmatamento. Então, a necessidade de fazer a transição para o fim do uso de combustível fóssil, de carvão, de petróleo, de gás e de zerar desmatamento é uma questão fundamental para manter o equilíbrio e a sustentação da vida no planeta”, disse.

Segundo Marina, o Brasil tem posição privilegiada nessa agenda, com grande potencial para fontes como energia solar, eólica, biomassa e hidrogênio verde. “Os esforços que vêm sendo feitos são no sentido de buscarmos outras alternativas: energia eólica, energia solar, energia de biomassa, energia de hidrogênio verde. E o Brasil é rico em todas essas fontes”, afirmou.
 

“Vamos trabalhar para que a gente possa sair da COP30 com um mapa do caminho para fazer uma transição justa e planejada para o fim de desmatamento, para o fim do uso de combustível fóssil"

Marina Silva
 

COP30

A ministra também abordou os preparativos para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada em Belém (PA) em 2025. Marina defendeu que o encontro seja um marco para a definição de metas concretas rumo ao fim do desmatamento e à transição energética.

“Vamos trabalhar para que a gente possa sair da COP30 com um mapa do caminho para fazer uma transição justa e planejada para o fim de desmatamento, para o fim do uso de combustível fóssil. O nosso presidente da COP, junto com o presidente da COP do Azerbaijão, vai apresentar uma proposta para que a gente possa ajudar a viabilizar 1,3 trilhão de dólares para o financiamento climático. E vamos reiterar o compromisso de triplicar a energia renovável, duplicar a eficiência energética, além de uma intensa agenda de ação que está sendo mobilizada, inclusive com instrumentos inovadores para o financiamento climático, como é o caso do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF)”, explicou.

Para a ministra, a conferência também deverá reforçar ações de adaptação, diante dos impactos já sentidos pela emergência climática. “Uma hora são chuvas torrenciais, outra hora são secas avassaladoras. E todos os fenômenos, inclusive como é o caso dos incêndios, vêm sendo agravados em função do aumento da temperatura, da baixa precipitação, diminuição das chuvas e de processos muito altos de evapotranspiração. Então, é preciso que façamos esforços de nos adaptar”.
 

Adapta Cidades

Nesse contexto, Marina apresentou o programa Adapta Cidades, voltado para preparar municípios frente a eventos extremos. A iniciativa já conta com a adesão de todas as unidades da Federação e prevê ações como sistemas de alerta rápido, obras de contenção de encostas, rotas de fuga e abrigos temporários.

“O programa Adapta Cidades já está programado para mais de 200 cidades num projeto pioneiro para criarmos um padrão de como a gente vai fazer o enfrentamento da emergência climática. E eu concluo dizendo que é preciso criar um novo marco legal, porque hoje a figura da emergência é só quando acontece o desastre, a catástrofe. Nós já sabemos cientificamente que existem algumas regiões que serão recorrentemente afetadas por esses eventos extremos”, concluiu.

 

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