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Empreendedores arriscam fora de sua área de formação e geram empregos

01 maio 2019 - 09h04Flávia Ibanez

Entre 2007 e 2017, o número de empreendedores brasileiros cresceu de 14,6 milhões para 49,3 milhões, um aumento do 237%. Os números foram compilados pela pesquisa realizada pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM), com a participação do Sebrae. No mesmo período, a população brasileira saiu de aproximadamente 191 milhões para 207 milhões, um crescimento de 8%.

No entanto, nem todos os empresários geram empregos ou investem em negócios capazes de gerar postos de trabalho. De acordo com a pesquisa, 68,4% dos empreendedores considerados estabelecidos não geram nenhum posto de trabalho. Em março deste ano, o país contava com 8,1 milhões de Microempreendedores Individuais (MEIs) – que trabalham por conta ou com um funcionário, no máximo. A título de comparação, em março do ano passado, o país tinha 6,7 milhões de pessoas nessa modalidade, o que representa um aumento de 21% em um ano.

“A despeito disso, não se pode deixar de mencionar que apesar dos fortes traços de um empreendedorismo para auto ocupação, a atividade empreendedora no Brasil é responsável também por geração expressiva de ocupação e renda para empregados e/ou familiares”, afirma o GEM. E muitas dessas pessoas abriram a cabeça, indo além de suas formações tradicionais para inovar.

Exemplos de sucesso

É o caso de Afonso Natal Neto, um dos sócios do curitibano Sirène ao lado do advogado Lucas Lopes Muller, do administrador Alexandre Lopes e do fotógrafo Raphael Umbelino, de 31 anos. A rede vendeu 70 mil porções de fish & chips e faturou R$ 3,2 milhões em 2018.

Vindo de uma família que trabalhou em livrarias, o advogado Afonso Natal Neto alugou o imóvel onde está localizada a primeira unidade do Sirène para abrir uma livraria jurídica e um café. Um imprevisto – a desistência da sua mãe da sociedade – e uma viagem à Austrália mudaram o seu destino. “Pensei: vou abrir um bar. Ele precisava de um diferencial. Como estava na Austrália, fui ver o que tinha de diferente por lá e, por ser uma colônia inglesa, rolava muito fish & chips”, conta o advogado.

Foram 7 meses até tirar a ideia do papel. Em janeiro de 2016, o Sirène abriu as suas portas. Em 2018, a rede comercializou 25 toneladas de batata, 15 toneladas de peixe em suas 70 mil porções, 6 mil unidades do sandufish e mais de 70 mil litros de chopp. “Somos filhos da crise. Entramos com um produto novo no mercado baseado em três pilares: preço justo – nem caro nem barato –, produto de qualidade e excelente atendimento”, relata Afonso, que hoje se dedica ao empreendimento com unidades espalhadas pelos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal.

A mudança radical de vida também entrou no histórico do jornalista Daniel Mocellin. Em 2015, ele resolveu largar a profissão para abrir uma hamburgueria de rua: WhataFuck. A ousadia deu certo e em 2018 seu empreendimento comercializou, em média, 30 mil hambúrgueres e mais de 8 mil litros de chope artesanal por mês na capital paranaense. Tudo isso em duas unidades que juntas somam 52m². Com o sucesso, a rede inaugurou sua terceira loja na cidade no ultimo mês de fevereiro e se consolidou como a maior hamburgueria artesanal do Estado do Paraná.

Marcelo Franck, do Franck’s Ultra Coffee, é outro case de sucesso. Formado em Direito, trabalhou por duas décadas na área de Tecnologia da Informação antes de abrir o seu negócio, em janeiro de 2018. Atualmente, a rede fornece cafés maturados em barris de destilados para pelo menos 30 receitas de cervejas, conta com 20 pontos de vendas no país e planeja abrir sua segunda loja física em Curitiba.

Da obrigação para o prazer

Com duas décadas no mundo corporativo, o barista Marcelo Franck sentiu na pele o estresse causado pelas cobranças e pressões. “Eu achava que estava resolvendo os problemas das pessoas e só recebia ligações com mais problemas”, conta. Como o café já era um hobby em sua vida, ele passou a levá-lo mais a sério, com cursos no fim de semana, formações mais aprofundadas – como a do Coffee Lab, em São Paulo –, além de buscar mais informações e referências em viagens internacionais.

“Na Dinamarca, eu descobri os cafés maturados em barris. Percebi que isso não havia no Brasil e comecei a fazer. Depois, viajei pelas duas costas dos Estados Unidos para conhecer mais. O mundo da cervejaria artesanal comprou a ideia e, a partir disso, foi se disseminando. Meus clientes, em 95% dos casos, chegam até mim pelo boca a boca”, relata. Franck diz que só percebeu que havia migrado da pressão que sentia para dar prazer em um segundo momento. “Abri o Instagram e vi uma desconhecida falando sobre o prazer que o café tinha proporcionado a ela. Aí eu percebi que não tinha mais volta”, completa o empresário.

 

 

 

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