Menu
sexta, 17 de setembro de 2021
Expresso Mato Grosso - Junho
Geral

Omertà 3 prende delegado, secretária dos Name e mira conselheiro do TCE e “rei da fronteira”

18 junho 2020 - 10h49Site O Jacaré

A Operação Omertà 3 prendeu, nesta quinta-feira (18), o delegado Márcio Shiro Obara, a secretária pessoal da família e sobrinha de Jamil Name, Cinthya Name Bell, e funcionários da Pantanal Cap. No retorno às ruas, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) e o Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) ainda miram o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Jerson Domingos, e o empresário Fahd Jamil, conhecido como “rei da fronteira”, e o filho, Flávio Jamil.

Tão ostensiva quanto a primeira fase, deflagrada em 27 de setembro do ano passado, quando prendeu Jamil Name e o filho, Jamil Name Filho, acusados de chefiar o grupo de extermínio, a força-tarefa de conta com as corregedorias da Polícia Militar e da Polícia Civil, do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e Batalhão de Choque.

Obara é delegado da elite da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e já foi titular da Delegacia de Homicídios e do Garras. Ele foi um dos integrantes da equipe que prendeu os guardas municipais acusados de matar o delegado Paulo Magalhães no dia 25 de junho de 2013. No entanto, a investigação nunca chegou ao mandante da execução.

De acordo com o Garras, em depoimento, a mulher do guarda municipal Marcelo Rios, preso com um arsenal de armas de fogo em maio do ano passado, apontou que seria pago R$ 100 mil a um delegado. Em novembro do ano passado, Obara deixou o comando da Delegacia de Homicídios para reforçar a onda de assassinatos em Ponta Porã.

A força-tarefa voltou às ruas para cumprir vários mandados, inclusive contra Cinthya e de Jerson Domingos, que foram alvos da Operação Omertà 2 em março deste ano. Conforme o Garras, um papel apócrifo encontrado no Presídio Federal de Mossoró (RN) apontou que os dois seriam os encarregados de executar o plano para matar o delegado Fábio Peró, do Garras, o promotor Tiago Di Giulio Freire, do Gaeco, um defensor público e seus familiares.

Fase 3 da Omérta mira Delegado, empresários e conselheiro do TCE. Foto: Henrique Kawaminami do Campo Grande News

Na ocasião, o juiz Marcelo Ivo de Oliveira, da 7ª Vara Criminal, negou a prisão preventiva de Jerson e Cinthya, mas autorizou mandados de busca e apreensão, a quebra dos sigilos de dados e telefônicos e recolhimento dos aparelhos celulares. No mês passado, o magistrado questionou o Garras se matinha a representação pela prisão de Jerson e Cinthya.

Ao Campo Grande News, o advogado Eres Figueira confirmou a prisão de Cinthya. No entanto, ele ainda não tinha conhecimento dos motivos da prisão da mulher, que é considerada “secretária pessoal” da família Name.

O grupo esteve na manhã de hoje no apartamento de Jerson Domingos, mas o conselheiro não foi localizado. A família não sabe se o mandado era de busca ou de prisão preventiva, como Cinthya.

Delegado Márcio Obara foi preso acusado de ligação com grupos de extermínio. Foto: Arquivo

A Omertà 3 ainda mirou o empresário Fahd Jamil, dono da mansão faraônica em Ponta Porã. Compadre de Jamil Name, ele recebeu o afilhado, Jamil Name Filho, no ano passado, quando o grupo começou a suspeitar de que era alvo das investigações feitas pela Força-Tarefa constituída para investigar as execuções em Campo Grande. Ele teria ficado vários dias na casa do empresário.

Conhecido como “rei da fronteira”, Fahd Jamil chegou a ser condenado por tráfico de drogas a mais de 20 anos pelo juiz federal Odilon de Oliveira, então na 3ª Vara Federal de Campo Grande. No entanto, ele recorreu e acabou absolvido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

Funcionários da Pantanal Cap, em Campo Grande, também foram presos na manhã de hoje. A empresa promove sorteios de veículos na Capital e se transformou em um dos principais negócios da família Name na Capital.

A operação ocorre na iminência do retorno do empresário Jamil Name a Campo Grande por determinação do ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal. Ele acatou pedido da defesa, de que o empresário está com idade avançada e vários problemas de saúde pra continuar isolado no presídio federal potiguar.

Nesta semana, o juiz corregedor Walter Nunes da Silva, do Rio Grande do Norte, determinou o encaminhamento de Name para uma cela provisória da Polícia Federal no aeroporto até a transferência para Campo Grande. O destino dele será definido pelo juiz Mário José Esbalqueiro Júnior, da 1ª Vara de Execução Penal da Capital.

Marco Aurélio ainda não analisou recurso do procurador-geral da República, Augusto Aras, para que o empresário, acusado de chefiar grupo de extermínio de alto poder bélico e financeiro, continue em Mossoró.

 

Deixe seu Comentário

Leia Também

Tentativa de Homicídio
Adolescente é socorrido com perfuração de bala na coxa
Auditoria
Brechas favorecem corrupção em mais de 90% das organizações públicas de MS, revela TCU
Espancamento
Rapaz vítima de agressão é socorrido inconsciente no bairro Camalote
Trânsito
Motociclista é socorrido com fratura na perna
Limpeza
Centro e Aeroporto recebem mutirão da dengue
23 vagas
Inscrição para o processo seletivo da Saúde de Corumbá termina às 17h de hoje
Imunização
Veja quem pode se vacinar nesta sexta (17) em Corumbá
PMA
Usina é multada em quase R$ 2 milhões por incêndio em áreas protegidas por lei
Cursos Grátis
Confira programação das carretas do Cidade Empreendedora em Corumbá
Repasses
MEC lança Painel de Investimentos em Educação Básica

Mais Lidas

"Branca Pura"
Operação apreende 47 quilos de cocaína; carga é avaliada em R$ 650 mil
Criminoso
Polícia investiga incêndio na ponte do Saran na Estrada Parque
Bodoquena
Assentamento é multado em R$ 60 mil por incêndio no Pantanal
Campo Grande
Tesouro Nacional reprova administração do prefeito Marquinhos Trad e secretário